Tradução: Yumi
Capítulo 31
A grande mão do homem deslizava lentamente sobre seu estômago por cima do tecido macio.
Era um toque como o de alguém que manuseia algo que lhe pertence.
— Você usa o mesmo óleo aromático que sua mãe. O cabelo da Senhora Senevia cheirava assim também. Uma vez que alguém se intoxica com esse aroma, é como se fosse um vício, não há escolha a não ser continuar... continuar à sua procura.
A mão do homem tateou para cima, em direção ao seu peito.
Thalia instintivamente torceu o corpo para escapar de seus braços.
Mas o homem não cedeu nem um pouco.
Segurando-a com força por trás, ele aproximou seus lábios úmidos e quentes abaixo de sua orelha.
Era como se uma lagarta tivesse se grudado em sua pele e estivesse sugando seus fluidos.
Thalia, que estava rígida e tremendo, logo começou a se debater como se estivesse tendo uma convulsão.
O homem a derrubou e a pressionou brutalmente contra o tapete macio.
Ela agitou os braços e as pernas como alguém se afogando.
A mesa tombou, e a torre de quebra-cabeça que haviam passado horas construindo, veio abaixo com estrépito.
Ela rastejou sobre os pedaços e lutou desesperadamente para escapar da besta que a imobilizava, mas ele agarrou seu tornozelo e a arrastou de volta.
Thalia olhou para ele com olhos aterrorizados.
O medo primitivo de que alguém pudesse subjugá-la com tanta facilidade tomou conta dela.
— Fique quieta... Fique quieta por um momento.
O homem prendeu ambos os pulsos dela em uma das mãos e envolveu seu queixo com a outra.
Ela lutou desesperadamente para virar a cabeça, mas não conseguia se mover nem um pouco.
Ele pressionou suas bochechas, forçando sua boca a abrir, e então enfiou sua língua grossa para dentro.
A náusea apertou sua garganta de maneira dolorosa.
Era como se uma lesma gigante tivesse entrado em sua boca.
Ela sequer teve coragem de morder aquela coisa horrível.
Com lágrimas brotando nos olhos, ela emitiu sons sufocados e angustiados.
Ele esfregou seu corpo enorme e musculoso contra ela e respirou com aspereza de excitação.
— Ah... Senhora Senevia... Como senti sua falta...
A mão do homem se arrastou para a barra de sua saia.
À sensação de sua palma dura apertando sua pele nua, seu corpo inteiro começou a tremer.
Um medo como o da morte tomou conta dela.
Ela sentiu dedos longos e duros invadindo fundo entre suas coxas.
Com a dor lancinante dentro de seu corpo, Thalia abriu e fechou a boca como um peixe puxado para a terra firme.
O homem pressionou seus lábios ásperos contra o canto de sua boca e murmurou em voz rouca.
— Não precisa tremer assim. A dor dura apenas um momento. Em breve, Sua Alteza também gritará de prazer...
Naquele momento, o peso que esmagava seu corpo desapareceu como se nunca tivesse existido.
Thalia instintivamente se arrastou para um canto e se encolheu.
Por um momento, ela não conseguiu entender direito o que havia acontecido.
Somente após alguns segundos ela percebeu que Varkas, vestido com o uniforme formal dos Cavaleiros Roem, estava segurando a cabeça do homem com uma mão e esmagando seu rosto sem piedade.
A cena era tão irreal que, por um instante, sua mente ficou em branco.
Metade do rosto daquele homem, que antes liso, agora estava encharcado de sangue, esfolada contra a superfície áspera da parede, e gemidos de dor escapavam de sua boca grotescamente aberta.
— D-deixa... Vamos c-conversar...
Varkas agarrou o homem que se debatia pelos cabelos e arremessou sua cabeça contra a parede sem misericórdia.
Com golpes pesados e surdos, o rosto do homem foi horrivelmente destruído.
Thalia mal conseguiu engolir um grito.
— Thalia.
Ele abriu a boca calmamente, mantendo o olhar fixo no rosto ensanguentado.
— Vá para o seu quarto.
Sua voz era tão calma que era difícil acreditar que vinha de alguém que havia cometido um ato tão violento.
Por isso, Thalia não percebeu que aquelas palavras eram dirigidas a ela.
Somente ao encontrar seus olhos azuis, que pareciam cobertos por nuvens de tempestade cinzentas, ela percebeu que ele estava falando com ela.
— Thalia Roem Gurta.
Sua voz era estranhamente quieta.
Varkas, que havia ousado pronunciar o nome da princesa com tanta naturalidade, acrescentou lentamente,
— A senhorita não me ouviu mandando você ir para o seu quarto?
Thalia apenas olhou para ele de maneira atordoada, encolhida no canto.
Logo, um grito explosivo irrompeu de sua boca.
— Agora!
Naquele instante, uma sensação como faíscas percorrendo seu corpo inteiro se espalhou por ela.
Como um cavalo açoitado por um chicote, ela fugiu às pressas do escritório.
Quando correu para o quarto e se enfiou debaixo do cobertor grosso, uma dor aguda e latejante se espalhou por todo o seu corpo. Ela esfregou com força sua pele ardente.
