Tradução: Emma
Capítulo 46
Assim que a princesa terminou de falar, uma risada rouca, como ar escapando, irrompeu da boca do príncipe herdeiro.
— Entendo. Levar o cadáver daquela vadia até a imperatriz também não seria nada mau.
Como se apenas imaginar aquela cena o excitasse, o sorriso do príncipe herdeiro se aprofundou ainda mais.
Ele segurou firmemente o ombro de Sir Siarkan com uma mão e sussurrou sombriamente.
— Muito bem. Já que está insistindo tanto nisso, não vou mais impedi-lo. Vá em frente e revire as montanhas a noite inteira atrás daquela vadia.
O príncipe herdeiro bateu com força no ombro dele, então se virou e caminhou para o outro lado do acampamento caótico.
Seguindo atrás do irmão mais novo, a princesa lançou um comentário breve ao noivo.
— Então deixarei aquela criança com você.
***
Assim que os dois membros da família imperial partiram, seguiram imediatamente para o norte.
Edric segurava uma tocha em uma das mãos enquanto atravessava a floresta, onde a escuridão repousava espessa e pesada.
Ele estava terrivelmente ansioso, imaginando se os rastros deixados pelo wyvern haviam desaparecido enquanto discutiam por alguns instantes.
— Tome cuidado. Nesse ritmo, também vai rolar vale abaixo.
O cavaleiro veterano que o seguia de perto, Sir Theoric Hart, sussurrou com uma voz preocupada.
Edric apenas assentiu levemente sem responder e ergueu a tocha para iluminar a trilha irregular de terra.
Então, entre as árvores retas de coníferas, revelaram-se rochas irregulares e uma encosta íngreme.
— É aqui.
Quando apontou para o caminho íngreme que descia, seu superior, que vinha seguindo silenciosamente atrás dele, aproximou-se como uma sombra.
Edric se afastou para que ele pudesse olhar para baixo.
Depois de iluminar o desfiladeiro com a tocha por alguns instantes, Varkas puxou de uma bolsa presa ao cinto uma corrente com um gancho na ponta.
Após prendê-la firmemente em uma fenda entre as rochas, Varkas se lançou pela encosta, que mais parecia um penhasco.
Edric permaneceu segurando a tocha e iluminando para baixo, e só depois de confirmar que Varkas havia aterrissado em segurança no chão o seguiu pela parede rochosa.
Felizmente, o vale não era tão profundo.
Edric desceu cuidadosamente pela encosta, pisando nas rochas pontiagudas que se projetavam, e então ergueu a tocha bem alto em sua mão para sinalizar aos cavaleiros que haviam permanecido acima.
Logo, os cavaleiros que aguardavam começaram a descer as rochas um após o outro.
Depois de observá-los por um momento, Edric virou-se e olhou ao redor.
Parecia que o impacto da queda do wyvern havia atingido uma grande área da parede rochosa, pois pedras e montes de terra estavam espalhados por toda parte.
Vasculhar todos aqueles destroços demoraria bastante tempo.
Edric lançou um olhar ansioso para a escuridão completamente negra e então saltou sobre uma grande pedra.
Depois de avançar por um tempo pelo terreno irregular, encontrou uma forma negra erguida ao lado de uma pilha de rochas desmoronadas.
Aproximou a luz da tocha.
Parece que encontramos o lugar certo.
Como se tivesse sido atingida por magia de fogo, a carcaça de um wyvern, com uma das asas carbonizada e encolhida, jazia espalhada entre os montes de pedra.
Edric, que examinava cada canto dos arredores caso a princesa estivesse presa sob alguma parte do corpo do monstro, parou ao ver uma figura negra parada a curta distância.
Quando aproximou a tocha, viu Varkas em pé ao lado de uma grande rocha.
Edric correu até ele sem sequer recuperar o fôlego.
— Comandante! Por acaso encontrou algu...
Edric, que gritava apressadamente, congelou ao descobrir a figura pálida e imóvel caída diante dele.
A tocha que havia deixado cair fracamente iluminava o rosto sem sangue e os cabelos emaranhados da mulher.
Edric fitou-a sem reação e então soltou um pesado suspiro ao ver as pedras grandes e pequenas cobrindo a parte inferior de seu corpo.
