O Campo Esquecido [Novel]

Todos os dias, eu rezo… para que este amor morra. Que eu te ame apenas até hoje, e que amanhã, este amor tenha desaparecido. Thalia Roem Ghirta é uma princesa imperial trágica, fruto de um caso extraconjugal e criada em um palácio que nunca a aceitou de verdade. Cercada por pais indiferentes, meio-irmãos hostis e servos que a desprezavam, Thalia cresceu marcada pela negligência. Para se proteger, aprendeu a mostrar seus espinhos a qualquer um que se aproximasse. E, no entanto, diante de uma pessoa, até mesmo ela se torna completamente indefesa. Varkas Raedgo Siarkan, um nobre senhor do Oriente, é vassalo da família imperial e herdeiro de uma casa grão-ducal. Criado sob a implacável pressão da perfeição, suas emoções foram embotadas por um treinamento que beirava o abuso. Ele vivia apenas para a honra e o dever de sua família. Para cumprir uma promessa feita à antiga imperatriz, Varkas fica noivo da meia-irmã de Thalia, Ayla. Consumida pelo desespero, Thalia começa a desmoronar lentamente. Mas o seu amor, outrora fadado apenas à morte, logo encontra uma reviravolta inesperada…

Capítulo 47

Capítulo 47

Tradução: Emma

Capítulo 47


Edric gritou alto em direção a eles.

— Sua alteza foi ferida! Ela precisa de magia de cura imediatamente!

Ao ouvir aquilo, Sir Hart instruiu o cavaleiro que vinha logo atrás dele a trazer um mago.

Pouco tempo depois, um jovem mago pertencente à família imperial veio correndo.

Enquanto examinava a condição da princesa, Edric e os cavaleiros começaram a remover as pedras.

Quando levantaram a rocha que pressionava o joelho dela, o joelho e a panturrilha completamente esmagados foram revelados sob a barra rasgada de sua saia.

Ao ver vários fragmentos de osso atravessando a pele, Edric engoliu um gemido.

Naquele estado, mesmo que usassem magia de cura, talvez ela nunca mais conseguisse usar a perna novamente.

— Se curarmos o ferimento assim, o formato da perna ficará completamente deformado. Primeiro precisamos levá-la ao acampamento e recolocar os ossos no lugar.

O mago, que examinava o estado da princesa com uma expressão grave, falou com uma voz pesada e abatida.

Edric o olhou com uma expressão sombria.

— Ela conseguirá aguentar até lá?

— Lancei magia de recuperação nela, então deve ficar bem por enquanto.

O mago respondeu como se suspirasse, então esfregou a nuca e acrescentou:

— Ainda assim, seria melhor imobilizar a perna para que o ferimento não se abra mais. Temos alguma ferramenta adequada?

— Isso serve?

Sir Hart retirou a bainha da espada da cintura e a estendeu.

O mago pegou a bainha, balançou-a levemente como se avaliasse o peso, então assentiu devagar.

— Então imobilizarei a perna dela. Por favor, segurem a parte de baixo.

Edric imediatamente seguiu a instrução do mago e sustentou cuidadosamente a panturrilha inchada.

Naquele instante, um grito doloroso escapou da boca inerte da mulher.

Assustado, Edric perdeu o apoio.

A perna, da qual o osso se projetava, caiu no chão e espirrou sangue vermelho-escuro.

Enquanto permanecia imóvel diante daquela visão horrível, Varkas, que observava a situação de certa distância, envolveu a parte superior do corpo da princesa com os dois braços e a segurou firmemente.

— Rápido, estanquem o sangramento!

Voltando a si, Edric agarrou a perna dela às pressas.

Enquanto isso, o mago rasgou a própria capa e pressionou o longo ferimento que ia da coxa até o joelho.

Com o rosto enterrado contra o peito de Sir Siarkan, a princesa soltava gemidos animalescos e arranhava violentamente a nuca dele com as unhas vermelho-escuras.

— Já chega! Agora prendam a tala!

Seguindo o grito urgente do mago, os cavaleiros se abaixaram e fixaram a perna dela contra a longa bainha.

Finalmente, quando o tratamento emergencial terminou, Sir Siarkan a ergueu nos braços.

Edric rapidamente se aproximou em sua direção.

— Irei carregá-la. Comandante, o seu ferimento.......

Assim que sua mão estava prestes a tocá-la, os braços do homem puxaram o corpo da mulher para mais perto de si.

Diante daquele movimento defensivo, Edric hesitou.

Varkas franziu a testa como se estivesse irritado e fez um gesto com o queixo.

— Chega. Abra o caminho. Não temos tempo a perder.

— D-desculpe.

Murmurando um pedido de desculpas sem perceber, Edric pegou a tocha e iluminou apressadamente o caminho.

Não conseguiriam subir a encosta íngreme carregando a princesa naquele estado, então, para retornar ao acampamento, precisariam contornar a parede rochosa.

Ele caminhou pela trilha escura da floresta e lançou um olhar para trás, na direção de Varkas.

A luz carregada pelos cavaleiros iluminava fracamente um lado do rosto do homem.