Era como se a língua escorregadia e a palma dura ainda se arrastassem sobre sua pele.
Tentando apagar aquela sensação, ela esfregou freneticamente seu pescoço, o peito e suas coxas, e então, começou a golpear o próprio corpo com os punhos.
Era horrível.
Aquele homem era horrível.
O corpo que aquele homem havia apalpado era horrível.
E o fato de Varkas tê-la visto assim era horrível.
Tudo era horrível.
Ela bateu em suas coxas com força suficiente para deixar hematomas, depois enterrou o rosto no travesseiro e soltou um grito bestial.
Por quanto tempo ficou assim?
Ela sentiu outra presença além da sua.
Ergueu a cabeça rapidamente.
Varkas estava de pé, imponente, junto à porta.
Como sempre, parecia elegante, sem o menor sinal de desordem.
— Você nunca mais verá aquele homem.
Ele falou com calma.
Thalia, que piscara de maneira atordoada, perguntou em voz trêmula,
— ...Você o matou?
Com isso, as sobrancelhas de Varkas se contraíram levemente.
Após um breve silêncio, ele abriu a boca novamente.
— Ele será exilado permanentemente. Pelo resto de sua vida, não poderá pôr os pés na capital, nem em nenhuma cidade importante...
Naquele momento, o fino fio de sua razão se rompeu completamente.
Thalia agarrou um travesseiro e o atirou em seu rosto.
— Por quê?! Por que você o deixou viver?! Você deveria tê-lo matado! Deveria tê-lo matado de forma horrível! Deveria ter cortado aquelas mãos imundas que tocaram meu corpo...! E aquela língua imunda que me violou...!
Thalia, que havia gritado selvagemente como uma louca, de repente agarrou a própria garganta e começou a tremer.
Uma sensação sufocante a envolveu, como se alguém estivesse a estrangulando.
— Se você o deixar viver, ele voltará... Ele voltará para me pisotear de novo. Ele tentará me profanar. E-ele disse isso. Que como se fosse um vício, ele continuaria... continuaria sem ter escolha a não ser me procurar...
Soluços irromperam abruptamente de sua garganta comprimida.
Thalia cobriu o rosto distorcido pelas lágrimas com ambas as mãos e arfou com dificuldade.
Então, como se possuída por algo, ela começou a atirar todo tipo de objeto nele.
— Inútil! Não preciso de alguém como você! Saia! Saia! Eu disse para sumir da minha vista...!
Thalia, que havia atirado livros e bonecas aleatoriamente, de repente parou de respirar.
O castiçal que havia agarrado sem pensar voou em direção à cabeça dele.
O pesado bloco de metal raspou bruscamente a testa e a têmpora de Varkas, depois rolou com barulho pelo chão.
Thalia olhou em choque enquanto o sangue fresco vermelho-escuro manchava sua pálida bochecha e pescoço.
Um som estranho, como um suspiro — ah... ah... —, escapou de sua garganta.
Varkas, que havia olhado para ela de cima com olhos frios, lentamente se virou.
Naquele instante, um frio se espalhou por todo o seu corpo como se água gelada tivesse sido derramada sobre ela.
Thalia pulou da cama para segurá-lo.
Mas Varkas já havia deixado o quarto.
Thalia olhou fixamente para o corredor escurecido, então logo desmoronou como se estivesse desmontando.
Ela queria afundar no chão assim.
Varkas a havia salvado.
No entanto, ela havia feito dele o alvo de sua raiva.
Seria estranho se ele não se sentisse repelido.
Era natural que ele estivesse farto dela.
Ela enterrou seu rosto horrivelmente contraído no tapete e derramou lágrimas quentes.
Depois daquele dia, Varkas não mais apareceu diante dela.
Somente alguns meses depois, Thalia o viu na cerimônia de nomeação do comandante da Guarda Imperial.
De longe, ela o observou se ajoelhar em um joelho diante do Imperador e recitar o juramento de lealdade em voz calma.
Seu pai ergueu a espada imperial do tesouro e a colocou sobre seu ombro.
Então, em voz solene, proclamou que a posição de capitão da guarda imperial havia sido concedida a ele.
Era uma posição pesada demais para um jovem que mal havia completado vinte anos, mas ninguém questionou suas qualificações.
Varkas virou-se lentamente e desceu as escadas.
Sobre aquele rosto composto, a luz do sol que entrava pela janela caía como uma chuva torrencial.
Ela gravou cada detalhe daquele momento em sua memória.
Varkas, com as costas eretas, atravessou a multidão.
Aquele perfil frio passou por ela com indiferença.
Para suas costas, se afastando em direção a um lugar além de seu alcance, ela murmurou baixinho,
Adeus.
Depois de dizer isso, ela acrescentou inconscientemente,
Não vá.
As lágrimas ameaçaram escorrer, e Thalia franziu as sobrancelhas.
Logo, sua figura desapareceu completamente de vista.
Assim, o rapaz que sua mãe lhe havia presenteado sete anos antes, deixou seu lado.
