Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 88

Capítulo 88

Tradução: Gheo

Capítulo 88


– O fornecedor virá amanhã. Ele informou que o cronograma é apertado, mas que consegue lidar com a situação se os canais de distribuição forem ajustados.

– Isso é bom.

– Já avisei o almirante de que irei lá amanhã à tarde. Essa papelada é a última das questões urgentes.

– Excelente. Bom trabalho.

O velho curvou-se respeitosamente, apesar do breve elogio. Então, como se tivesse acabado de se lembrar de algo, acrescentou:

– Ah, houve algumas informações a respeito da jovem sobre a qual o senhor perguntou anteriormente.

– Jovem?

– Senhorita Vanessa de Somerset.

A mão que folheava os papéis parou. Ele quase havia se esquecido do pedido.

O jovem duque manteve a postura ereta, sem demonstrar qualquer reação, mas o mordomo de Battenberg sabia que ele aguardava a resposta.

– De resto, tudo parece estar em ordem, mas existem algumas irregularidades relativas à herança. O herdeiro foi alterado abruptamente cerca de um mês antes do falecimento do antigo Conde e da Condessa de Somerset. O testamento foi lavrado por escritura pública, sem passar pelo processo de homologação.

– E o advogado que autenticou o documento?

– O nome dele é George Heather, mas seu paradeiro atual é desconhecido. Ele está registrado na Solicitors Regulation Authority, no entanto…

– …

– Devo investigar mais a fundo?



– Não me lembro de ter lhe dado permissão para se sentar.

A presença do mordomo ainda parecia pairar no ambiente quando uma mulher se sentou graciosamente à sua frente. Ela parecia despreocupada com as dobras soltas do robe que se acumulavam no chão.

– Não vim pedir permissão.

– De alguém a quem você nunca foi apresentada formalmente?

– Ah, certamente você não se esqueceu de mim, certo?

Uma pequena mão branca voou até a boca em um suspiro teatral. O olhar de Theodore acompanhou o movimento, e uma lembrança não tão distante veio à tona. Os traços da mulher permaneciam vagos, mas ele se lembrava vividamente de seu pescoço pálido e esguio.

Naquela antiga estação de trem, ao lado de Edgar, fazendo uma reverência…

– Meu nome é Hayley. Hayley G. Morton.

Theodore olhou fixamente para a mão estendida sobre a mesa. Imperturbável diante da rejeição evidente, Hayley recolheu a mão.

Seus cabelos, presos em um coque impecável que realçava o pescoço, eram impressionantes. O decote profundo da blusa intensificava ainda mais esse efeito.

Se aquilo havia sido ensaiado, era descarado. Se era uma provocação calculada, ela claramente entendia os homens. Ou, pelo menos, queria dar essa impressão.

– Estou curioso para saber como você conseguiu entrar aqui.

O lugar era significativo. Tratava-se do clube mais exclusivo de Lyndon, reservado apenas para membros, onde pessoas sem títulos eram terminantemente proibidas de entrar.

Hayley Morton olhou ao redor antes de se inclinar para a frente, em tom conspiratório.

– Você está mesmo curioso?

Ele sustentou o olhar dela em silêncio. Os olhos redondos da mulher se estreitaram em um sorriso.

– A pessoa que administra este estabelecimento me deve um pequeno favor.

– É evidente que você não tem jeito para negociação. Desperdiçar um favor de uma das figuras mais influentes de Lyndon com algo assim…

– Confio que você quitará o restante do preço.

Theodore soltou uma risada seca diante da resposta audaciosa. Uma mecha de cabelo escuro caiu sobre sua testa, e ele a afastou com um gesto impaciente.

– Como você sabia que eu estava aqui?

Para surpresa dele, a mulher descarada pareceu momentaneamente perturbada.

– …Eu não gostaria de mentir para você. A confiança entre nós é importante.

– Existe alguma confiança entre nós?

– Não estou simplesmente exigindo pagamento. Tenho uma proposta.

Theodore esfregou os olhos com a mesma mão que usara para afastar o cabelo do rosto. Era uma pergunta idiota. Sem dúvida, aquilo era obra de Edgar. Suas recentes e irritantemente minuciosas investigações deviam ter sido uma preparação para aquilo.

Um garçom chegou e colocou chá e creme diante de Hayley Morton. Ela pegou a xícara com um sorriso cúmplice.

– Certamente você me oferecerá uma xícara de chá depois de eu ter vindo de tão longe.

Ele assinou a conta apresentada pelo garçom e se levantou.

– Tome seu chá e vá embora. Vou relevar isso por causa de Edgar.

– Sem nem sequer ouvir minha proposta?

Ela inclinou a cabeça graciosamente e piscou. Theodore jogou o paletó sobre o braço e se virou para sair. Parou abruptamente ao ouvir as palavras seguintes.

– Você está mesmo saindo com alguém, não é? Aquela mulher do Sul.

Era uma questão trivial, algo que ele normalmente descartaria com um sorriso irônico.

– Se isso for verdade, você vai precisar de mim em breve.

Theodore se virou, com a irritação estampada no rosto. Hayley Morton, que o observava atentamente, agora exibia um discreto sorriso.

– Exatamente como eu preciso de você.