Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 90

Capítulo 90

Tradução: Gheo

Capítulo 90


– Até uma velha confinada aos próprios aposentos tem ouvidos. Não estou aqui para repreendê-lo por isso. Considerando a época, provavelmente foi a melhor escolha que você poderia ter feito.

– …

– No entanto, o mundo sempre encontrará defeitos. Para provar seu patriotismo, você pode até ser forçado a abandonar seu nome de família, como aconteceu com os Windsor.

De fato, o próprio nome Battenberg era estrangeiro em Ingram. Fora o sobrenome adotado pelo Ducado de Ehrmann quando buscou refúgio no país, décadas atrás. Por mais leais que eles fossem a Ingram, o que não representava um problema em tempos de paz, muitas vezes precisava ser comprovado em tempos de guerra.

Assim eram aqueles tempos. Décadas de paz haviam enchido os cofres do reino, as fronteiras estabelecidas ao longo dos séculos pareciam opressivas, e o derramamento de sangue que garantiu a segurança daquelas terras havia se tornado uma lembrança distante para a maioria da população. Viviam em uma era em que a conquista de uma simples ilha era anunciada como guerra, e heróis fabricados eram exibidos para inflamar um patriotismo superficial entre os jovens.

Em tempos como aqueles, até a menor faísca podia desencadear uma guerra. Até mesmo os jornaleiros comentavam sobre o clima político instável.

– Nos tempos atuais, o casamento é a maneira mais eficaz de demonstrar nossa lealdade.

– …

– Estas são as coisas que Hayley me enviou.

A mudança repentina de assunto pegou Theodore de surpresa. Ele olhou para a caixa rasa que a velha senhora lhe estendeu. Dentro havia uma coleção de pequenos objetos.

– Ela vinha com frequência fazer companhia a esta velha senhora durante sua ausência. Não sei o quanto a magoei com meu preconceito inicial.

– …

– Os Morton são uma das famílias fundadoras de Ingram e possuem uma reputação impecável. Se você realmente se recusa a casar com alguém da família real, ela é a melhor opção. Eu ficaria satisfeita com essa escolha.

– Vovó.

– Encontre-se com ela três vezes. Depois disso, respeitarei sua decisão.

Theodore observou os objetos que Grace havia disposto diante dele com uma mistura de incredulidade e descrença. Eram lembranças desprovidas de qualquer valor aparente: flores secas, uma cópia manuscrita de um raro livro de poesias, uma folha caída preservada sem motivo aparente, um lenço bordado com um pássaro de plumagem colorida e…

Uma fotografia.

“Pense em mim sempre que olhar para isto.”

A inscrição abaixo da fotografia prendeu seu olhar por um instante. Em seguida, seus olhos se estreitaram. O que passara despercebido quando ela estivera sentada diante dele agora se destacava com clareza impressionante, eternizado na imagem.

As cores desbotadas realçavam seus traços. O rosto da mulher, voltado diretamente para a câmera com um sorriso radiante, despertou uma lembrança há muito esquecida. Involuntariamente, Theodore estendeu a mão e cobriu os olhos da mulher na fotografia.

À medida que a vaga sensação de desconforto crescia, ele soltou uma risada baixa.

Agora eu entendo. Por isso minha avó insistia tanto em me aproximar daquela mulher. Por isso o rosto sorridente de Hayley Morton me causa tanto incômodo.

Morton era o sobrenome de solteira de sua mãe.



– Haah…

A penetração foi um pouco difícil no começo. Vanessa soltou um gemido suave, enquanto seus dedos se agarravam aos lençóis.

Já haviam se passado três dias inteiros desde a última vez que se encontraram. Beijaram-se como se quisessem saciar uma sede antiga, agarrando-se um ao outro como se tentassem aliviar as feridas adquiridas em seus mundos separados. Como jovens animais lambendo as feridas um do outro. O amor entre eles se prolongou até o amanhecer.

Ele mordiscou delicadamente seus mamilos inchados, roçando os dentes sobre a pele sensível. Tendo acabado de voltar da capital, estava mais apressado do que de costume em todos os sentidos. Era tão diferente do ritmo habitual dos dois que, na escuridão, onde ela mal conseguia distinguir seus traços, sentiu-se quase como se estivesse nos braços de um estranho.

– Ahh… ah…

Ela mordeu o lábio para conter um gemido, e o movimento dele cessou. Com delicadeza, ele afastou o lábio que ela pressionava entre os dentes com o polegar.

– Dói?

Vanessa balançou a cabeça, os olhos marejados.

Eu prefiro a dor. Ela afasta os pensamentos confusos que me atormentam, mesmo que seja apenas por um instante. Eu não me importaria se ele me machucasse ainda mais.

– Continue… exatamente assim…

– Diga-me se doer. Não guarde isso para si.

– Está tudo bem… hum… está…

Ela entrelaçou as pernas em volta da cintura dele, incentivando-o com um movimento instintivo. Os braços de River Ross, apoiados sobre a cama, se enrijeceram. A cautela inicial desapareceu, e ele voltou a penetrá-la em movimentos profundos e repetidos. Gemidos incontroláveis escaparam dos lábios entreabertos de Vanessa.

– Nn… mm! Ahh… ah… ahn!

Ela ergueu a mão para cobrir os olhos ardentes, mas ele imediatamente segurou seu pulso e o afastou, como se não permitisse que ela escondesse qualquer coisa dele. Vanessa fitou River Ross através das lágrimas. O rosto do homem que se movia sobre ela era de uma beleza estonteante. Parecia corado, radiante e belo. Como aquele verão intenso e doloroso.

– Hhh… ah!

– Eu queria que seu cabelo fosse tão comprido quanto o meu.

Ele abaixou a cabeça ao ouvir o murmúrio quase imperceptível que escapou dela em meio aos espasmos de prazer, como se estivesse determinado a não perder uma única palavra.

Ela falava sério. Desejava que o cabelo dele fosse muito comprido, e o dela também, para que pudessem entrelaçá-los, unindo-se um ao outro.

Como duas árvores cujas raízes se encontram e se entrelaçam. Como forjar um laço inquebrável que duraria para sempre.