Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 96 - +18

Capítulo 96 - +18

Tradução: Emma

Capítulo 96


Ela o seduziu. Apenas uma noite foi o suficiente. Ela pensara que poderia viver e respirar com a memória daquela noite pelo resto de sua vida. Estivera abençoadamente feliz, ou assim acreditava. Até a manhã seguinte, quando descobriu que o homem com quem passara a noite não era ele, mas o seu irmão mais novo. Um mês depois, sua menstruação atrasou.

Seus ciclos nunca tinham sido regulares, mas, dadas as circunstâncias, cada dia que passava era agonizante. Wyatt debochou, negando a possibilidade de a criança ser dele. No dia seguinte, ele fugiu com uma criada de classe baixa sob o disfarce da noite.

Consumida pelo desespero e pela culpa, Louise confessou a Henry que passara uma noite com outro homem. Que acreditava estar carregando o filho dele.

— Quem mais sabe disso?

— Eu não contei a ninguém, Henry… Apenas a você e a ele.

— Então o casamento prosseguirá como o planejado.

A voz de Henry fora gélida e calma, impregnada de um estranho sentimento de posse.

— Se há uma criança em seu ventre, ela já é minha. Portanto, dê à luz a essa criança, Louise. E passe o resto de sua vida atada ao meu lado.

Naquela época, seu marido fora seu salvador. A princípio, ela sentia apenas gratidão. Após dar à luz os gêmeos com apenas sete meses de casamento, ela cedia prontamente aos desejos dele sempre que ele os exigia. No camarote do teatro de ópera, nos corredores dos salões de baile e ali, na sala de estar iluminada em pleno meio-dia.

Tragicamente, no entanto, eles não conseguiram conceber outra criança. Após uma consulta ao médico, cerca de dez anos depois de casados, Henry tornou-se mais violento durante o sexo.

— O Blair diz que quer passar a lua de mel no sul, mesmo após o casamento.

Louise ergueu o rosto corado.

— Eu sei. Eu… Fui contra desde o início. É porque você permitiu que as crianças ficassem em Somerset…

— Eu não me importo que as crianças passem algum tempo com a Vanessa.

— Mas eu me importo. Não deveria ter cedido aos caprichos deles.

— Eu gosto de vê-la tão agitada.

— Honestamente, ugh, você tem um gosto terrível.

Enquanto seu marido investia contra ela com uma urgência bruta, Louise engoliu um gemido, com os dedos cravando-se na borda da mesa.

— Você acredita que parentes de sangue se reconhecem instintivamente, Louise?

A pergunta dele, aparentemente vinda do nada, estava tingida de divertimento.

— Eu me pergunto se nossos filhos reconhecerão o verdadeiro pai deles.

Nossos filhos. Era quase um deboche. Henry não tocara no assunto daquele dia durante todos esses anos e, em certo ponto, ela até começara a enganar a si mesma, acreditando que eles eram dele. Até que Blair escolheu Vanessa, aquela garota, como sua.

O comportamento estranho de seu marido foi subitamente chocante. Como ele poderia saber de tudo e ainda assim…

— Você é tão ingênua. Realmente pensou que eu não perceberia, sendo que é tão óbvia?

Seus pensamentos se dispersaram. Um gemido suave escapou dos lábios de Louise. Henry, parecendo satisfeito com a reação dela, mordeu com força a nuca dela.

Como se para anunciar ao mundo o quão lasciva ela realmente era. Ele próprio escolheu o vestido que ela usaria na reunião social dali a dois dias, um modelo que deixava seu pescoço e ombros à mostra. Henry traçou as marcas vermelhas persistentes no pescoço pálido de Louise com um ar de satisfação.

— É uma sorte que as crianças se pareçam apenas com você.

— Henry, urgh, por favor, pare.

— Às vezes, isso me faz sentir como se eles realmente fossem do meu sangue. Eles são a sua cara, e os criei desde o berço.

As unhas de Louise cravaram-se na mesa novamente, em um gesto de desespero. Caso contrário, o que a diferenciaria daqueles tolos que, fascinados por suas amantes, deixavam fortunas inteiras aos seus filhos ilegítimos? As palavras sussurradas por ele contra a orelha dela eram absolutamente cruéis.

Ele ajustou o aperto na cintura enfraquecida dela, investindo mais algumas vezes, com um sorriso brincando nos lábios.

— O Blair será o meu herdeiro perfeito. Desde que você continue a cumprir seus deveres de esposa, exatamente assim.

— Ah…

— Eu amo você, Louise. Mais do que qualquer outra coisa.

Louise fechou os olhos, um gemido fraco escapando de seus lábios. Seu marido a havia salvo, mas ele não a havia perdoado. E jamais a deixaria esquecer disso.