Tradução: Emma
Capítulo 68
A mão de River Ross desceu para a cintura de Vanessa, envolvendo-a brevemente antes de soltá-la. Para os outros, poderia parecer um gesto de carinho. Para Vanessa, parecia carregado de uma certa intenção maliciosa. — Olhe o quanto quiser ao redor. — À medida que o homem alto e imponente se inclinava mais perto, sua voz saía para um sussurro baixo. O hálito dele, quente contra o seu pescoço e orelha, parecia uma marca de ferro em brasa. Exatamente como quando ele a segurava por trás, mordiscando o lóbulo de sua orelha, ou quando brincava com seus seios arfantes enquanto investia nela.
As lembranças daquela tarde voltaram a inundá-la.
— Haah… Ri…Ver… Mmh… Aah…! Muito… Fundo… Ah!
Erguida unicamente pela força dele, o corpo dela balançava precariamente no ar. Forçada a encarar o espelho, vergonhosamente aberta, sua intimidade brilhante esforçava-se para contê-lo.
— Ah, por favor… Devagar… Aah… Hmh…!
— Não seja tão impaciente.
O mesmo sorriso, o mesmo olhar nos olhos dele, a atmosfera carregada de amantes. Ficava claro que as ações dele eram deliberadas. Vanessa corou intensamente, abaixando a cabeça.
Já era enfurecedor o suficiente que ele a tivesse usado para desviar os avanços da proprietária, mas o fato de que uma mera proximidade de respiração pudesse evocar memórias tão indecentes em público era mortificante.
— …Muito bem.
A voz gentil da proprietária carregava uma farpa sutil. No entanto, ao contrário de sua desconfiança inicial, como se protegesse suas posses de um ladrão, seu tom agora carecia de sua agressividade anterior. Antes que Vanessa pudesse processar totalmente a mudança, a proprietária estendeu a mão, segurou a dela e a girou. — Então, se me der licença.
A proprietária puxou uma fita métrica e começou a tirar as medidas de Vanessa. — Vinte… E mais cinco… Bom. Mantenha o braço levantado assim.
— Assim?
— Sim, exatamente assim. Você tem uma silhueta adorável. Sua estrutura é naturalmente esguia, então estilos muito enfatizados ou cheios de adornos não irão combinar com você. E trinta… E um…
Murmurando as medidas, a proprietária abruptamente calou-se. Vanessa olhou para cima, intrigada.
— O que foi?
— ….
— Há algum problema?
— Nenhum.
A proprietária esboçou um sorriso enigmático. O brilho em seus olhos havia desaparecido. Ela guardou a fita e bateu palmas, com a voz assumindo uma doçura artificial. — Por acaso, tenho vários vestidos na loja que seriam perfeitos para você. Eles precisarão apenas de pequenos ajustes. Enquanto isso, senhor, talvez gostaria de ver o terno que encomendou da última vez? Está quase pronto….
A proprietária tocou um sino assim um homem coberto de fitas métricas desceu as escadas tropeçando. Ele devia estar dormindo em sua mesa, a julgar pelas marcas em sua bochecha. A proprietária gesticulou elegantemente. — Colin, mostre a este cavalheiro o terno dele.
— Posso deixar você sozinha por um momento?
— Claro.
Ele ergueu uma sobrancelha, como se estivesse em dúvida. Ele parecia estar se lembrando dela mais cedo, coberta de lama e segurando um patinho na fazenda. Vanessa ergueu o queixo, encontrando o olhar dele com uma expressão audaciosa. Confiante e totalmente sem vergonha.
— Não se preocupe. Eu serei extremamente bem-comportada desta vez.
— Está bem, então.
Ele sorriu de leve, levantando a mão como se fosse bagunçar o cabelo dela, mas deixando-a cair. — Volto em breve. Olhe ao redor, mas não saia da loja.
— Não vou sair.
Pouco antes de seguir o alfaiate escada acima, River Ross tirou algo do bolso e entregou à proprietária. Ela cobriu a boca com a mão em aparente surpresa, depois aceitou com as duas mãos. Vanessa ficou intensamente curiosa sobre o objeto, mas a proprietária já estava ao seu lado, conduzindo-a na direção oposta.
— Por aqui, minha senhora.
Impulsionada em direção aos fundos da loja, Vanessa viu-se em uma sala grande repleta de araras de roupas. Mensageiros entravam e saíam apressados por uma porta traseira, e funcionários com aparência cansada embalavam roupas freneticamente enquanto atendiam os clientes.
A proprietária a levou até uma arara ao longo de uma parede. — Leve o tempo que precisar e dê uma olhada. Tudo aqui deve servir em você.
Blusas, saias, vestidos elegantes e chapéus de aparência cara chamaram sua atenção. Vanessa examinou as roupas com uma expressão preocupada. A realidade, momentaneamente esquecida, voltou correndo.
