Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 94

Capítulo 94

Tradução: Emma

Capítulo 94


— Posso ficar com ele?

— Se quiser.

Com cuidado, ela colocou o desenho entre as páginas de seu manuscrito. Pediria a Mary que encontrasse uma moldura pequena para ele. Queria guardá-lo para sempre. Olhando para a imagem, sentiu uma onda de coragem, um sentimento que a sustentaria mesmo em seus momentos de maior fraqueza.

Porque a mulher no desenho possuía garras afiadas, dentes que podiam rasgar qualquer coisa, um espírito feroz capaz de navegar pelas ondas mais selvagens e uma cauda que podia levá-la a qualquer lugar no vasto oceano….

Um pensamento ocorreu a Vanessa, e ela ergueu o olhar.

— Ah, e River, ficarei fora da propriedade por uma semana a partir de amanhã. A família Essex me convidou para uma caçada.

— Essex?

— Sim. O convite era na verdade para o Lorde Lowden, mas ele me convidou. Eu vinha usando meu status de debutante como desculpa para recusar até agora…. Mas como vou me casar no outono, ele disse que eu deveria ganhar alguma experiência. Disse que adora caçar.

Theodore serviu-se de um uísque enquanto ouvia Vanessa. Ele observou que de fato a temporada de caça se aproximava. O pico do verão já havia passado, e o calor começava a arrefecer. E Lorde Lowden, um homem que ansiava por estimulação, não encontraria nada mais do seu agrado do que uma caçada sangrenta. No entanto, o tolo usara sua idade como desculpa para evitar o serviço militar….

As notícias da “caçada” anual de Lorde Lowden frequentemente chegavam até aos ouvidos indiferentes de Theodore. Uma semana de bebidas, mulheres, jogos de azar e todo tipo de folia vulgar. Ele manteria alguma aparência de decoro, tendo convidado sua noiva, mas não seria uma reunião elegante de conversas a cavalo e tiros cuidadosamente calculados. Sabendo de tudo isso, Theodore fingiu ignorância.

— Você já caçou antes?

— Não. Nunca nem segurei uma arma.

— Aqui, segure isto.

Ele apontou para um guarda-chuva longo e preto encostado na porta. Os olhos de Vanessa se iluminaram de expectativa diante da perspectiva de aprender algo novo. Ela deu um pulo e pegou o guarda-chuva, imitando uma postura de tiro que vira em algum lugar, apontando-o brincalhona para River.

— Assim?

River a observou em silêncio por um momento e depois caminhou em sua direção. Parando atrás dela, pegou suas mãos esguias nas dele, ajustando a posição de cada dedo.

— Uma arma de verdade será mais pesada que isto. Afaste mais os pés, alinhe a coluna. Finja que o cabo é a coronha. Precisa ficar mais firmemente encaixado contra o seu ombro. Se não tiver uma postura adequada, o recuo fará o cano voar para cima ou deslocará o seu ombro.

— Contra o meu ombro, assim?

— Um pouco mais alto. Os criados vão carregar a arma para você, então apenas se concentre na mira. Irá olhar através da alça de mira aqui.

Ele apontou para a parte superior do guarda-chuva. Vanessa espremeu um olho, focando no ponto que ele indicará.

— Então o alvo deve ficar no centro da mira?

— Varia. Se o alvo estiver parado, dê um tiro e ajuste sua mira com base em onde ele acertou.

— E se estiver se movendo?

— Tem que prever o movimento dele.

— Parece difícil.

— Mantenha firme. Deixe o cano a cerca de uma palma de distância da sua bochecha.

Ele colocou a mão entre o guarda-chuva e a bochecha dela. Seu peito largo pressionava-se contra as costas dela, suas mãos grandes e firmes sob os braços dela. Ela se ajeitou, seguindo as instruções dele, até alcançar mais ou menos a postura correta.

— Agora, inspire. Mantenha o olho no alvo.

Bang. Com o som de um tiro inexistente, o aperto dele nos braços dela se intensificou. O guarda-chuva deu um tranco, imitando o recuo de uma arma disparada. Por um momento, quase pôde sentir o cheiro da fumaça e ouvir o eco do disparo, embora nenhum dos dois existisse.

— Depois de atirar, abaixe o cano e puxe o ferrolho para ejetar o cartucho usado.

Ela se atrapalhou, tentando recriar a postura que ele lhe mostrara.

— As pessoas miram armas em vez de usar dentes e garras, Vanessa.

Confusa, ela olhou para cima, para ele.

— É um equalizador. Até a pessoa mais fraca pode matar com uma arma.

Ele fez uma pausa.

— Quando se acostumar com isso, pode acabar confundindo uma pessoa com um animal.