Tradução: Emma
Capítulo 07
— Eu a ajudarei no que puder, seja para fugir ou desaparecer.
— Se isso realmente acontecer, vocês serão os primeiros suspeitos. — respondeu Vanessa com uma risada leve, quase brincalhona. Mesmo que, por algum milagre, eu conseguisse escapar sem deixar rastros, Wyatt seria o tipo de homem que a procuraria implacavelmente, mesmo que levasse uma vida inteira. Seu tio era geralmente incompetente, mas suas conexões perigosas eram bem reais.
Todos aqueles vagabundos, jogadores, mensageiros suspeitos e membros de gangues… Ela não sabia com que tipo de pessoas ele havia se envolvido durante seu exílio da família, mas os “negócios” do tio pareciam alcançar alguns cantos bastante sombrios. Embora não pareçam ser muito lucrativos.
Segundo o próprio tio, havia herdado uma montanha de dívidas da família. Alegava que a situação era tão grave que nem mesmo a venda completa da propriedade, tanto da mansão quanto da residência na capital, seria suficiente para cobri-las. Todas as terras capazes de gerar renda já haviam sido confiscadas pelo banco, e as relíquias da família tinham sido vendidas e desperdiçadas.
Agora, a única “mercadoria” restante que os Somerset podiam vender era a própria Vanessa. Por volta da época em que os fofoqueiros começaram a comentar sobre a beleza da senhorita Somerset, o foco de seu tio havia se concentrado em um único objetivo: vender seu último bem valioso pelo maior preço possível.
— Há muitas pessoas no mundo ansiosas para adquirir um título de nobreza, mesmo que seja apenas de nome. Enquanto meu valor no mercado matrimonial não despencar, meu tio não desistirá.
— Mesmo assim, precisa de algum espaço para respirar. Não deixe que ele a empurre para outro plano precipitado e mal pensado caso se sinta encurralada.
— Como naquele incidente em que fugiu quando tinha quatorze anos. — acrescentou Blair, com um sorriso malicioso. Mortificada, Vanessa sentiu as bochechas corarem.
— Isso foi há séculos… E nem foi uma fuga. Só fui visitar meus pais no Cemitério Melvin, no aniversário da morte deles.
— Chame do que quiser, você desapareceu por três dias e acabou sendo trazida de volta pela polícia.
— Bem, sim, mas…
— Às vezes ela fica estranhamente corajosa. — Rosalind se remexeu desconfortavelmente na cadeira rígida, tentando encontrar uma posição menos dolorosa. Honestamente, se não fosse por sua preocupação com Vanessa, ela não permaneceria naquele lugar horrível nem por um dia.
Mesmo entre a aristocracia em decadência, os Somerset estavam em um nível à parte. A maior parte dos móveis do castelo estava danificada, e cada uma das pinturas de paisagem nos corredores era uma falsificação.
Tudo o que restava era o esforço desesperado de sobreviver com os fragmentos da glória desbotada da família. E aquele abandono cuidadosamente cultivado… nenhuma família aristocrática respeitável trataria parentes ou convidados daquela maneira.
— Está quente. Abra mais a janela. — Ao pedido preguiçoso de Rosalind, Vanessa escancarou a janela entreaberta. Uma rajada de vento fez as cortinas brancas ondularem para dentro. O ar ainda era fresco, mas o sol já tinha a intensidade do auge do verão. Vanessa puxou uma cadeira e se apoiou no parapeito, preguiçosa como um gato.
A atenção dos gêmeos havia mudado para suas dissertações, fofocas da sociedade e conversas triviais. Vanessa deixou que as vozes deles se misturassem ao fundo enquanto observava o jardim embaixo.
A janela da sala era um de seus lugares favoritos na mansão de Gloucester. Dali, podia contemplar o jardim de rosas de sua mãe. Havia sido negligenciado por tanto tempo que era difícil imaginar seu antigo esplendor, mas uma beleza silenciosa ainda permanecia.
Os choupos e moitas de urze emaranhados e crescidos demais, o galpão onde eram guardadas as ferramentas de jardinagem, as rosas silvestres que em breve floresceriam em abundância e…
Foi então que ouviu um farfalhar abaixo da janela. Vanessa se endireitou, erguendo a cabeça do parapeito. O jardim de rosas normalmente era deserto. Será que o senhor Ross, o jardineiro, já havia voltado? Ele dissera que iria à estação de Bath buscar o sobrinho, que o ajudaria durante as férias.
Talvez algum trabalhador desavisado tivesse invadido o jardim de sua falecida mãe. Ainda se perguntava o que fazer quando um homem desconhecido emergiu dos arbustos. As mangas estavam arregaçadas até os cotovelos, como se estivesse trabalhando, e seus cabelos negros como a noite estavam desalinhados. A folhagem exuberante lançava uma sombra sobre metade de seu rosto.
Quem é aquele? Vanessa prendeu a respiração enquanto o observava. Na sombra das árvores, o homem parecia um predador à espreita. Ela teve a nítida impressão de que ele estava tentando evitar ser visto.
