Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 76

Capítulo 76

Tradução: Emma

Capítulo 76


À medida que o policial se afastava, Vanessa voltou-se para River Ross.

— Theo… Tipo, Theodore?

Theodore, que também observava o oficial se distanciar, sobressaltou-se. A respiração ficou presa em sua garganta. Sua postura relaxada se enrijeceu, e a tensão pareceu tomar conta do ar ao redor. Ele baixou a cabeça com uma rigidez incomum e a encarou.

— …O quê?

— A assinatura que acabou de usar. Essa grafia é um apelido para Theodore.

Depois de toda aquela reflexão silenciosa, era essa a conclusão a que ela chegara. Completamente alheia ao efeito que suas palavras provocavam nele.

— Então, Theo.

Era apenas um apelido, mas bastou para deixá-lo com os nervos à flor da pele. Ninguém o chamava assim desde os dez anos de idade. Nem mesmo sua avó ousava fazê-lo; mesmo quando estava furiosa, ele continuava sendo "Theodore".

Um verdadeiro chefe de família não podia ser tratado com tamanha intimidade. Theodore engoliu em seco. Vanessa, observando-o com curiosidade, sorriu de maneira cúmplice, como se tivesse entendido tudo, quando na verdade não sabia absolutamente nada.

— Há quanto tempo você pensava em usar esse nome?

Ele voltou a engolir em seco, reconhecendo a sensação estranha e desconhecida que pulsava em seu peito. Poderia ter usado qualquer nome, até mesmo "River Ross". Mas escolher deliberadamente um fragmento do próprio nome fora um impulso egoísta.

Ele queria ouvi-la pronunciar seu nome com aqueles pequenos lábios. Porque as pessoas que costumavam chamá-lo assim já não estavam mais ali.

— Há muito tempo.

Uma razão tão simples.

— Há quanto tempo planejou toda essa farsa? Você até tinha um nome falso preparado.

Tomado por uma urgência repentina, ele segurou a mão dela. Um automóvel, uma carruagem… Qualquer lugar serviria, desde que pudesse ficar a sós com ela. Agora.

Guiada por sua mão, Vanessa mantinha a expressão inocente de quem ainda acreditava estar ao lado de "River Ross". Sem imaginar que ele era o amigo de infância que perdera e, ao mesmo tempo, o trapaceiro mais cruel que já conhecera.

Foi por isso que ela o seguiu sem hesitar até aquela parte deserta da rua.

Na entrada de um beco escuro, Theodore segurou seus pulsos e a pressionou suavemente contra a parede. Assustada, Vanessa arregalou os olhos ao fitá-lo. A facilidade com que ela se rendia despertou nele uma satisfação instintiva.

— River, por que…

Os grandes olhos cinzentos refletiam sua própria imagem: desajeitado, confuso e consumido por uma intensidade febril que surpreendia até a si mesmo. Seus dedos apertaram um pouco mais os pulsos dela.

— Vanessa.

Ele queria tocá-la, senti-la junto de si, ouvir seu coração bater contra o próprio peito. Queria entrelaçar suas vidas, ainda que fosse apenas por um instante.

Podia sentir a pulsação dela acelerar sob seu toque. Adorável. Fascinante. Precisou inclinar-se bastante para alcançar sua orelha.

— Siren.

Usou o sobrenome reservado à família dela, espelhando a farsa que ela lhe impusera. O belo rosto de Vanessa vacilou, como se estivesse prestes a desabar em lágrimas. Mesmo sob a iluminação fraca, ele distinguia cada detalhe: os cílios trêmulos, a respiração acelerada, o rubor que se espalhava por suas bochechas. Era quase possível sentir o turbilhão de emoções que a dominava.

Ele abaixou a cabeça e capturou delicadamente seu lábio inferior trêmulo. Foi apenas um toque leve, uma provocação suave, sem aprofundar o beijo. Ainda assim, dali nasceu um calor que rapidamente se espalhou entre os dois.

— Espere, só… Um mo…

— Por quê?

— As pessoas… Podem ver…

— Não podem.

— Você está mentindo.

— Meu corpo está bloqueando a visão delas.

O corpo pequeno e aquecido de Vanessa estremeceu contra o dele, carregando o calor do verão. O rosto corado dela era inebriante.

— Minha Siren.

A maquiagem levemente borrada a tornava ainda mais fascinante. Naquele instante, ele teria cometido qualquer loucura por ela.

Com delicadeza, pressionou o polegar contra seus lábios avermelhados. Bastaria uma ligação para o mordomo de Lyndon, e o ladrão, junto com todos os pertences dela, estaria em suas mãos em poucas horas. Será que ela sorriria ao receber tudo de volta? Um sorriso luminoso, igual ao de antigamente? Ou…

— Às vezes… Você é demais para mim. Tudo em você é maior.

A reclamação inocente dela rompeu completamente sua linha de raciocínio. Ele voltou a tomar seus lábios em um beijo impaciente e, naquele exato instante, fogos de artifício explodiram no céu, anunciando o início do circo.