Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 95 - +18

Capítulo 95 - +18

Tradução: Emma

Capítulo 95




— Você estava chorando?

Ela enxugou as pressas as lágrimas que haviam percorrido suas bochechas. Perdida em pensamentos, nem sequer percebera a aproximação dele. Ou talvez as criadas preguiçosas tivessem simplesmente se esquecido de anunciar o retorno do patrão. Louise Winchester permaneceu sentada em sua penteadeira, aceitando o beijo do marido.

— Como estão as crianças?

— Os gêmeos estão saudáveis como sempre. Lindos, exatamente como você.

Exatamente como você. E lindos. Louise sentiu as farpas afiadas escondidas nas palavras do marido. Ele era sempre assim; quer estivesse elogiando ou culpando, nunca largava a lâmina que segurava.

Louise encarou seu reflexo no espelho, com uma estranha distância entre eles. Seus cabelos ruivos volumosos, que alcançavam a cintura, e seus olhos verdes ainda eram cativantes, apesar do passar do tempo. Embora, ultimamente, a preocupação constante tenha os deixado marcados com linhas tênues ao redor de seus olhos. Ela suspirou.

— Não brinque.

— Acha que estou brincando?

O Marquês de Winchester riu baixinho, beijou a nuca da esposa mais uma vez e virou-se em direção ao bar. Seus movimentos ao pegar a garrafa de uísque eram precisos e econômicos. Louise observou suas costas com uma pontada de inquietação.

— Cece veio me visitar esta manhã.

— Que bom. Deveriam ter ido juntas à loja de departamentos.

— Deveríamos. Mas, por algum motivo, eu simplesmente não estava no clima hoje.

Winchester afrouxou o plastron e soltou uma risada repentina.

— Dizem que as mulheres ficam melancólicas quando os filhos estão prestes a se casar. Nunca pensei que minha esposa seria uma delas.

— Santo Deus, Henry. Não é nada disso. Estou tão aliviada por Blair ter finalmente se ajeitado.

— Ele só quis uma única coisa desde menino. Eu sempre soube que acabaria cedendo à teimosia dele.

Louise tentou disfarçar o choque, mas de pouco adiantou. A palidez repentina de seu rosto era inconfundível. O Marquês tomou um gole lento de seu uísque, com um sorriso astuto brincando nos lábios.

— Não entendo por que desgosta tanto de Vanessa.

— Você sabe o motivo. A reputação dela…

— Vanessa é uma boa garota. Nós dois sabemos disso.

— …Esse não é o ponto.

Louise mordeu o lábio ansiosamente, estudando a expressão do marido. Uma linha fina de sangue apareceu em seus lábios pintados de carmim bem no momento em que o Marquês se moveu. Ele usou o polegar para separar os lábios firmemente pressionados dela.

— Está sangrando, Louise.

— Me solte. Eu realmente não estou no clima hoje.

Antes que pudesse terminar a recusa, suas palavras foram engolidas pelo beijo dele. Suas saias foram erguidas, e suas roupas íntimas e cinta-liga foram removidas. Após algumas tentativas sem convicção de empurrá-lo, Louise cedeu, envolvendo os braços ao redor do pescoço dele. Ela sabia por experiência que, quando ele estava assim, a cooperação era o caminho mais rápido para o fim. O sexo, nesses momentos, parecia mais com uma punição.

— Ah, Henry…

Os dedos dele sondaram a umidade dela. Ele estreitou os olhos, com um sadismo cruel nas profundezas do olhar.

— Pensei que tivesse dito não.

— Sim, mas por favor, só se apresse…

— Você não está molhada o suficiente. Segure na mesa.

Louise obedeceu, agarrando a borda da mesa enquanto suas saias eram amontoadas ao redor de sua cintura. O Marquês fez uma pausa, admirando-a por um momento antes de sua mão descer com força sobre as nádegas desnudas dela.

Um grito agudo escapou de seus lábios. Louise só queria que tudo acabasse. Henry, nesses momentos, não era o marido terno que ela conhecia, mas um tirano. A vergonha a invadiu, tornando impossível pensar com clareza.

Como as coisas haviam chegado àquele ponto?

Olhando para trás, o início de sua desgraça era claro. A noite do baile de máscaras, aos vinte anos, consumida pelo ciúme após descobrir que o homem que ela adorava por tanto tempo havia pedido sua melhor amiga em casamento. Bêbada e eufórica, ela confessou seus sentimentos ocultos a ele, esquecendo, em seu estado embriagado, que já estava noiva de Henry.