Ele já sabia que havia poucas chances de ela estar viva.
Era uma cena para a qual havia se preparado, até certo ponto.
Mesmo assim, ao confirmar com os próprios olhos o estado terrivelmente destruído da mulher, sentiu o sangue gelar.
Após hesitar, aproximou-se dela com passos trêmulos.
A parte superior de seu corpo estava relativamente intacta, mas suas pernas estavam quase esmagadas.
Edric examinou a perna esquerda dela, presa sob uma grande rocha e torcida em um ângulo estranho, então afastou uma pedra de tamanho considerável.
Com isso, as pedras empilhadas ao lado despencaram ruidosamente.
O rosto de Edric se obscureceu em desespero, e ergueu rapidamente a cabeça para pedir ajuda.
Então estremeceu e congelou ao encontrar um rosto tão inexpressivo que parecia usar uma máscara.
Varkas permanecia de pé, com a postura reta, observando silenciosamente a mulher.
Diante daquele olhar vazio, do qual não havia sequer um traço de emoção, um arrepio percorreu a espinha de Edric.
Sabia que aquele homem e a segunda princesa eram praticamente inimigos jurados.
Mesmo assim, ela não era alguém que ele conhecia desde a infância?
Edric não conseguia entender como ele podia permanecer tão calmo, mesmo vendo-a naquele estado.
Edric gritou como se protestasse.
— O que está fazendo?! Ajude-me depressa!
Mas Varkas não se moveu, nem um centímetro, até o fim.
Edric lançou-lhe um olhar cheio de raiva e então levantou-se para tentar mover a rocha sozinho.
Então, quando empurrou com ambas as mãos a pedra que esmagava a perna dela, um som semelhante ao de um pequeno animal ofegante veio debaixo dele.
Edric abaixou a cabeça rapidamente.
Viu o rosto pálido revelado sob a luz do fogo se contorcer levemente.
Por um instante, a força abandonou suas pernas e quase desabou.
Tomado por um intenso alívio, gritou alto.
— Ela está viva! Ela ainda está respirando!
Como se respondesse àquele som, suas finas pálpebras tremeram e seus olhos desfocados se abriram.
À primeira vista, parecia estar em um estado de atordoamento.
Edric endireitou rapidamente as costas.
Precisavam levá-la para receber magia de cura o mais rápido possível.
Pegou a tocha que havia deixado no chão para chamar os cavaleiros que procuravam em outros lugares.
Naquele momento, viu um leve sorriso surgir no rosto branco como papel da mulher.
— Varkas...
Sem perceber, Edric interrompeu todos os movimentos.
Um som tão indistinto que mal podia ser compreendido escapou dos lábios rachados dela, onde o sangue havia se acumulado.
Os olhos dele se arregalaram diante do nome que saiu como uma súplica, e o homem que permanecia imóvel como uma estátua de pedra se abaixou diante dela.
Como se reconhecesse aquele rosto silencioso, os olhos da mulher vacilaram levemente.
Eram olhos como se tivessem testemunhado um único raio de salvação vindo do abismo.
— Eu sabia. Sabia que viria me salvar... Eu sabia.
Quando os olhos da mulher se curvaram levemente, as lágrimas que escaparam de suas finas pálpebras molharam suas bochechas sem sangue.
A sombra do fogo tremulou sobre o rosto frio do homem que a observava silenciosamente.
A luz da chama também cintilou em seus olhos vazios, onde não havia qualquer vestígio de vida.
Ainda assim, o homem parecia afundado em algum lugar profundo e sombrio.
Edric, que sem perceber prendia a respiração por algum motivo desconhecido, inconscientemente segurou o ombro dele.
— Você… Está bem?
Varkas ergueu a cabeça e o olhou.
Uma leve ruga se formou entre suas belas sobrancelhas.
Era uma expressão que parecia incapaz de entender o do por que ele estava perguntando aquilo.
O próprio Edric também não sabia por que havia feito aquela pergunta.
Por que aquele homem não parecia estar bem?
Enquanto olhava confuso para aquele rosto calmo, igual ao de sempre, o som de passos apressados ecoaram de algum lugar.
Somente então Edric voltou bruscamente aos sentidos e ergueu rapidamente a tocha.
Vários cavaleiros que reconheceram seu sinal correram até eles.
