Tradução: Emma
Capítulo 75
— Minha bolsa… Sumiu.
— Sua bolsa?
Vanessa assentiu, os dedos amarrotando a saia em um gesto que traía a compostura que tentava manter.
— O gatinho era tão pequeno… Apoiei minha bolsa no chão por apenas um instante…
Sua explicação hesitante deixava a situação clara. Entregaram-lhe o gatinho e, tomada pela surpresa, ela deixou a bolsa no chão. Quando voltou a pensar nela, já havia desaparecido. Ele resumiu tudo em poucas palavras:
— Você foi roubada.
— O que vou fazer? Os presentes dos meus amigos estavam lá dentro.
— Esqueça a ideia de recuperá-la.
— Não existe mesmo nada que possamos fazer?
Na prática, não. Seria mais fácil substituir tudo o que havia na bolsa. O silêncio dele pareceu confirmar os piores temores de Vanessa, e seus belos olhos se encheram de ansiedade.
— E se fizermos um boletim de ocorrência…
— É inútil. Eles não trabalham sozinhos.
— Mas, ainda assim… Talvez alguém a tenha encontrado e devolvido.
Percorrendo a rua com o olhar, Vanessa avistou um policial e correu até ele, acenando. Theodore apenas a observou enquanto colocava um cigarro apagado entre os lábios.
A tendência dela de acreditar no melhor das pessoas era, ao mesmo tempo, sua maior virtude e sua maior fraqueza. Talvez fosse um instinto de sobrevivência de quem sempre viverá em posição vulnerável. Afinal, naquele mundo, fingir não ver certas coisas às vezes era a forma mais segura de continuar vivendo.
E, ainda assim… Havia momentos em que se perguntava se Vanessa realmente era uma boa pessoa. O cinismo com que a julgara no início — afinal, quão boa poderia ser alguém que tentava comprar os outros com dinheiro? — havia desaparecido. Agora, sentia que a conhecia, ao menos um pouco.
Ela preferia cem livros a cem vestidos, gostava de cuidar do jardim de rosas e apreciava o silêncio da própria companhia mais do que as conversas vazias dos encontros sociais. Era uma nobre que sustentava a si mesma, dona de uma maneira de pensar singular, quase impertinente.
Eram justamente esses detalhes pequenos e aparentemente insignificantes que formavam a essência de quem ela era.
Abandonando a ideia de acender o cigarro, ele manteve o olhar fixo na mulher do outro lado da rua, parcialmente envolta pelas sombras da noite. A luz quente que escapava de uma loja próxima iluminava seu perfil enquanto ela explicava a situação ao policial com toda a seriedade.
Observou por um instante aquelas feições delicadas antes de atravessar a rua em sua direção.
— Foi há cerca de dez… Não, cinco minutos… Perto da barraca no fim daquele beco…
Sem desviar os olhos do belo rosto de Vanessa, o policial anotava diligentemente as informações em seu caderno, que já acumulava diversos registros semelhantes.
— É um golpe muito comum hoje em dia. Um bando desprezível. Eles roubam de tudo: joias, bolsas… Até crianças desaparecem num piscar de olhos. Ah, a propósito, qual é o seu nome?
A pergunta inesperada fez Vanessa congelar. Ela não podia dizer seu nome verdadeiro; seu tio seria informado imediatamente. Mas também não podia inventar uma identidade e desperdiçar o tempo do policial.
Desconcertada, voltou a apertar a saia entre os dedos. O que deveria fazer?
— Theo.
De repente, uma mão surgiu acima da dela, pegando o caderno e a caneta do policial, que ergueu os olhos, surpreso.
— Ah, vocês estão juntos?
Vanessa levantou o olhar para River Ross, que acabara de parar ao seu lado. Ele rabiscou algumas informações no caderno e o devolveu ao policial. Espiando discretamente, ela viu um nome que não reconheceu.
— Pode entrar em contato comigo neste endereço.
— Muito bem. Entrarei em contato se descobrirmos alguma coisa.
