Tradução: Emma
Capítulo 58
Thalia endireitou as costas como se tivesse sido atingida por um relâmpago.
A mulher virou-se graciosamente e continuou falando.
— Sua majestade, a imperatriz, ordenou que sua alteza fosse adornada perfeitamente, para que não lhe faltasse nada ao encontrar o governante supremo do império. Por favor, coopere.
Então ela fez um leve gesto para as criadas. As quatro criadas na primeira fileira se aproximaram da cama carregando roupas.
Thalia recuou bruscamente.
— Todas vocês, saiam. Não tenho intenção de encontrar esse tipo de pessoa.
— Por favor, abstenha-se de palavras irreverentes.
A voz gentil da mulher tornou-se subitamente afiada como gelo.
— Não importa o quanto seja sua alteza, a princesa, falar descuidadamente sobre sua majestade, o imperador, não pode ser tolerado. Irei relevar desta vez, então, por favor, tome cuidado daqui em diante.
Depois de encolher os ombros por um instante, Thalia estreitou o olhar.
— E o que vai fazer se não relevar? Vai correr para contar ao grande imperador?
— Isso não seria impossível.
A mulher respondeu friamente.
Thalia soltou uma risada seca.
— Sério? Então corra para o palácio principal agora mesmo e conte àquela pessoa. Diga a ele que a segunda princesa mal-educada estava gritando que não quer ver o rosto tão grandioso dele!
Naquele momento, uma dor ardente explodiu nas costas de sua mão.
Thalia ergueu os olhos para a mulher com uma expressão incrédula.
A mulher, que a havia golpeado com a vara fina que segurava, lançou-lhe um olhar gelado.
— A autoridade que sua alteza desfruta como princesa se origina de sua majestade, o imperador. Não posso ignorar comentários tão absurdos.
— Como ousa… como ousa…
Thalia tremia violentamente, incapaz de continuar falando.
A mulher a observou com olhos indiferentes e então caminhou até a porta.
— Sua majestade, a imperatriz, nos instruiu repetidamente a levar sua alteza em segurança diante de sua majestade, o imperador, utilizando qualquer meio necessário. Deseja que usemos métodos de força?
A mulher, que murmurou aquilo como uma ameaça, escancarou a porta do quarto com uma mão.
Thalia parou de respirar ao ver soldados pertencentes ao palácio da imperatriz alinhados no corredor.
Como se apreciasse silenciosamente seu rosto, agora pálido de medo, a mulher continuou suavemente.
— Não há necessidade de tornarmos as coisas desagradáveis uma para a outra. Se sua alteza cooperar, tudo terminará rapidamente.
Isso significava que, se ela não cooperasse, a forçariam mesmo que precisassem usar força armada.
Thalia cerrou os punhos com tanta força que as articulações ficaram brancas. Seus olhos queimavam de humilhação.
Naquele momento, se Senevia estivesse diante dela, sentia que poderia cravar uma adaga em seu peito.
Ela precisava esmagar até mesmo a última dignidade de Thalia de forma tão cruel assim?
Sentia que jamais, nunca, conseguiria perdoar aquela pessoa.
— Agora, apressem-se e lavem sua alteza adequadamente.
Ao comando da chefe das criadas, duas criadas se inclinaram sobre a cama.
Thalia afastou rudemente as suas mãos.
— Não toquem no meu corpo!
Assustadas com o grito estridente, as criadas recuaram rapidamente, como se evitassem faíscas. Pareciam preocupadas de que ela pudesse retaliar contra elas depois.
Percebendo a hesitação delas, Thalia adotou uma postura ainda mais arrogante.
— Vou deixar o banho para a minha ama. Então todas vocês, saiam do meu quarto.
A mulher a observou com olhos pensativos e logo soltou um suspiro resignado.
— Muito bem. No entanto, devo cuidar pessoalmente dos adornos de sua alteza. Não posso ceder quanto a isso.
A chefe das criadas logo conduziu as criadas para fora.
Pouco tempo depois, a ama entrou correndo no quarto.
Ela era alguém que sempre machucara Thalia com palavras impensadas. E ainda assim, no momento em que Thalia viu seu rosto, sentiu tanto alívio que quase chorou.
Thalia enterrou o rosto no ombro da ama enquanto ela se aproximava para ajudá-la a se apoiar.
Sem saber o quão apodrecida Thalia se sentia por dentro, a ama apenas parecia encantada.
— Ouviu o que a chefe das criadas disse, não ouviu, senhorita? Sua majestade pediu por você! Certamente deve estar preocupado depois de ouvir que se feriu.
Thalia deixou a tagarelice da ama entrar por um ouvido e sair pelo outro enquanto lutava para apoiar os pés no chão e ficar de pé. Uma dor latejante subiu através de seus ossos.
A raiva cresceu dentro dela.
O que queriam dizer com fazê-la andar sem problema algum? Suas pernas arruinadas nem sequer conseguiam sustentar adequadamente o próprio peso.
Cerrando os dentes, Thalia arrastou as pernas doloridas e ficou atrás do biombo.
Enquanto cambaleava e entrava na banheira de mármore, a ama despejou água morna sobre seu corpo.
Afundada na água morna, Thalia abaixou os olhos para as próprias pernas. As cicatrizes avermelhadas pareciam exatamente minhocas inchadas.
Quando tocou nelas com as pontas dos dedos, a ama lhe deu um tapa nas costas.
