O Campo Esquecido [Novel]

Todos os dias, eu rezo… para que este amor morra. Que eu te ame apenas até hoje, e que amanhã, este amor tenha desaparecido. Thalia Roem Ghirta é uma princesa imperial trágica, fruto de um caso extraconjugal e criada em um palácio que nunca a aceitou de verdade. Cercada por pais indiferentes, meio-irmãos hostis e servos que a desprezavam, Thalia cresceu marcada pela negligência. Para se proteger, aprendeu a mostrar seus espinhos a qualquer um que se aproximasse. E, no entanto, diante de uma pessoa, até mesmo ela se torna completamente indefesa. Varkas Raedgo Siarkan, um nobre senhor do Oriente, é vassalo da família imperial e herdeiro de uma casa grão-ducal. Criado sob a implacável pressão da perfeição, suas emoções foram embotadas por um treinamento que beirava o abuso. Ele vivia apenas para a honra e o dever de sua família. Para cumprir uma promessa feita à antiga imperatriz, Varkas fica noivo da meia-irmã de Thalia, Ayla. Consumida pelo desespero, Thalia começa a desmoronar lentamente. Mas o seu amor, outrora fadado apenas à morte, logo encontra uma reviravolta inesperada…

Capítulo 6

Capítulo 6

Tradução: Emma

Capítulo 06


Havia menos de quinze dias desde que ela havia deixado o castelo da família Taren e entrará no palácio imperial.

Sua mãe estava encantada que o nome da filha finalmente tivesse sido registrado na genealogia imperial, mas Thalia simplesmente odiava ter vindo para um lugar desconhecido.

Quando a atenção da Senevia se voltou exclusivamente para a reforma do castelo, a ansiedade de Thalia piorou ainda mais.

Diferente do que sua mãe lhe dissera, o palácio imperial era apenas sombrio e assustador.

Onde quer que fosse, olhares cortantes a seguiam, e os que a serviam eram mais frios do que os criados da família Taren.

Se sentia como uma criança que havia perdido o seu lugar.

Por isso, sempre que tinha oportunidade, escapava sorrateiramente do quarto e vagava pelas proximidades do palácio isolado.

Ela costumava vagar especialmente pelo jardim dos fundos, mas como a Senevia havia mandado arrancar todas as flores e árvores do castelo inteiro, dizendo que apagaria os vestígios da antiga imperatriz, o jardim estava uma completa bagunça.

Pelo menos nas entradas do palácio principal e do palácio isolado, roseiras e arbustos coloridos e esplêndidos haviam começado a preencher os espaços vazios um a um, mas nos fundos, onde o trabalho de paisagismo ainda não havia sido concluído, apenas montes de terra espalhavam-se em desordem.

Graças a isso, ninguém ia até lá.

Sempre que Thalia se cansava dos sussurros das pessoas ou de seus olhares cortantes, passava o tempo vagando em um canto do jardim dos fundos destruído.

Naquele dia também, havia saído para o quintal do palácio isolado para escapar da ama chata e da criada que disse que faria seu cabelo, só para espetar-lhe o couro cabeludo com um pente afiado.

Por causa da chuva que havia começado a cair ao meio-dia, nem um único trabalhador podia ser visto no jardim.

Thalia se agachou num canto do quintal vazio onde não havia ninguém e ficou encarando as gotas de chuva que caíam sem fim.

Por quanto tempo ficou assim?

De algum lugar, um pequeno som de assobio podia ser ouvido.

Após olhar ao redor por um momento com uma expressão confusa, Thalia se moveu em direção à borda externa do castelo como se estivesse atraída por algo, enquanto se ensopava na chuva constante.

No lugar onde uma árvore grande e bela havia estado até aquela manhã, apenas um buraco fundo havia sido cavado.

Thalia se aproximou do alto monte de terra e olhou para baixo.

Um passarinho se debatia na lama, soltando um choro lamentável.

Teria caído da árvore?

O pássaro parecia que não seria estranho se morresse a qualquer momento.

Gotas pesadas de chuva golpeavam seu corpinho encharcado sem pausa, e torrões de lama vermelho-escura como piche engoliam pegajosamente suas pernas ossudas e suas asas maltratadas.

Da mesma forma, que os gritos persistentes do pássaro, haviam a certa altura se transformado num tremor fraco.

Thalia olhou em silêncio para a cena com os joelhos dobrados, então sem perceber desceu para dentro do buraco.

Era uma coisa tola de se fazer.

Mesmo pisando com cuidado, o chão, encharcado de água de chuva e tornado lamacento como um pântano, engoliu seu sapato num instante.

Ela torceu o corpo para soltar o pé.

Então perdeu o equilíbrio e escorregou na lama.

