Tradução: Emma
Capítulo 07
A mão dele era muito branca.
Parecia quase tão branca quanto a dela.
E tinha uma forma muito elegante e bela.
Thalia, que havia inconscientemente estado prestes a estender a mão em direção a ele, sentiu o pássaro agachado em suas mãos agitar as asas e sacudiu a cabeça apressadamente.
— Não. Estou segurando algo agora.
Por baixo do capuz que havia afundado depois de absorver água de chuva, ela podia ver os olhos do menino se estreitando.
Ele baixou o olhar para as mãos dela, que ela havia juntado sobre o peito.
— É importante?
Depois de hesitar por um momento, Thalia sacudiu a cabeça.
— Não é importante.
— Então jogue fora.
Nas palavras que ela cuspiu com irritação, uma ruga se formou entre as sobrancelhas lisas do menino.
Ele parecia estar ficando irritado.
Por um momento, pensou que ele poderia simplesmente deixá-la ali e ir embora.
Mas o menino mais uma vez fez algo que não combinava nada com suas feições de aparência fria.
Ele se abaixou na frente dela e ergueu seu corpo, sujo de água de chuva e lama, completamente do chão.
Com a ação inesperada, Thalia soltou um pequeno grito.
Então o menino firmou suas costas, que se debatiam, e disse bruscamente:
— Fique quieta.
Thalia obedeceu imediatamente à sua instrução.
Enquanto afrouxava o aperto e verificava cuidadosamente o pássaro em seus braços para que não se machucasse, ele movia as pernas firmemente e subia a encosta amolecida.
Seu andar era ágil, como o de um gato.
Mas mesmo escapando do atoleiro de forma tão ágil e rápida, parecia que ele não conseguia evitar que suas roupas ficassem sujas.
Olhou para suas calças destruídas, para as botas e para a bainha da túnica, e franziu as sobrancelhas.
— Isso é o pior.
— ...Aconteceu porque você estava me ajudando, então vou te compensar. Posso te comprar algo muito mais caro do que as roupas que você está usando agora. Na verdade, sou filha de uma pessoa extremamente importante. Também direi ao meu atendente para te dar uma recompensa generosa separadamente.
Havia dito por culpa, mas por alguma razão, ele pareceu ofendido.
O menino deu mais alguns passos para evitar os montes de terra ao redor do buraco, então disse bruscamente:
— É bastante arrogante para alguém tão pequena.
O rosto de Thalia ficou vermelho.
Normalmente, teria dado um tapa no rosto do menino que falara de forma tão insolente.
Ninguém tinha permissão de falar assim com a filha do Imperador.
Mas por alguma razão, não conseguiu dizer uma única palavra.
Mesmo que água de chuva fria golpeasse sua testa e suas bochechas sem pausa, seu rosto queimava como se estivesse em chamas.
O menino parou embaixo de uma árvore grande que a Senevia ainda não havia conseguido arrancar.
Naquele momento, o pássaro soltou um choro fraco.
O menino, que havia se abaixado como se fosse colocá-la no chão, parou e baixou o olhar para as mãos dela juntas sobre o peito.
— O que você está segurando?
Parecia que apenas então havia ficado curioso.
Depois de hesitar por um momento, ela cuidadosamente abriu as mãos.
— Um pássaro?
Ele murmurou como se duvidasse.
Era compreensível.
O passarinho pequeno, com as asas feias caindo sob torrões de lama e a carne rosada do peito exposta, parecia mais próximo de um rato de esgoto do que de um pássaro.
As bochechas de Thalia ficaram vermelhas.
O que estava horrivelmente maltratado era o pássaro, mas por alguma razão, sentia como se ela mesma tivesse se tornado miserável.
— Ele caiu na água lamacenta. Na verdade...
Poderia ter sido mais bonito.
Ela se deteve antes de dizer isso.
O pássaro marrom e ossudo não parecia que seria particularmente bonito mesmo originalmente.
Provavelmente era apenas um estorninho extremamente comum, do tipo que podia ser visto em qualquer lugar.
Mas o menino parecia inclinado a mostrar gentileza àquele pássaro lamentavelmente maltratado e feio.
Segurando-a com um braço, ele puxou a mão sobre a qual o pássaro repousava para dentro do capuz.
