Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 8

Capítulo 8

Tradução: Emma

Capítulo 08


Enquanto o observava, o homem tirou um cigarro do bolso e o acendeu — um ato escandalosamente desrespeitoso em um jardim seco e negligenciado. Assustada, se agarrou ao batente da janela. Creeec. As dobradiças gemeram sob o movimento repentino.

O homem ergueu a cabeça abruptamente. Seus olhos se encontraram, olhos escuros e profundos como o oceano. Por um momento, Vanessa sentiu uma estranha falta de ar, como se tivesse sido pega fazendo algo errado.

….

O olhar dele percorreu lentamente sua figura. Vanessa mordeu os lábios até que perdessem a cor. Não conseguia desviar os olhos. Era inacreditável que um simples trabalhador ousasse fitá-la com tamanha ousadia… E, ainda assim, ela estava estranhamente curiosa sobre como parecia aos olhos dele naquele instante.

— Vanessa.

A voz de Blair atrás dela a fez se sobressaltar. Seu coração disparou, como se tivesse sido flagrada em algum ato proibido.

— Sim?

— O que houve com você?

— Ah, nada…

Sua reação deve ter parecido suspeita, porque Blair caminhou até ela e se colocou ao seu lado. Enquanto ele espiava cuidadosamente pela janela, Vanessa inconscientemente mordeu o lábio e entrelaçou as mãos.

Por que estava tão nervosa? Era apenas um trabalhador se infiltrando no jardim. Se alguém fosse repreendido, seria ele.

Um instante se passou, parecendo uma eternidade. Então, Blair soltou uma risada curta e despreocupada.

— Não há absolutamente nada ali.

— O quê?

— Era um gato ou algo assim?

…Não tinha nada ali? Impossível. Vanessa olhou desesperadamente pela janela, mas o lugar sob a árvore onde o homem estivera parado estava vazio. Como se fosse um fantasma criado pela névoa trêmula do calor do verão.

Quem era ele? Ela repetiu em silêncio a pergunta que não conseguia se obrigar a fazer em voz alta.

— Falando nisso, Enoch enviou um convite para um chá. — Rosalind, que havia tocado a campainha várias vezes à procura da criada eternamente ausente, falou em um tom estranhamente animado. Blair, que estava prestes a pegar a xícara de chá novamente, enrijeceu ligeiramente.

— Enoch Berkshire? Ele está aqui no sul? E quanto ao oficial superior que ele vivia seguindo?

— Ele desapareceu completamente por algum motivo. As especulações dizem que está em algum lugar ao sul. Pelo menos é o que minhas fontes dizem.

— Quem desapareceu? — Ainda perdida em um estado quase sonhador, Vanessa perguntou vagamente. Havia se intrometido na conversa por impulso, atraída pelo assunto desconhecido. Acabara de ver um homem estranho em um jardim familiar e, de alguma forma, aquilo lhe parecia conectado.

— O Duque de Battenberg. — Rosalind pronunciou apenas o nome, como se aquela única palavra fosse suficiente para explicar tudo, inclusive sua empolgação incomum.

Vanessa piscou, confusa. Rosalind, percebendo o descuido, acrescentou rapidamente:

— Ah, havia me esquecido completamente de que você ainda não fez sua estréia na sociedade… É compreensível que não esteja familiarizada com ele.

— Vanessa passou a maior parte das férias enterrada em livros no internato. Não é de se admirar que não saiba. Além disso, a única imagem conhecida publicamente do duque é uma fotografia tirada no funeral da mãe dele, quando tinha oito ou nove anos.

— Sim, aquela fotografia famosa. Mesmo naquela época, já tinha um rosto que prometia um futuro extraordinário.

— Que elogio generoso, Rosalind.

— Ele raramente participa de eventos sociais, então só o vi uma vez, de longe. É um verdadeiro deleite para os olhos. Faz vinte e três anos esse ano. Voltou do Principado de Hesse há cerca de seis anos, formou-se na Academia Naval Real e atualmente serve como Tenente-Comandante. — Após sua avaliação altiva, Rosalind corou subitamente e acrescentou: — Dizem que está procurando uma esposa durante esta licença. Parece que recebeu férias prolongadas por seus serviços distintos na Batalha de Potsdam.

Algo se agitou vagamente na memória de Vanessa. A manchete do jornal que as garotas do internato passavam umas para as outras: “O Herói da Batalha de Potsdam.” Não era um assunto que lhe despertasse interesse, mas se lembrava de que ele era imensamente popular.

— As jovens da capital devem estar terrivelmente desapontadas. O que ele poderia encontrar de interessante nesse Sul tão tedioso? — Rosalind cutucou Blair de lado enquanto lançava um olhar para Vanessa. Vanessa, naturalmente, não se importava nem um pouco. Concordava de todo o coração que o sul era entediante.

Uma região resistente às mudanças e lenta em aceitar qualquer novidade. Apostaria sua caneta-tinteiro favorita que o sul, e Gloucester em particular, seria o último lugar de todo Ingram a receber eletricidade.

De qualquer forma, Vanessa rapidamente perdeu o interesse pelo assunto. O homem do cigarro, um hábito típico dos criados, não poderia ser o cavalheiro das colunas sociais.

— O que um homem daquele tipo estaria fazendo tão longe, aqui no sul?

— Quem sabe? — Blair zombou cinicamente. — Talvez tenha enlouquecido e desenvolvido alguma excentricidade repentina.