Por um instante, uma sensação de tristeza a inundou, mas Thalia silenciosamente afastou a mão. Tinha medo de que a ama ficasse irritada e simplesmente saísse do quarto.
— Agora vou enxaguar seu cabelo, então incline a cabeça para trás.
Quando Thalia apoiou a cabeça na banheira como instruído, a ama inclinou uma grande jarra e despejou água morna sobre ela.
Por fim, quando o sabonete foi completamente retirado de seu corpo, Thalia saiu cambaleando da banheira.
A ama trouxe uma grande toalha, enxugou a água de seu corpo e então a vestiu com roupas íntimas limpas e uma anágua.
— Agora, a chefe das criadas fará o resto.
Depois de terminar todo o trabalho, a ama deixou o quarto com uma expressão aliviada, e a chefe das criadas voltou com as criadas.
Thalia suportou em silêncio o olhar que a analisava de cima a baixo como se estivesse atribuindo uma nota.
A mulher circulou ao redor dela e então finalmente bateu palmas para as criadas.
— Trancem o seu cabelo e vistam-na com as roupas que preparamos. Eu mesma escolherei as jóias.
Logo depois, dezenas de dedos começaram a se mover apressadamente ao redor dela.
Thalia suportou silenciosamente enquanto a enfeitavam como uma boneca, sentindo como se estivesse sendo torturada.
Três ou quatro criadas vestiam e despiam seu corpo repetidamente e, nesse meio-tempo, as outras começaram a trançar e enrolar seu cabelo, que chegava até a cintura, em várias seções.
A chefe das criadas, que observou todo o processo com uma expressão severa, assentiu depois de um longo tempo.
— Isso servirá.
As criadas que ajeitavam suas roupas imediatamente recuaram.
Thalia ergueu os olhos cansados para a chefe das criadas. A mulher colocou uma capa de seda cor de pérola sobre seus ombros e virou-se em direção à saída.
— Está na hora de ir.
Depois de hesitar, Thalia deixou o quarto. Queria andar da forma mais natural possível, mas suas pernas, cujos nervos haviam ficado dormentes, não se moviam conforme sua vontade.
A cada passo desalinhado, sentia os olhos dos soldados recaindo sobre ela. Queria esmagar cada um daqueles globos oculares.
Suprimindo a humilhação, saiu do palácio anexo e viu uma carruagem esperando diante do jardim. Ao lado dela estava um homem desconhecido vestido com uma armadura.
O cavaleiro anterior havia se demitido?
O rosto do homem que a incomodara durante toda a viagem passou por sua mente.
Mas logo pensou que não importava de qualquer forma. Afinal, ele era um cavaleiro de guarda substituído a cada estação. Já estava na hora de ser trocado.
Com um rosto apático, Thalia entrou na carruagem. A chefe das criadas, que embarcou logo depois dela, separou os lábios firmemente fechados e falou em uma voz severa.
— Hoje, sua majestade, o imperador, falará sobre um assunto importante. Por favor, abstenha-se de palavras e ações que violem a etiqueta.
— Que assunto importante?
— Isso eu também não sei.
— Então como sabe se é um assunto importante ou alguma inutilidade sem sentido?
A mulher pressionou os lábios firmemente. Parecia que sua paciência estava lentamente se esgotando.
Thalia desviou o olhar da mulher esfregando a têmpora e olhou pela janela.
Em algum momento, a carruagem havia deixado o jardim isolado e atravessava os vastos terrenos imperiais em um ritmo vigoroso.
Observando ansiosamente a paisagem passando rapidamente, Thalia esfregou os joelhos, que já haviam começado a latejar.
Mesmo com uma almofada grossa colocada ali, as leves vibrações da carruagem pareciam perfurar suas articulações. Limpando as gotas de suor que surgiam sobre sua pele, suportava desesperadamente a dor.
Quanto tempo havia passado assim? A carruagem barulhenta finalmente parou.
Thalia saiu cambaleando e franziu a testa diante da ampla praça onde a luz do sol caía branca.
Na frente do palácio principal haviam muitas pessoas, especialmente, reunidas hoje. Enquanto as observava com olhos sombrios, a criada-chefe se aproximou de seu lado e a incentivou.
— Sua majestade está esperando. Vamos.
Thalia mordeu o lábio e moveu os pés.
A visão das pessoas que a reconheciam recuando e cochichando invadiu seu campo de visão. Tentando ignorar aquilo, estava prestes a passar pelas pessoas bloqueando a entrada quando alguém a deteve.
— A Senhorita não pode passar por aqui agora. Sinto muito, mas pela porta lateral…
O soldado que havia bloqueado seu caminho às pressas finalmente reconheceu seu rosto e puxou o ar de forma brusca.
Thalia o encarou com um olhar frio.
— Como ousa bloquear meu caminho?
— E-eu peço desculpas, sua alteza, a princesa.
O soldado rapidamente saiu do caminho.
Thalia passou por aqueles que abaixavam a cabeça desajeitadamente diante dela e entrou no edifício.
Seu corpo inteiro estava encharcado de suor por tentar esconder sua caminhada antinatural. Apesar daquele esforço, parecia não estar funcionando como desejava.
Lançou um olhar de lado, verificando as reações ao redor. Naquele momento, uma enorme gaiola de pássaro colocada em um lado do salão entrou em seu campo de visão. Ao ver o que havia dentro dela, Thalia arregalou os olhos.
— …O que é aquilo?
