Tradução: Emma
Capítulo 92
Era a estação de trem de Linden. Algumas linhas simples capturavam a energia vibrante do início da manhã. Impressionada, levantou o esboço de debaixo do peso de papel, virando-o em suas mãos.
— Quando você desenhou isso?
Ele se virou da lareira, onde esteve cuidando das chamas, e respondeu casualmente: — Ontem de manhã.
— Como é tão bom em desenhar paisagens?
— Não sei… Um velho hábito, suponho. Um registro no lugar de palavras.
— É incrível. Como você desenvolveu esse hábito?
— Apenas desenvolvi.
Ele respondia às perguntas dela, mas seu tom permanecia distante. Ela queria perguntar mais coisas, contudo percebeu que fora a única a fazer perguntas. Engoliu a curiosidade restante. Além disso, tinha a sensação de que ele não gostava particularmente desse assunto.
— É bom ter algo em que se perder. Mas não consigo imaginar você desenhando.
— Quer ver?
— Claro que quero… Paisagens e retratos são legais, mas já desenhou algo vindo da sua imaginação?
— Acho que não.
Ele deixou o atiçador de lado e foi até a escrivaninha, abrindo uma caixa de metal para apontar um pedaço de carvão. Inseriu uma folha nova de papel em um bloco de croquis enquanto Vanessa observava, intrigada. Ele acenou com a cabeça em direção à cama.
— Sente-se.
— …Agora?
— Ou deite-se, se preferir.
Vanessa deixou o desenho de lado, parecendo desconcertada. Não esperava que ele pedisse para ela posar ali mesmo, naquele momento. No entanto, parecia curiosa e, sem protestar, ajeitou-se de forma desajeitada na beirada da cama.
River Ross apoiou o cotovelo no braço da cadeira, como talvez fizesse ao desenhar no convés de um navio. Traçou a composição inicial com alguns golpes rápidos e depois olhou para Vanessa por cima do papel.
— Como você quer ser lembrada?
— Eu?
— Imagine que este é um retrato que não será descoberto por cem anos.
— Essa é difícil…
— Use sua imaginação.
Vanessa franziu a testa pensando por um momento, e então seus olhos se iluminaram.
— Uma agente dupla?
— …É isso o que quer ser?
— Sim. Só uma vez na minha vida.
Uma expressão de incredulidade perplexa passou pelo rosto dele. Vanessa não conseguiu conter o riso abafado. Ele era um militar, afinal de contas, um oficial da marinha famoso por sua lealdade à coroa. As palavras dela deviam soar absolutamente bizarras para ele.
Ela considerou a ideia mais a fundo e depois abriu os dedos como garras.
— Ou talvez algo realmente assustador? Com garras e dentes afiados.
— Que tipo de monstro é esse…?
— Tudo bem, um monstro. Meu nome é um pouco parecido com isso de qualquer forma.
O olhar de River Ross suavizou-se enquanto a observava relaxar. Um sorriso brincava em seus lábios.
— Esse é um nome dado a você pelo Conde anterior?
— Não. Minha mãe.
Siren. Ele achará um nome incomum para uma nobre desde o momento em que o ouvira pela primeira vez. As pessoas geralmente não davam nomes de monstros aos filhos, a menos que fosse para ser uma maldição. Como se compelida a responder à pergunta não dita nos olhos dele, Vanessa falou:
— Ela viu uma mulher à beira-mar quando estava grávida de mim.
— Uma mulher?
— A mulher acenou para que ela se aproximasse e, quando deu por si, estava com a água na altura da cintura. Os pescadores a puxaram para fora bem no momento em que estava prestes a ser arrastada pelas ondas. Disseram que ela fora atraída por uma sereia.
— ….
— E a alertaram para nunca se aproximar do mar quando o inverno estivesse chegando. Disseram que aqueles que viram uma sereia continuarão a encontrá-la.
— ….
— Minha mãe achou a história fascinante e se lembrou dela. Ela adorava histórias assim.
— Mantenha essa posição.
Um sorriso tênue, quase imperceptível, tocou os lábios dele como uma névoa fina. A ordem dele, pronunciada como se fosse para capturar um momento passageiro, trouxe a tensão de volta ao corpo dela.
— Vire a cabeça para cá.
Vanessa virou a cabeça de forma desajeitada para olhá-lo. Seu rosto congelou novamente, e River Ross riu baixo.
— Incline o queixo um pouco para cima.
Ela ergueu o queixo ligeiramente. Havia se reclinado contra a cama, com a postura relaxada. O olhar de River Ross, alternando entre ela e o bloco de desenhos, era sério.
Foi então que percebeu que o encarava vestida apenas com um roupão amarrado de forma frouxa. O tecido úmido grudava no corpo, revelando as curvas de suas formas sob o pano fino. Ela não usava nada por baixo.
