Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 100

Capítulo 100

Tradução: Emma

Capítulo 100


— Estou bem. Meu Deus, Senhorita, o seu nariz está sangrando… Aqui, use isto.

— O que aconteceu?

— Algum louco pulou na nossa frente. Vou lá ver. Fique aqui.

— Não… Preciso ver com meus próprios olhos. — Vanessa enxugou o sangue com um lenço e saiu rapidamente do carro. Se não estivesse enganada, ele havia bloqueado o caminho deles deliberadamente. Ele ao menos havia reconhecido o carro.

Mary gritou algo atrás dela, mas Vanessa não ouviu. Seria uma ilusão ou uma premonição? Vanessa tinha certeza de que o vagabundo estava tentando lhe dizer algo. Enquanto ela se aproximava dele, Alman, que finalmente havia saído do banco do motorista, correu para a frente, bloqueando seu caminho.

— Senhorita, por favor, fique para trás. É perigoso.

— O acidente já aconteceu. Qual é o perigo agora?

— Não acho que ele esteja em seu juízo perfeito. Se a senhorita ficar lá dentro…

— Meu Deus, Alman. Ele está ferido!

O vagabundo ainda estava estirado no chão. As pessoas se aglomeravam ao redor, encarando, mas ninguém se oferecia para ajudar. Vagabundos frequentemente morriam brigando entre si ou, como agora, causavam problemas, então era melhor para todos manter distância.

Vanessa passou pelo motorista e se aproximou do vagabundo. O homem, vestido com trajes militares esfarrapados, gemia, consciente, mas claramente com dores. O sangue fluía de uma ferida em sua testa, mas, felizmente, a manobra rápida de Alman havia evitado ferimentos mais graves.

Sem se importar com o sangue manchando suas roupas, Vanessa ajudou-o a se levantar.

— Você está bem? Consegue se mover?

— Ah, ugh… — O homem segurou a perna ferida e gemeu como um animal machucado. Seus olhos escuros, vagos e desfocados, sugeriam que ele estava em choque.

— Alman, precisamos de um médico. Ele está mais machucado do que parece.

— Um médico? Mas…

— E se algo acontecer com ele? Não há tempo. Depressa. Dê isto a ele se pedir dinheiro. — Vanessa tirou um de seus brincos de diamante e o pressionou na mão de Alman.

— Senhorita, isto é…

— Pertencia à minha mãe.

— Meu Deus.

— É do Conde de Somerset. Diga a ele que é apenas uma garantia, que absolutamente não pode ser vendido. Diga que voltarei com o dinheiro em alguns dias.

Até ela sabia que aquilo era uma loucura, mas não havia outro jeito. Naquelas cidades do interior, os médicos eram notoriamente lentos para agir, e o nome de Somerset tinha muito mais peso.

— Eu ficarei com ele até o médico chegar.

— Muito bem. Continue falando com ele para que não perca a consciência.

— Mary, pegue um pouco de água quente naquela loja ali adiante. E uma toalha limpa, se eles tiverem… Depressa! — Mary, que estava ali parada em torpor, tomou postura diante da ordem firme de Vanessa. Ela atravessou a rua às pressas e desapareceu dentro da loja. Enquanto isso, o vagabundo se agarrava à saia de Vanessa como se fosse uma tábua de salvação.

A visão do rosto ensanguentado do homem a fazia se sentir trêmula, mas Vanessa se armou de coragem e segurou a mão dele.

— Não perca a consciência. Apenas espere um pouco. Alguém estará aqui em breve.

— …E…na…I...

— Vai ficar tudo bem. Você está sangrando um pouco, mas…

— …Não…Isso...Não…

— O quê?

Ela se inclinou mais perto, tentando entender suas palavras murmuradas. De repente, o vagabundo agarrou o pulso dela com uma força dolorosa e apertada, uma força que não se esperaria de alguém tão recentemente incapacitado.

Vanessa estremeceu quando o rosto dele, encrostado e com dentes amarelados e tortos, se aproximou. Um odor fétido emanava de seu corpo não lavado.

— Eu… sei… — A voz dele, fraca no início, tornou-se firmemente mais forte. — O momento… em que ouvi… eu corri… O som do motor do seu carro…

— Você o conhece?

— Sim… É aquele… de sete anos atrás… Eu… tenho ouvidos bons… consigo identificar sons… até ganhei uma medalha por isso… Como o seu patrão… eu peguei… um espião covarde de Tran…

O vagabundo perdeu o fôlego e continuou às pressas.

— Se… você quer que eu… fique quieto… me dê… mais dinheiro… Meu filho… está doente… Então eu… Vou embora… Como quiser…