Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 99

Capítulo 99

Tradução: Emma

Capítulo 99


As esposas dos soldados formavam sua própria hierarquia com base na patente de seus maridos. Aquelas cujos maridos não comandavam o respeito nem dos superiores nem dos subordinados viam-se isoladas. Se, por alguma desgraça, ela se envolvesse com River Ross, qualquer escândalo — um amante traído, uma fuga estando grávida — cairia diretamente sobre Vanessa. Como havia resolvido inicialmente, era melhor que ela se tornasse completamente escandalosa. Como a senhora Rowan, ostracizada da sociedade por casos simultâneos com três homens e zombada, ainda solteira, bem na casa dos cinquenta anos.

— Ninguém despreza o homem que compra uma prostituta. Mas o homem que faz de uma prostituta sua esposa é para sempre objeto de ridículo.

A entrevista da senhora Rowan, publicada em alguma revista semanal, continha uma profunda visão sobre o mundo. Vanessa a considerara brevemente um guia adequado para jovens damas lançadas no mercado de casamentos e, a partir daquele preciso momento, a senhora Rowan tornou-se uma espécie de pioneira aos olhos de Vanessa.

— Vai se furar. — Mary arrancou o tecido da mão de Vanessa, que ainda segurava o bastidor de bordado. — Termine isso no carro. Eu seguro. — Mary cortou o fio habilidosamente com os dentes, deu um nó pequeno e firme, e organizou a linha para facilitar a continuação.

— Obrigada, Mary. — Vanessa encostou a cabeça no assento, com a cabeça pesada pelo enjoo da viagem, e exalou. Havia algum tempo que ela não bordava, e seu progresso estava lento. As notícias sobre o broche e as abotoaduras roubadas continuavam elusivas.

Ela não queria perder a esperança, mas não podia simplesmente esperar. O aniversário dos gêmeos seria na próxima semana. Por isso, ela comprou lenços e linhas bonitas.

— Aquela é a famosa Ponte Levadiça de Kingston. — Às palavras de Alman, Vanessa ergueu a cabeça abruptamente. — Logo após ela fica o Condado de Essex. A senhorita já esteve aqui com Sua Senhoria antes, não esteve, Senhorita?

— …Não. Esta é a minha primeira vez. — O nome do lugar despertou memórias enterradas. O acidente de seus pais ocorreu não muito longe dali. A carruagem deles ficará presa por um longo tempo sob um viaduto usado por trabalhadores das docas.

Vanessa ainda se lembrava dos sussurros dos policiais que cuidaram do caso. Disseram que seus pais poderiam ter sobrevivido se alguém os tivesse encontrado e pedido ajuda mais cedo. O azar fora ter sido um dia de festa, e a área estar deserta.

— Meu Deus! Alman! Cuidado! — O grito de Mary tirou Vanessa de seu devaneio. Os faróis do carro iluminaram o beco escuro com um brilho não natural. No centro daquela luz forte estava um vagabundo, de braços abertos.

Por um momento, o tempo pareceu desacelerar para um ritmo horrivelmente lento. O cantar dos pneus quando Alman pisou fundo nos freios, o grito aterrorizado de Mary, o carro balançando precariamente e os olhos escuros do vagabundo, arregalados e fixos em Vanessa.

No instante em que reconheceu a mistura instável de medo e fascínio naqueles olhos, Vanessa cobriu o rosto instintivamente com as mãos e gritou.

— Aaah!

O tempo voltou ao seu ritmo normal, e tudo aconteceu de uma vez. O cantar dos pneus se intensificou, seu corpo foi projetado para a frente. Então, uma batida. O impacto de um objeto pesado fez o carro girar. Vanessa agarrou o banco da frente, tentando se apoiar, mas sua cabeça bateu em algo duro, e ela perdeu o apoio. O carro rodopiou até a metade antes de parar. Uma fumaça acre saía do capô aberto.

Mary tossiu, rastejou do chão e segurou o braço de Vanessa.

— A senhorita está bem?

— Eu… Estou bem… Mary, e você?