Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 66

Capítulo 66

Tradução: Emma

Capítulo 66


— E então? River Ross. Diga alguma coisa.

Ele a silenciou segurando seu rosto e beijando-a de qualquer jeito. Mal foi um beijo, mais um roçar de lábios e respiração, mas serviu ao seu propósito de desviar a atenção dela.

— V-Você está louco?

O rosto de Vanessa ficou vermelho igual um tomate enquanto empurrava o peito e os ombros dele.

— E se alguém nos vir!

— O fazendeiro entrou.

— Mesmo assim! Estamos… Estamos completamente do lado de fora.

— Você pareceu gostar ontem no jardim. Aquilo também foi do lado de fora.

— Aquilo foi….

Vanessa mordeu o lábio, incapaz de encontrar uma resposta adequada. Apesar de suas tentativas de parecer vivida, no fundo era uma moça de família, facilmente desconcertada por tais comentários.

Ela moveu sutilmente os quadris para longe dele, criando uma distância que o divertia.

— Sente-se mais perto. Não caia.

— …Não se preocupe. Estou confortável aqui, e está… Calor.

Ele puxou a cintura esguia dela para mais perto, interrompendo suas desculpas esfarrapadas. O corpo quente dela, aquecido pelo fim de tarde de verão, pressionou-se contra o braço dele.

A nuca dela, curvada de vergonha, estava corada. Ele quase conseguia ouvir as batidas frenéticas do coração dela. Era divertido que ela ficasse tão desconcertada simplesmente por estarem próximos em um lugar público.

Especialmente depois das coisas que haviam feito no jardim secreto nas últimas semanas. Claro, esse era um pensamento que ele não podia expressar em voz alta. Se fizesse isso, Vanessa certamente tentaria pular da carruagem.

Ele riu baixinho e estalou as rédeas. O cavalo respondeu, e a carruagem começou a avançar.



Após várias tentativas, Vanessa finalmente se desvencilhou do aperto de Theodore, esquivando-se para a ponta do assento do cocheiro como se fugisse de um predador. Um impasse estranho e unilateral se estabeleceu.

— ….

Não durou muito. River Ross parecia alheio a ela, olhando fixamente para a frente em silêncio. Seus lábios relaxados e sua expressão pensativa transmitiam uma sensação de tranquilidade. Até mesmo seu olhar tipicamente frio carregava um traço de calor, como uma brisa persistente de verão.

Vanessa estudou o perfil dele por um tempo. A calma dele gradualmente penetrou nela, desacelerando seu coração acelerado.

— ….

Ela ajustou cuidadosamente sua postura e olhou para a paisagem que passava. Era falta de educação encarar e, mais importante, ela não queria perturbar os pensamentos dele.

O sol estava se pondo sobre o campo tranquilo. O horizonte brilhava com uma luz vermelha intensa, e as luzes da aldeia piscavam como faróis no crepúsculo que se aproximava. Campos de trigo amadurecendo e pequenas macieiras estendiam-se infinitamente de ambos os lados da estrada.

Houve um tempo em que toda essa vasta terra pertencia aos Somerset. Não fazia tanto tempo assim. Quando seu pai e sua mãe estavam vivos, não se podia chegar a Sidron, o maior porto do sul, sem cruzar as terras dos Somerset…. Agora, toda aquela glória havia desaparecido.

— Vanessa, acorde.

Ele deve ter pensado que ela havia pegado no sono com os olhos fechados, perdida em suas lembranças. River Ross a cutucou de leve.

— Estaremos em Bath em dez minutos.

— Oh, já?

Vanessa olhou para o relógio desgastado em seu pulso.

— O circo começa às nove, então estamos cerca de uma hora adiantados. Podemos comer alguma coisa.

— Está com fome?

— Sim, um pouco.

Ele não respondeu, mas a carruagem ganhou velocidade. Eles passaram sob a placa de Bath enquanto o crepúsculo começava a cair. As ruas estavam mais movimentadas do que o habitual, provavelmente devido ao circo.

River Ross conduziu a carruagem para uma rua secundária menos movimentada. Ele parecia conhecer a geografia de Bath melhor do que ela, talvez por suas visitas frequentes. Depois de navegar por mais alguns becos, a carruagem parou em uma travessa relativamente tranquila.

— Isso é….

Os olhos de Vanessa se arregalaram ao descer. Diante deles erguia-se uma loja de aparência respeitável, inesperada em um beco como aquele.

— Uma loja de roupas. — River Ross respondeu à sua pergunta não formulada enquanto a seguia para fora da carruagem. Vanessa, com a curiosidade aguçada, aproximou-se da vitrine. O vidro estava impecável, e uma luz quente transbordava do interior. As roupas nos manequins eram surpreendentemente elegantes, refletindo os estilos mais recentes da capital.

Era muito diferente das lojas de roupas a que seu tio costumava levá-la. Aquelas lojas tinham tecidos ultrapassados e designs bastante sem graça.

— Vamos entrar.

Vendo a hesitação dela, River Ross colocou delicadamente uma mão em suas costas. Vanessa, concordando com a cabeça de forma distraída, de repente percebeu a intenção dele e virou-se para ele com um sobressalto.

— Aqui? Agora?

— Você precisa de roupas.

— Eu?

Vanessa piscou, confusa. River Ross a incentivou.

— Disse que seu vestido não era adequado para sair.

— Bem, sim, mas.

Ela precisava de roupas, tecnicamente. Seu traje atual era um pouco constrangedor. Mas precisava de roupas totalmente novas? O botão que faltava poderia ser costurado de volta, os amassados passados a ferro. Esse vestido era o vestido de uso diário mais recente que possuía.

Enquanto Vanessa hesitava, River Ross abriu a porta da loja. Um sino tocou, e a dona da loja, que estava ajustando um vestido, virou-se.

— Bem-vindos…. Oh, meu Deus.

Os olhos da proprietária se arregalaram ao vê-los.