Tradução: Emma
Capítulo 73
O coração dela despencou ao encontrar o olhar dele. Como um cão desesperado pela aprovação do dono, ela atribuía significado a cada gesto, a cada mínimo movimento. Temia que ele resolvesse pôr um fim àquilo, considerando toda a situação tediosa ou incômoda.
Tantas palavras não ditas clamavam dentro dela. Isso não fazia parte do nosso acordo, fazia? Aceitar um presente como este… não é praticamente um pagamento? Isso não desequilibra tudo entre nós?
Mas, antes que conseguisse dizer qualquer coisa, uma voz fria cortou o ar.
— Se isso é tão ofensivo e tão desnecessário, então jogue tudo fora.
— Como eu poderia…?
O olhar gélido e desdenhoso dele fez o restante do protesto morrer em sua garganta. Talvez ele estivesse certo. Talvez ela estivesse exagerando. Será que aquilo era comum entre homens e mulheres da capital? Talvez River Ross cobrisse qualquer conhecida passageira com presentes tão luxuosos.
— Você não vai?
Vanessa ergueu a cabeça rapidamente. Para ele, a conversa parecia encerrada, e o silêncio prolongado tornava sua expressão cada vez mais rígida. O pânico apertou seu peito. Há apenas alguns instantes, tudo estava perfeito, até que sua sensibilidade desnecessária estragou o momento.
Sem pensar, ela deu um passo à frente e estendeu a mão, segurando timidamente a manga dele.
— Não fique bravo.
Ele permaneceu em silêncio.
— Nós estávamos nos divertindo tanto. Podemos conversar sobre isso depois. Não vamos deixar que isso estrague a noite.
Theodore soltou o ar lentamente. O peso que o oprimia, espesso e sufocante como melaço, dissipou-se enquanto ele a observava. A ausência daquela sensação o deixou estranhamente vazio. Vanessa claramente não fazia ideia de como olhava para ele… ou talvez simplesmente não soubesse o que era amar alguém.
As mulheres que ele conhecera escondiam seus sentimentos com extremo cuidado — nas expressões, nas atitudes, nas palavras. Temiam que o amor fosse visto como uma fraqueza, que ele as julgasse fáceis. Mesmo quando seus sentimentos acabavam vindo à tona, procuravam arrancar o maior preço possível antes disso. Era esse o amor barato e vulgar que ele conhecia. Mas aquilo diante dele…
— Segure minha mão.
Era um pedido tão simples. Eles já haviam compartilhado muito mais do que aquilo e, ainda assim, a mão dela, agarrada desajeitadamente à manga dele, tremia.
Se tudo aquilo fosse apenas atuação, apenas uma mentira cuidadosamente encenada, então a pureza certamente não existia no mundo.
Movido pelo impulso, ele envolveu a pequena mão dela com a sua. Abriu delicadamente seus dedos e entrelaçou-os aos seus, muito maiores. A respiração que Vanessa prendia finalmente escapou. O alívio suavizou suas feições, e um sorriso tímido floresceu em seus lábios.
As batidas aceleradas do coração dela pulsavam contra sua pele. Ela parecia ter desistido de esconder os próprios sentimentos. Sem notar o sorriso que também surgia em seu rosto, Theodore engoliu o calor inesperado que floresceu em seu peito. Naquele ritmo, tinha certeza de que venceria a aposta de verão entre eles. E qual seria o prêmio que exigiria?
— Oh! — Um arquejo suave interrompeu seus pensamentos. Vanessa inclinou a cabeça para trás, o rosto iluminado pelo entusiasmo.
Lanternas anunciando o circo flutuavam pelo céu noturno, misturando-se aos estampidos dos fogos de artifício baratos. O aroma da comida gordurosa dos vendedores ambulantes preenchia o ar. Coisas tão simples bastavam para colorir suas bochechas e abrir um largo sorriso em seu rosto.
— River, você viu aquilo? Um fogo de artifício em forma de borboleta!
— Sim. Eu vi.
— Mentiroso. Você estava olhando para mim.
Ele responderá apenas por hábito, mas a réplica inesperada dela o pegou desprevenido. Uma risada escapou de seus lábios. Ela continuava conseguindo surpreendê-lo.
Ela era rápida em perceber as mudanças de humor dele, mas teimosamente inflexível em outras questões. Sua necessidade de agradá-lo, nascida do desejo de ser amada, era ao mesmo tempo irritante e irresistivelmente cativante.
Pobre, mas digna. Ainda acreditava na justiça e, embora parecesse frágil, seu espírito permanecia inabalável. Talvez fosse mais fácil moldar seu corpo ao dele, acostumá-la à sua presença, do que desperdiçar tempo tentando convencê-la com argumentos.
