Tradução: Emma
Capítulo 71
O olhar dele, antes pousado sobre a mulher trêmula sob seu domínio, tornou-se mais profundo. A nuca pálida e delicada, as roupas íntimas de renda que pareciam relíquias de outra época, os seios fartos comprimidos pelo espartilho e os cabelos dourados caindo em cascata até a cintura.
Ela exibia uma confiança impressionante, convencida de que aquela aparência despertaria o interesse de qualquer homem. Claro, ele não tinha dúvidas de que se sentiria excitado mesmo que ela vestisse trapos, mas… River Ross estreitou os olhos, e um brilho sutil atravessou seu olhar.
— O que estava passando pela sua cabeça para fazer essa expressão?
Ele a obrigou a encarar o próprio reflexo no espelho, e a respiração de Vanessa vacilou. Seus dedos apertaram a penteadeira com um pouco mais de força.
— Eu… Não estava pensando… Em nada….
— Você mente bem.
— Não é mentira. Eu realmente não estava pensando… Em… Nada….
Ele abaixou a cabeça e tomou seus lábios em um beijo predatório, separando-os sem esforço enquanto sugava sua língua pequena e macia. Um gemido baixo escapou da garganta de Theodore. Ela era sempre doce, suculenta e perfumada, não importava como ou onde ele a provasse.
Como um fruto amadurecido à beira de apodrecer. Como o relacionamento dos dois, condenado desde o começo por decepções e mentiras. Afinal, mentiras eram sempre doces assim.
Um som obsceno rompeu o silêncio do pequeno provador. Os olhos de Vanessa haviam se tornado enevoados. Inocente e ingênua, ela não conseguia acompanhar o enredar voraz da língua dele, tampouco sabia como afastá-lo.
Um polegar calejado deslizou lentamente por sua garganta delicada, sentindo a pulsação rápida e nítida, semelhante à de um pequeno animal assustado. Era como se ele segurasse o próprio coração dela na palma da mão.
Ele rompeu o beijo devagar, e a respiração descompassada de Vanessa acariciou seu rosto. Então, passou o polegar sobre os lábios inchados dela.
— E agora?
— Agora… Eu….
Desnorteada, Vanessa arquejou e desviou o olhar. As pontas das orelhas, visíveis entre os cabelos dourados, estavam tingidas de um vermelho intenso.
Ele soltou os cadarços do espartilho que segurava. As amarras se afrouxaram, permitindo que a peça cedesse. Em seguida, abriu os dedos e puxou para baixo a renda delicada que cobria seus seios.
Libertos da pressão do espartilho, seus seios moveram-se livremente. Ele os envolveu com firmeza, massageando-os, e Vanessa puxou o ar de repente.
— Oh…
Ele apreciava ver aquele rosto de beleza clássica, quase recatada, tingir-se de um rubor carregado de desejo. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios antes que ele beijasse o pescoço dela.
— Saia assim.
— …O quê?
— Não precisa perder tempo amarrando os cadarços nem se cobrindo toda.
A mão que antes envolvia seus seios deslizou para baixo, agora em um toque mais suave.
— Você fica ainda mais bonita sem roupas.
Vanessa o encarou, incrédula. Ele dizia aquelas palavras com tanta naturalidade, como se não houvesse qualquer traço de vergonha. Enquanto ela permanecia momentaneamente perdida em pensamentos, a mão dele deslizou com habilidade sob sua saia. Afastou a roupa íntima úmida e acariciou lentamente entre suas pernas.
— Ah…
Fosse de propósito ou não, a ponta do lenço roçou seu clitóris, arrancando-lhe um arquejo. A excitação cresceu ainda mais.
Era estranho: quanto mais seu desejo era saciado, mais ela ansiava por aquele toque. O problema era justamente conhecer o prazer. Se nunca o tivesse experimentado, talvez fosse diferente. Mas saber do que ele era capaz tornava a vontade ainda mais avassaladora.
Vanessa mordeu o lábio e abaixou a cabeça, reunindo toda a força de vontade para resistir ao impulso de se esfregar contra os dedos longos e firmes dele.
Mesmo assim, uma risada baixa e provocadora chegou aos seus ouvidos, seguida por uma voz calma que apenas constatava o quanto ela estava molhada. Ele retirou a mão justamente quando Vanessa sentiu que poderia desmaiar de vergonha.
Então, ajeitou novamente sua roupa íntima e alisou a saia, agora com gestos completamente desprovidos de desejo. Seu rosto de traços esculpidos permanecia impassível.
— Roupas íntimas novas estão ali.
