Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 70

Capítulo 70

Tradução: Emma

Capítulo 70


— O cavalheiro vai demorar mais um pouco. — Talvez por ela ter comprado o broche caro, a postura da proprietária havia se suavizado consideravelmente. — Ficaria deslumbrante em você… Saia e me mostre assim que tiver experimentado. E me dê essa camisa com o botão faltando e a sua saia.

— Mas…

— Só para você, como minha primeira cliente de hoje, eu os consertarei de graça.

Vanessa, pega de surpresa, aceitou o vestido e foi conduzida ao provador. Ter seu botão e saia consertados era uma oferta boa demais para recusar, embora ela se perguntasse sobre a mudança repentina na atitude da proprietária.

Ela rapidamente tirou a blusa e a saia e as entregou para a proprietária que esperava do lado de fora da cortina. Ela tinha acabado de puxar o vestido até a cintura quando ouviu passos descendo as escadas. A voz de River Ross, fraca a princípio, aproximou-se.

— Vanessa? Está aí dentro?

A voz familiar vinha de logo atrás da cortina.

— River? Você já terminou?

Verificando seu relógio de pulso, Vanessa agarrou freneticamente suas roupas descartadas.

— Só um momento. Já estou saindo.

— Está experimentando um vestido, não está? Leve o tempo que precisar.

— Só espere um segundo. Oh…

Em sua pressa, ela acidentalmente puxou a fita do espartilho. Ela mesma o havia amarrado frouxamente após… Aquilo, e o leve afrouxamento foi suficiente para desfazer o cadarço que a sustentava do busto aos quadris.

Atrapalhando-se para consertar, seu cotovelo bateu na parede com um baque. Vanessa abafou um gemido e encostou-se na parede.

— Vanessa? O que foi isso?

— …Nada. Eu bati em alguma coisa. Só me dê… Um momento…

— Você está sem roupa?

— Um pouco… Não totalmente…

— Estou entrando.

O quê? Antes que ela pudesse reagir, a cortina foi aberta. A luz da loja inundou o provador, e River Ross erguia-se em silhueta contra ela, com uma leve sombra sobre o rosto.

— ….

À medida que seus olhos se ajustavam, ela finalmente pôde ver a expressão dele. O olhar dele, escuro e intenso, desceu lentamente pelo corpo dela.

A combinação que revelava seus seios, o espartilho que havia escorregado até a metade de sua cintura, suas coxas expostas. Seu corpo, corado com marcas persistentes, devia parecer lascivo e desenfreado.

— Onde se bateu?

— Está… Tudo bem.

A análise lenta dele fez o calor subir para suas orelhas. Mesmo depois de terem ficado íntimos… Vanessa tocou as bochechas ardentes com as costas da mão e olhou para trás dele.

A proprietária e os atendentes haviam desaparecido. Devem ter se retirado discretamente, ou talvez ele os tivesse dispensado. Ele conseguia ser mais imperioso do que um nobre às vezes…

— Meu espartilho… Desamarrou…

— Este cadarço?

— Sim.

— Espere.

Ele apontou para a coluna de sustentação com o queixo. Vanessa, recolhendo suas roupas, virou as costas para ele e encarou o espelho. Tudo estava refletido: suas mãos trêmulas segurando a coluna, River Ross parado logo atrás dela.

O farfalhar do tecido enquanto ele se movia parecia excepcionalmente alto. Ele deu uma volta com as pontas soltas do espartilho ao redor de suas mãos, uma em cada. Ela respirou fundo, e ele começou a apertar os cadarços lentamente.

Ela esperava a pressão familiar e constritora, mas ele parou antes disso.

— …Você pode puxar mais forte.

— Tenho medo de que sua cintura quebre antes que eu termine.

— Está tudo bem. Eu consigo aguentar mais apertado do que isso. Eu sempre…

Ele arqueou uma sobrancelha, como se achasse inacreditável que as mulheres conseguissem funcionar tão apertadas. Novamente, ele não puxou com muita força. Vanessa virou-se impaciente.

— Vamos, River. Só mais um pouco…

Ele riu e inclinou-se para mais perto, o hálito quente contra a orelha dela, seu pescoço nu. Os olhos dele eram lânguidos enquanto inclinava a cabeça.

— Gostaria de ouvir você dizer isso na cama.

Vanessa arquejou silenciosamente, depois fechou a boca, vendo seu reflexo no espelho. Ela parecia mais indecente do que se estivesse completamente nua. Aquela pose… era algo que ela só faria antes de ser tomada por trás, como um animal…

Seu hálito quente embaçava o espelho, depois clareava, repetidas vezes. Vanessa fechou os olhos com força. Novamente. Agora esses pensamentos, a qualquer momento, em qualquer lugar…

— Vanessa.

Ao som de seu nome, ela instintivamente olhou para cima. Seus olhos encontraram o olhar azul de River Ross no espelho. Sua expressão inocente, como a de um jovem intocado pelo desejo, tornava os pensamentos dela ainda mais vergonhosos.

Ele puxou os cadarços um pouco mais apertados com a mão esquerda e segurou o queixo dela, puxando sua cabeça para trás até que suas costas se arquearam em uma curva graciosa.

— Que pensamentos indecentes está tendo, minha senhorita?