O Campo Esquecido [Novel]

Todos os dias, eu rezo… para que este amor morra. Que eu te ame apenas até hoje, e que amanhã, este amor tenha desaparecido. Thalia Roem Ghirta é uma princesa imperial trágica, fruto de um caso extraconjugal e criada em um palácio que nunca a aceitou de verdade. Cercada por pais indiferentes, meio-irmãos hostis e servos que a desprezavam, Thalia cresceu marcada pela negligência. Para se proteger, aprendeu a mostrar seus espinhos a qualquer um que se aproximasse. E, no entanto, diante de uma pessoa, até mesmo ela se torna completamente indefesa. Varkas Raedgo Siarkan, um nobre senhor do Oriente, é vassalo da família imperial e herdeiro de uma casa grão-ducal. Criado sob a implacável pressão da perfeição, suas emoções foram embotadas por um treinamento que beirava o abuso. Ele vivia apenas para a honra e o dever de sua família. Para cumprir uma promessa feita à antiga imperatriz, Varkas fica noivo da meia-irmã de Thalia, Ayla. Consumida pelo desespero, Thalia começa a desmoronar lentamente. Mas o seu amor, outrora fadado apenas à morte, logo encontra uma reviravolta inesperada…

Capítulo 48

Capítulo 48

Tradução: Emma

Capítulo 48


Ela sentiu as gotas de suor acumuladas em sua testa escorrerem e molharem o canto de seus olhos.

Poderia ser um remédio capaz de causar uma dor terrível.

Talvez fosse até mesmo um veneno mortal.

Mesmo sem conseguir afastar tais suspeitas, Thalia entreabriu os lábios.

Ele inclinou o frasco e despejou o líquido amargo em sua boca.

Quando ela tossiu fracamente e virou o rosto de lado por reflexo, ele segurou seu queixo e pressionou o frasco novamente contra seus lábios.

Thalia ergueu os olhos para ele enquanto engolia impotentemente o líquido que escorria para dentro de sua boca.

Podia ver a luz do fogo tremulando sobre os olhos pálidos dele, como se estivessem cobertos por um véu.

Thalia tentou encontrar algum resquício de emoção naqueles olhos sem vida, mas logo deixou os braços e pernas perderem as forças.

Ela forçou os olhos e lutou desesperadamente para que de alguma forma não perdesse a consciência, mas sua mente gradualmente se tornou nebulosa, e sua visão se desfocava rapidamente.

Thalia piscou lentamente, então logo afundou em um silêncio semelhante à morte.

Não conseguia dizer quanto tempo havia se passado.

Parecia que apenas alguns segundos tinham se passado, mas ao mesmo tempo parecia que uma vida inteira havia passado.

Thalia, que encarava o vazio sem expressão, franziu a testa ao ouvir o som ritmado de cascos de cavalos e o chacoalhar das rodas.

À medida que sua visão, antes embaçada como se estivesse coberta por névoa, foi se tornando mais clara, o interior escuro da carruagem entrou em foco.

Por um momento, se perguntou se tudo aquilo havia sido um sonho.

O monstro aterrorizante surgindo, Varkas a abandonando para correr e salvar Ayla, e ela quase morrendo após ser capturada pelo wyvern... talvez tudo não tivesse passado de um pesadelo da noite anterior.

Como se negasse aquele pensamento, uma dor intensa se espalhou de seu joelho até a cintura.

Thalia mordeu o lábio inferior e agarrou o joelho, que ardia como se estivesse em chamas.

Sob a fina camisola, sentiu a textura de um tecido áspero.

Quando apalpou aquilo com as pontas dos dedos, percebeu que toda a sua perna esquerda estava envolta em grossas ataduras e arregalou os olhos.

Ao erguer a barra da saia, viu pedaços de pano manchados de sangue e pus grudados desordenadamente em sua coxa e lateral do corpo.

Thalia tocou aquilo com as mãos trêmulas, então abaixou a saia novamente e ergueu a parte superior do corpo.

Dentro da espaçosa carruagem, havia um grosso acolchoado recheado de algodão espalhado pelo chão, além de almofadas e uma manta de verão jogadas de maneira desordenada.

Depois de observá-los sem expressão, segurou a alça instalada na parede e tentou se levantar com dificuldade.

Mas sua perna não obedecia, então não era fácil ficar de pé.

Thalia tentou esticar a perna, rígida como chumbo, mas incapaz de suportar a dor intensa que subia por sua espinha, caiu pesadamente.

Um grito escapou involuntariamente de sua boca diante da dor que atravessava todo o seu corpo.

— Sua alteza, está bem?

Como se tivesse ouvido o barulho, a carruagem parou abruptamente, e a porta se abriu de repente.

Thalia ergueu os olhos semicerrados para o homem parado contra a luz.

O cavaleiro de guarda, cujo cabelo normalmente já era um pouco bagunçado, agora parecia ainda mais desordenado, e a observava com olhos preocupados.

Ele entrou na carruagem e começou a vasculhar uma pequena caixa que estava no canto.

— A dor deve estar muito forte, não é? O curandeiro preparou analgésicos aqui. Se beber isto.......

— Por que não usaram magia de cura no meu corpo?

