Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 85

Capítulo 85

Tradução: Emma

Capítulo 85


— Minha senhorita, está aqui.

— Obrigada, Mary.

Vanessa sorriu de leve ao receber o envelope grosso das mãos de Mary. A criada apenas assentiu, mantendo a expressão impassível, e deixou o quarto em silêncio. Fazia pouco mais de duas semanas que Mary começara a enviar manuscritos e visitar a editora em Bath em nome de Vanessa. Tudo por causa de dinheiro. A condição do irmão mais novo dela havia piorado, e as despesas do hospital já ultrapassavam o que o salário de uma criada podia sustentar.

— A senhorita vai me pagar por isso?

Vanessa queria ajudá-la com cada centavo que pudesse economizar, por menor que fosse a quantia. Mas Mary recusara categoricamente, dizendo que não havia motivo para aceitar dinheiro dela. Talvez fosse sua consciência pesando. Afinal, ela já recebia um salário maior do que o das outras criadas justamente para vigiar Vanessa.

— Para mantê-lo no quarto atual, preciso de cinco libras extras por semana... Não, é melhor eu recusar. E se eu perder a coragem quando a senhora tentar fugir? Este é o meu sustento.

— Eu não vou fugir, Mary.

— Todas dizem isso. Mas, se a senhorita soubesse quantas jovens fogem com seus amantes pouco antes do casamento, não falaria uma coisa dessas.

— Olhe só. É uma carta da editora.

Mary recebeu a carta com profunda desconfiança, como se estivesse segurando um explosivo prestes a detonar. Depois de lê-la, voltou os olhos para Vanessa, completamente perplexa.

— A senhorita realmente escreveu este romance?

— Sim. Eu pagava o leiteiro para enviar o manuscrito por mim. Se você assumir esse trabalho, posso lhe dar o dinheiro que costumava pagar a ele.

— O leiteiro... Então era por isso...

— Se meu tio descobrir que consigo ganhar meu próprio sustento, talvez reconsidere esse casamento. Neste caderno registrei todos os direitos autorais que recebi até agora. Tenho economizado um pouco todos os meses para convencê-lo, separando apenas o necessário para as mensalidades da universidade.

Na verdade, boa parte do dinheiro reservado para a universidade havia sido gasto nos presentes para Rosalind e Blair. A lembrança do pingente e das abotoaduras perdidos provocou uma pontada de arrependimento.

— A senhorita conseguiu economizar bastante.

— Estava ficando cada vez mais difícil encontrar o leiteiro sem chamar atenção, e ele só passa às quartas-feiras. Então, Mary, eu esperava que pudesse me ajudar...

Desde então, Mary vinha assumindo pequenas tarefas para ela. Todas as manhãs, entregava os manuscritos ao carteiro, escapando da vigilância constante do tio Wyatt. Nos fins de semana, quando Vanessa visitava o irmão de Mary, a criada aproveitava para buscar as provas revisadas na editora. Como fizera naquele dia.

Vanessa respirou fundo, organizou os pensamentos e abriu cuidadosamente o envelope com uma espátula de papel. No canto da primeira página do manuscrito havia uma breve observação do editor.

Sua escrita sobre relacionamentos aprofundou-se consideravelmente. O primeiro encontro da Senhorita Welsh com o "oficial da marinha", um suspeito de assassinato, também foi impressionante. Presumo que descobriremos o nome desse personagem intrigante quando eles se encontrarem novamente?

A cena em que eles ficam presos no pequeno provador, e em que a Senhorita Welsh finge não tocar o peito do "oficial da marinha", foi particularmente...

— Minha senhorita.

Assustada, Vanessa guardou o manuscrito às pressas. Não era exatamente uma leitura apropriada para aquela hora da manhã. E, de todos os trechos possíveis, justo aquele... Ela abanou as bochechas coradas e ergueu o olhar.

— Hum, o que... Houve?

A criada que acabara de entrar arregalou os olhos, aparentemente surpresa com a reação desconcertada de Vanessa.

— Eu bati, mas a senhorita não pareceu ouvir... O véu importado de Colônia acabou de chegar. Gostaria de experimentá-lo agora?

— Agora?

— A senhorita Rosalind está esperando na sala de estar.

Vanessa hesitou por um instante, recuperou a compostura e guardou a carta como se nada tivesse acontecido.

— Sim... Diga a ela que descerei em breve.

— Muito bem, minha senhora.

A criada fez uma reverência educada e deixou o quarto. Vanessa acompanhou sua saída com o olhar, tomada por uma estranha sensação. Ultimamente, os empregados da Mansão Gloucester vinham tratando-a de maneira diferente. Embora alguns ainda a enxergassem como uma bomba-relógio, um número cada vez maior de criadas demonstrava gentileza. Algumas sorriam quando seus olhares se encontravam e pareciam sinceramente felizes quando ela dividia os doces que recebia de presente. Até mesmo creme de confeiteiro, seu favorito, começará a aparecer como sobremesa no jantar...