Edric observou aquele rosto, que parecia não apenas frio, mas também cansado, então voltou a olhar para frente.

Agora não era hora de se perguntar no que aquele homem estava pensando.

Afastando os pensamentos dispersos que surgiam em sua mente, Edric acelerou os passos e deixou a floresta densamente arborizada.

***

Sua perna parecia estar queimando.

Gemendo de dor, como se sua pele estivesse fervendo, Thalia mal conseguiu erguer as pálpebras pesadas, que pareciam estar coladas.

Dentro de sua visão vacilante, surgiu um teto manchado pela luz do fogo.

Sua expressão confusa durou apenas um instante antes que uma dor, como se seus ossos estivessem sendo perfurados, a fizesse contorcer o corpo e soltar um grito agudo.

— Segurem-na para que não se mova!

Atraída pela voz desconhecida, baixou o olhar e viu um homem rechonchudo e robusto, de meia-idade, inclinado profundamente sobre sua perna.

Com uma mão pressionando sua coxa, ele remexia seu joelho ensanguentado com algo parecido com uma pequena pinça.

Thalia observou a cena com os olhos tomados pelo medo, então torceu o corpo para fugir daquele homem.

Nessa mesma hora, alguém que estava ao seu lado da cabeceira pressionou o ombro dela com força.

— Sua alteza! Por favor, acalme-se!

Thalia arfou pesadamente e ergueu os olhos para a sombra negra que pairava sobre ela.

O rosto abatido, marcado por profundo cansaço, parecia estranhamente familiar.

Somente alguns segundos depois, percebeu que era uma das criadas que Senevia havia designado para servi-la.

Mas não sentiu o menor alívio.

Thalia, com as pupilas dilatadas, alternou o olhar entre o rosto endurecido da criada e o homem mexendo em seu joelho, então ergueu a mão e arranhou o rosto da mulher.

A criada, que a pressionava com braços bronzeados e firmes, gritou e rapidamente afastou as mãos.

Sem perder aquela abertura, Thalia começou a rastejar pela cama para escapar, mas uma mão áspera surgiu de algum lugar e prensou seu pulso contra o colchão.

Thalia lutou violentamente como um animal preso em uma armadilha.

— Me solta! Disse para me soltar!

— Por favor, se acalme! Estamos tratando seu ferimento agora mesmo. Não pode se mover assim!

O homem gritou desesperadamente enquanto pressionava a parte superior do corpo dela com o peito coberto pela armadura.

Thalia começou a se debater ainda mais violentamente.

Uma dor extrema parecia rasgar seu corpo inteiro em pedaços.

Mas o medo de precisar fugir imediatamente superava qualquer outra sensação.

— Não! Não toquem no meu corpo!

— Tragam um sedativo imediatamente!

O homem gritou alto.

Um medo familiar e uma sensação de impotência apertaram sua garganta.

Thalia ergueu os olhos aterrorizados para o rosto rude coberto por sombras escuras.

Seu cavaleiro, que sempre agia como um tolo, agora usava uma expressão cruelmente endurecida enquanto a continha.

Ela ergueu a mão para arranhar o seu rosto.

— S-saia de perto! Disse para me deixar em paz!

Quando ela gritou entre soluços ásperos, um curto palavrão escapou da boca do homem.

Thalia torceu o corpo ainda mais desesperadamente.

Então o homem reuniu os seus pulsos em uma só mão e levou um pequeno frasco de vidro gelado até seus lábios.

— Por favor, beba. Quando acordar depois de dormir, tudo terá acabado.

Thalia manteve os lábios firmemente fechados.

Mas ele não desistiu facilmente.

Pressionando a boca do frasco contra seu lábio inferior, o homem falou como se implorasse:

— Não é veneno! É um remédio para ajudá-la a não sentir dor durante o tratamento. Então, por favor......

Apesar do apelo desesperado do cavaleiro, Thalia continuou resistindo com os dentes cerrados.

Ela não conseguia confiar em ninguém.

Todos devem estar tentando fazer algo terrível comigo quando eu ficar indefesa.

Thalia derrubou o frasco com o cotovelo e forçou o corpo a se erguer teimosamente.

Então, enquanto agitava a perna ensanguentada para escapar das bestas que a prendiam, viu uma sombra esguia entrar repentinamente na tenda.

No instante em que reconheceu aquele rosto, o corpo de Thalia enrijeceu.

O homem, trazendo consigo o cheiro de chuva pesada, segurou a parte superior de seu corpo com braços como armadilhas.

Não havia tempo para fugir.

Varkas, que se posicionara atrás dela, prendeu firmemente a parte superior de seu corpo com um braço e fez um gesto para o cavaleiro.

— Traga o remédio.

O cavaleiro imediatamente obedeceu à ordem.

Recebendo um novo frasco, Varkas arrancou a rolha usando os dentes e pressionou a boca do vidro contra os seus lábios.

Thalia encarou aquilo com olhos trêmulos, então desviou o olhar para o rosto inexpressivo dele.

Varkas a incentivou em um tom baixo.

— Beba.