Thalia abriu bem os olhos.
A pele que tocou seus dedos era quente, como a luz de uma lareira.
Em busca de calor, o pássaro se pressionou bem abaixo da clavícula do menino.
— Seus dedos estão como gelo. Por quanto tempo você ficou parada lá?
O menino, que havia estado olhando em silêncio para o pássaro sob seu queixo, virou a cabeça em sua direção.
Graças a isso, Thalia pôde olhar diretamente para os olhos azuis debaixo de suas pestanas escuras e encharcadas de chuva, bem diante do nariz dela.
Vistos de perto, seus olhos eram extremamente incomuns.
Eram como pequenos pedaços de prata espalhados por um céu claro de inverno.
Thalia os encarou e murmurou inconscientemente:
— Sabe... tem uma coroa de prata nos seus olhos.
Os olhos do menino se arregalaram levemente.
Seus lábios se entre abriram levemente como se fosse dizer algo, depois se fecharam de novo.
Thalia percebeu que esse menino sem nome também estava olhando dentro dos olhos dela.
O que ele encontrou dentro dos meus olhos?
Enquanto Thalia pensava nisso, uma voz familiar veio de longe.
— Senhorita!
Era a ama.
Como a palavra "Vossa Alteza" ainda não havia se tornado familiar em sua língua, ela costumava chamar Thalia assim e era repreendida pela mãe ou pelas outras criadas.
Mas parecia que o hábito ainda não havia sido corrigido.
De longe, sua voz desesperada ecoou pelo ar.
— Tenho que ir agora.
Thalia murmurou baixinho.
Ela não sabia por quê, mas odiava muito dizer aquelas palavras.
Talvez esse menino também odiasse ouvi-las.
Ele ficou parado sem se mover por um longo tempo, então lentamente a colocou no chão como se estivesse relutante.
Quando seus braços a deixaram, Thalia pôde sentir um frio se infiltrar até os ossos.
Só então percebeu como o abraço do menino havia sido quente.
Depois de hesitar, ela estendeu o passarinho em direção a ele.
— Você vai levá-lo com você?
Porque minhas mãos estão frias demais, e as suas estão quentes.
Havia estado prestes a dizer isso, mas ele se abaixou e cuidadosamente aceitou o pássaro.
Então o pressionou contra sua bochecha branca como gesso e puxou o capuz para a frente como se fosse protegê-lo da chuva.
Thalia o olhou fixamente e perguntou:
— Esse pássaro... Vai sobreviver?
— ...Sim.
Os olhos azuis com uma coroa de prata pousaram em seu rosto por um longo tempo.
— Vai sobreviver.
O rosto do menino estava inexpressivo, mas por alguma razão, Thalia achou que ele havia sorrido.
Logo, se virou e começou a correr pelo jardim chuvoso.
Por quanto tempo ela havia corrido entre as roseiras e arbustos arrancados e os montes de terra empilhados como pequenas sepulturas?
Quando virou a cabeça como se atraída por algo, o viu parado imóvel embaixo da árvore grande.
Por que ele não está indo embora?
Talvez estivesse esperando a chuva diminuir um pouco mais.
Talvez estivesse a observando partir.
De repente, Thalia foi tomada pelo impulso de voltar até onde ele estava.
Queria se abrigar da chuva com ele.
Ela também queria sentar-se lado a lado com ele diante de uma lareira quente e observar o pássaro recuperar a saúde.
Mas enquanto ela hesitava, a ama de repente apareceu de dentro do prédio.
Talvez porque havia procurado Thalia por bastante tempo, seu rosto redondo estava vermelho de raiva.
— Por onde esteve! Sabe o quanto a Senhora Senevia tem te procurado?
A ama agarrou firmemente sua mão com a dela rechonchuda e a arrastou para dentro do prédio do anexo.
— E que estado é esse! Tem que ir conhecer sua majestade em breve, como pôde sujar as roupas assim?
— ...Caí enquanto passeava.
— Nossa, o que quer dizer, um passeio em um tempo como esse!
A ama gritou incrédula e começou a caminhar em largas passadas pelo corredor conectado ao palácio isolado.
Thalia foi arrastada pela mão e olhou para trás.
Mas ele não estava mais visível.