Ao ouvir a pergunta lançada como um interrogatório, o homem se assustou e virou o rosto.

Thalia puxou o lençol para perto de si e lançou-lhe um olhar desconfiado.

— Meu irmão mais velho ordenou que não me tratassem?

— N-não, não foi isso.

O homem acenou as mãos apressadamente.

— O curandeiro recolocou os ossos no lugar às pressas e tratou parte dos ferimentos, mas...... os ferimentos de sua alteza eram graves demais para serem curados de uma só vez. Disseram que seria melhor deixá-los aos cuidados de um especialista no palácio imperial, então...

Thalia encarou o homem atrapalhado com olhos desconfiados, então baixou o olhar para sua perna.

Se lembrava vagamente de uma enorme pedra esmagando seu joelho e sua coxa.

Certamente, se tivessem simplesmente curado o ferimento daquele jeito, teria perdido o uso da perna para sempre.

Mesmo reconhecendo aquilo relutantemente, Thalia não deixou de reclamar.

— Então está dizendo que devo continuar assim até chegarmos ao palácio imperial?

— Deve estar doendo muito, mas por favor aguente só mais um pouco. Estamos planejando seguir para Gillian pela rota mais curta possível.

Thalia o observou com os olhos semicerrados, então desviou o olhar para fora da janela.

Pela vasta planície banhada por uma luz fraca do sol, podia ver cavaleiros alinhados em uma longa fila.

Entre eles, Thalia procurou inconscientemente por cabelos loiro-acinzentados, mas estremeceu ao perceber isso e fechou firmemente a cortina.

Mesmo se mover por um instante lhe trazia um cansaço profundo.

— Que impressionante o fato de meu irmão mais velho ter aceitado a sugestão de retornar ao palácio imperial.

— Um número considerável de mortes ocorreu por causa do ataque do wyvern. Ele dificilmente poderia se opor abertamente ao argumento de que deveríamos retornar o mais rápido possível, nem que fosse apenas para realizar os funerais.

Quando ela olhou para trás surpresa com a resposta inesperadamente sarcástica, o cavaleiro, percebendo tarde demais o tom de ironia em sua própria voz, rapidamente mudou de assunto.

— Mais importante, sua alteza não parece bem. Primeiro, tome o remédio, por favor.

O homem estendeu a tampa do frasco diante dela.

Thalia encarou aquilo por um instante, então fez um gesto irritado com a mão.

— Não preciso disso, então leve embora e saia. Preciso descansar agora.

— ...Se sua alteza não consegue confiar em mim, chamarei Sir Siarkan.

Thalia, que havia se deitado novamente, o olhou com o rosto endurecido.

Por um instante, seu coração afundou como se tivesse sido atacado de repente.

Como se tentasse esconder isso, Thalia colocou um sorriso frio nos lábios e respondeu gelidamente:

— Eu pareço alguém que confia naquele homem?

— Mas, sua alteza, a senhorita...

— Não confio em ninguém.

Thalia interrompeu suas palavras ferozmente.

Então, encarando aquele rosto irritantemente honesto, acrescentou como se articulasse com esforço e repulsa cada palavra:

— Especialmente não aquele homem.

— ...

— Então pare de dizer coisas presunçosas e suma daqui.

O homem, que parecia prestes a dizer mais alguma coisa enquanto seus lábios se moviam, soltou um pequeno suspiro e saiu.

Um momento depois, a carruagem que havia parado voltou a se mover.

Thalia puxou a fina manta de verão até os ombros.

A dor que havia diminuído por um instante voltou a se tornar brutal, e uma sensação de como se a sua pele estivesse queimando tomou conta dela.

Revirando-se enquanto engolia os gemidos, Thalia fechou os olhos com força, como se tentasse fugir da dor.

Ao pôr do sol, o mago corpulento veio lhe lançar magia de recuperação.

Thalia aceitou silenciosamente o seu toque.

As mãos de outra pessoa tocando seu corpo eram aterrorizantes, mas já não tinha forças para recusar.

— Vou acender um incenso que entorpece os sentidos. A dor deve diminuir bastante.

Talvez tivesse ouvido de que ela recusara o remédio, pois o mago colocou um pequeno queimador de incenso na entrada e o acendeu.

Um ar pesado e sufocante tomou a carruagem instantaneamente.

Thalia estava prestes a repreendê-lo por fazer algo inútil, mas quando sentiu seus nervos tensos relaxarem gradualmente, afrouxou os ombros.

A dor que atravessava seus ossos lentamente diminuiu, e sua consciência começou a ficar turva.

Parecia que ele havia queimado ervas com efeito sonífero.

Ela acolheu a sonolência que caiu sobre si.

Mas seu sono não durou muito.

Não demorou muito até que a dor voltasse a se intensificar.

Thalia despertou com um gemido e ergueu as pálpebras com dificuldade.

Parecia que precisaria chamar o mago e ordenar que queimasse mais incenso.

Esfregando a cabeça latejante, lutou para erguer a parte superior do corpo quando, de repente, sua respiração ficou presa na garganta.

Thalia olhou ao redor da escuridão espessa com os olhos dilatados.

Ela não conseguia dizer o que exatamente a havia assustado.