Tradução: Emma
Capítulo 76
À medida que o policial se afastava, Vanessa voltou-se para River Ross.
— Theo… Tipo, Theodore?
Theodore, que também observava o oficial se distanciar, sobressaltou-se. A respiração ficou presa em sua garganta. Sua postura relaxada se enrijeceu, e a tensão pareceu tomar conta do ar ao redor. Ele baixou a cabeça com uma rigidez incomum e a encarou.
— …O quê?
— A assinatura que acabou de usar. Essa grafia é um apelido para Theodore.
Depois de toda aquela reflexão silenciosa, era essa a conclusão a que ela chegara. Completamente alheia ao efeito que suas palavras provocavam nele.
— Então, Theo.
Era apenas um apelido, mas bastou para deixá-lo com os nervos à flor da pele. Ninguém o chamava assim desde os dez anos de idade. Nem mesmo sua avó ousava fazê-lo; mesmo quando estava furiosa, ele continuava sendo "Theodore".
Um verdadeiro chefe de família não podia ser tratado com tamanha intimidade. Theodore engoliu em seco. Vanessa, observando-o com curiosidade, sorriu de maneira cúmplice, como se tivesse entendido tudo, quando na verdade não sabia absolutamente nada.
— Há quanto tempo você pensava em usar esse nome?
Ele voltou a engolir em seco, reconhecendo a sensação estranha e desconhecida que pulsava em seu peito. Poderia ter usado qualquer nome, até mesmo "River Ross". Mas escolher deliberadamente um fragmento do próprio nome fora um impulso egoísta.
Ele queria ouvi-la pronunciar seu nome com aqueles pequenos lábios. Porque as pessoas que costumavam chamá-lo assim já não estavam mais ali.
— Há muito tempo.
Uma razão tão simples.
— Há quanto tempo planejou toda essa farsa? Você até tinha um nome falso preparado.
Tomado por uma urgência repentina, ele segurou a mão dela. Um automóvel, uma carruagem… Qualquer lugar serviria, desde que pudesse ficar a sós com ela. Agora.
Guiada por sua mão, Vanessa mantinha a expressão inocente de quem ainda acreditava estar ao lado de "River Ross". Sem imaginar que ele era o amigo de infância que perdera e, ao mesmo tempo, o trapaceiro mais cruel que já conhecera.
Foi por isso que ela o seguiu sem hesitar até aquela parte deserta da rua.
Na entrada de um beco escuro, Theodore segurou seus pulsos e a pressionou suavemente contra a parede. Assustada, Vanessa arregalou os olhos ao fitá-lo. A facilidade com que ela se rendia despertou nele uma satisfação instintiva.
— River, por que…
Os grandes olhos cinzentos refletiam sua própria imagem: desajeitado, confuso e consumido por uma intensidade febril que surpreendia até a si mesmo. Seus dedos apertaram um pouco mais os pulsos dela.
— Vanessa.
Ele queria tocá-la, senti-la junto de si, ouvir seu coração bater contra o próprio peito. Queria entrelaçar suas vidas, ainda que fosse apenas por um instante.
Podia sentir a pulsação dela acelerar sob seu toque. Adorável. Fascinante. Precisou inclinar-se bastante para alcançar sua orelha.
— Siren.
Usou o sobrenome reservado à família dela, espelhando a farsa que ela lhe impusera. O belo rosto de Vanessa vacilou, como se estivesse prestes a desabar em lágrimas. Mesmo sob a iluminação fraca, ele distinguia cada detalhe: os cílios trêmulos, a respiração acelerada, o rubor que se espalhava por suas bochechas. Era quase possível sentir o turbilhão de emoções que a dominava.
Ele abaixou a cabeça e capturou delicadamente seu lábio inferior trêmulo. Foi apenas um toque leve, uma provocação suave, sem aprofundar o beijo. Ainda assim, dali nasceu um calor que rapidamente se espalhou entre os dois.
— Espere, só… Um mo…
— Por quê?
— As pessoas… Podem ver…
— Não podem.
— Você está mentindo.
— Meu corpo está bloqueando a visão delas.
O corpo pequeno e aquecido de Vanessa estremeceu contra o dele, carregando o calor do verão. O rosto corado dela era inebriante.
— Minha Siren.
A maquiagem levemente borrada a tornava ainda mais fascinante. Naquele instante, ele teria cometido qualquer loucura por ela.
Com delicadeza, pressionou o polegar contra seus lábios avermelhados. Bastaria uma ligação para o mordomo de Lyndon, e o ladrão, junto com todos os pertences dela, estaria em suas mãos em poucas horas. Será que ela sorriria ao receber tudo de volta? Um sorriso luminoso, igual ao de antigamente? Ou…
— Às vezes… Você é demais para mim. Tudo em você é maior.
A reclamação inocente dela rompeu completamente sua linha de raciocínio. Ele voltou a tomar seus lábios em um beijo impaciente e, naquele exato instante, fogos de artifício explodiram no céu, anunciando o início do circo.