Thalia, que havia caído como se mergulhasse de cabeça numa poça, sentiu a água lamacenta e rançosa se infiltrar entre os lábios e sacudiu a cabeça com irritação.

O vestido verde que a ama lhe havia feito havia virado uma bagunça, e lama se embaraçava até em seu cabelo cuidadosamente trançado.

Uma irritação tomou conta dela.

Se levantou e murmurou uma pequena praga.

Que importa um passarinho?

Só fiz uma coisa estúpida à toa...

Enquanto resmungava e tentava sair do buraco, ela ouviu o choro fraco novamente.

Era tão débil que não se notaria sem prestar atenção, mas para Thalia soava como se o pássaro estivesse gritando.

No fim, deu mais alguns passos pela poça negra.

Então viu uma asa marrom maltratada submersa na água lamacenta e uma pequena cabeça pendurada sem forças.

...Já havia morrido?

Quando pegou o passarinho com mãos cuidadosas, sentiu seu corpinho minúsculo e encharcado pulsando fracamente.

Ainda estava vivo.

Ela envolveu o corpinho morno nas duas mãos e soprou ar quente sobre ele.

O pássaro, que havia estado pendurado sem forças, abriu e fechou seu pequeno bico marrom e bateu as asas ossudas de forma lamentável.

Parecia estar lutando desesperadamente para viver.

Enquanto o observava, algo apertou dolorosamente em seu peito.

Thalia não sabia o que era aquela emoção.

Não sabia por que o passarinho, que havia perdido o lugar onde vivia e sido abandonado pela mãe enquanto se debatia na lama, descansando em suas mãos, fazia seu coração doer.

Envolveu o pássaro cuidadosamente nas mãos e o pressionou contra a parte mais quente abaixo do pescoço.

Então olhou para cima, desamparada, para a encosta íngreme feita de lama escorregadia.

Por causa das gotas de chuva que ficavam ficando mais fortes, o monte de terra havia se tornado ainda mais mole.

Ela tentou dar alguns passos como teste, mas parecia impossível subir.

Para sair dali, teria que rastejar de quatro como um animal.

Thalia pressionou os lábios com firmeza.

Ela não podia abandonar o passarinho que havia dado ao trabalho de salvar, nem podia jogar fora sua dignidade de princesa e rastejar pela lama como um animal.

Por isso Thalia ficou parada por um longo tempo, sendo golpeada pela chuva fria que caía.

Foi então.

Que um menino apareceu através da chuva pálida que caía como névoa.

Era muito alto, usando uma túnica preta como as que os monges usavam, com um capuz puxado baixo sobre a cabeça.

Mas Thalia podia claramente ver seus olhos azul-pálidos brilhando além da cortina branca da chuva torrencial.

Eram olhos terrivelmente belos.

— O que você está fazendo aí?

O menino de olhos azuis se inclinou em direção a ela e perguntou.

Era uma voz fria que não combinava com seu rosto delicado, que ainda guardava traços de juventude.

Thalia sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Na época, pensou que era apenas por causa do frio.

Mas pensando bem, no momento em que ouviu aquela voz, ela parecia ter pressentido vagamente.

Que o menino de rosto indiferente que a olhava de cima empurraria sua vida para um sofrimento infernal...

Se tivesse compreendido claramente a natureza daquele sentimento distante naquele dia, Thalia teria jogado o passarinho que ofegava lamentavelmente em suas mãos de volta na água lamacenta e escalado a lama nos quatro como um porco que não conhecia nem sujeira nem vergonha.

Então teria corrido para bem longe do menino de olhos azuis.

Teria apagado até o fato de tê-lo visto da mente para sempre.

Mas a Thalia de oito anos não havia nem sonhado que o menino que aparecerá na chuva se tornaria seu desespero.

Por isso o olhou e respondeu no seu tom espinhoso de sempre.

— Não dá para ver? Caí nesse buraco e não consigo sair.

Os olhos do menino se estreitaram.

Ele parecia querer perguntar por que ela havia entrado num lugar assim em primeiro lugar.

Mas em vez de fazer uma pergunta, ele desceu para dentro do buraco onde ela estava, sem se importar que suas calças bem-feitas e suas botas de couro de aparência cara ficassem sujas de lama.

Thalia o olhou surpresa.

Não esperava que o menino de rosto frio, que parecia que nem uma gota de sangue sairia se fosse espetado, fizesse tal coisa.

Ele caminhou sobre a água lamacenta que havia se tornado um pântano.

Visto de perto, o menino parecia ainda mais alto e esguio do que havia parecido de baixo.

Parecia pelo menos uma cabeça mais alta do que ela.

O menino, que havia se aproximado com pernas longas e ágeis, estendeu uma das mãos e disse:

— Segure.