Tradução: Gheo
Capítulo 89
– Pensei que você já tivesse desistido desta velha.
Theodore soltou uma risada baixa e sentou-se diante da velha senhora. Seus dedos longos e elegantes envolveram o copo d'água com uma graça natural. Ele tomou um gole como se degustasse uma bebida refinada e, em seguida, pousou o copo sobre a mesa com um leve sorriso.
– Você mandou Edgar, e até enviou uma moça, e ainda diz estar surpresa com a minha visita? Sua brincadeira está passando dos limites, vovó.
– Então você conheceu Hayley. O que achou dela?
– Não sabia que a senhora pretendia promover uma Morton em vez de alguém da família real.
Sua postura era impecável, o rosto harmonioso e perfeito, o porte elegante e vigoroso, uma verdadeira obra-prima. Os olhos de Grace, fixos no neto, revelavam um orgulho evidente, mesmo em meio à crescente frustração.
– Mesmo aos olhos de um homem, ela é encantadora.
Naquele instante, o mordomo colocou uma xícara de chá diante de Theodore. O jovem duque, mantendo o olhar baixo, sorriu de repente, como se uma lembrança agradável lhe tivesse vindo à mente.
Ele não demonstrava o menor interesse quando ela mencionou Hayley Morton. Ainda assim, aquele pequeno sinal de reação trouxe um pouco de cor ao rosto enrugado da velha senhora.
– Se a considerar adequada, retirarei a proposta de casamento da família real.
– Ela não é adequada. E eu agradeceria se a senhora também recusasse a proposta da família real. Pelo bem da honra da princesa, que já foi manchada por ter sido rejeitada por um mero oficial da Marinha.
– Você detesta tanto a ideia de se casar com a princesa?
– Deixe-me fazer uma pergunta. Um casamento com um membro da família real é realmente necessário para a família?
– Para os Battenberg, não.
– Então…?
– Para o duque, sim.
Dois pares de olhos azuis idênticos se encontraram, presos em um impasse tenso e inflexível. Seu neto astuto parecia ter compreendido as palavras que ela não ousara dizer.
Que apenas uma princesa seria suficiente para fazê-lo sequer considerar o casamento. Que, mesmo que fosse arrastado ao altar aos gritos e pontapés, somente uma princesa bastaria para impedir que a família real interferisse nos assuntos pessoais do duque.
– …
Incapaz de suportar o silêncio prolongado, Grace levou lentamente a xícara de chá aos lábios.
– Já que você está aqui, por que não conhecer a princesa? Não fique preso às lembranças da infância. Ela se tornou uma bela jovem.
– Eu me recuso.
A xícara de chá, descrevendo um elegante arco, permaneceu suspensa por um breve instante. Grace apertou os dedos ao redor da porcelana antes de pousá-la cuidadosamente sobre o pires.
– Você está determinado em acabar com a nossa linhagem?
– Eliminar um ramo não significa acabar com a linhagem da família. Não é como se não houvesse alternativas.
– …Theodore, por favor.
Um toque de desespero infiltrou-se em sua voz, normalmente tão controlada. Diante do apelo sincero da avó, Theodore desviou o olhar da mesa.
– Sabe…
Um sorriso discreto surgiu em seus lábios, até então inexpressivos.
– A senhora só me chamava assim quando queria alguma coisa de mim. E eu, tolamente, sempre me deixava influenciar.
– …
Grace conteve um suspiro. Ele era seu único neto, o menino dos seus olhos. Ela o criara desde pequeno, mas o peso que ele carregava por causa dos erros dos pais era imenso. Para impedir que sucumbisse a esse fardo e repetisse os fracassos do pai, escolheu ser uma mentora rigorosa em vez de uma avó afetuosa. Não queria que ele se tornasse um homem fraco, disposto a desperdiçar a própria vida por amor. Talvez esse tivesse sido o seu maior erro…
– A senhora não vai mais conseguir me convencer desse jeito.
Assim como Theodore antecipara as palavras da avó, Grace compreendeu tudo o que ele deixou subentendido. Que ele passara anos vivendo como um fantoche, apaziguado por demonstrações ocasionais e superficiais de afeto. Que acreditara que uma recompensa maior o aguardava se apenas elevasse o nome da família, se apenas se tornasse o duque perfeito.
Theodore era sua obra-prima. Mais Battenberg do que qualquer outro membro da família que ela já havia criado. Superava até mesmo o seu marido e o próprio filho. Finalmente. Um breve lampejo de arrependimento atravessou os olhos enrugados de Grace, mas logo foi substituído por uma determinação renovada.
– …Você deve se lembrar do quanto me opus às suas aspirações de ingressar na Marinha, abandonando o futuro que já lhe estava garantido.
– Servir nas Forças Armadas é uma honra. Não me arrependo.
