Tradução: Gheo
Capítulo 63
– Haah…
Vanessa ofegou, enquanto uma onda de prazer a invadia. Um líquido quente escorreu para dentro dela, a pele sensível registrando cada sensação. Seu rosto, corado de vermelho, afundou no colchão enquanto ela lutava para conter os gritos.
Seu corpo contraído não conseguiu conter tudo, e o excesso vazou, escorrendo por suas coxas, causando uma sensação mais quente do que deveria. Em meio às sensações confusas e indecentes, Vanessa teve outro orgasmo.
Com o corpo nesse estado, ela não podia mais alegar inocência. E, estranhamente, ela estava feliz com isso.
– Minha garganta está completamente irritada.
Vanessa fez uma careta, soltando um "Ah, ah" com dificuldade. Sua garganta estava visivelmente inchada. Tentar abafar os gemidos só piorou a situação.
– Você não precisava se conter.
– Mas e se alguém ouvisse?
– Você não esperava que isso acontecesse eventualmente?
– Claro, eventualmente… sim.
– Então por quê?
– Porque se alguém nos ouvisse agora, você estaria em perigo.
River Ross se virou ao ouvir as palavras dela, com uma sobrancelha arqueada em descrença.
– Prefiro que você machuque a garganta do que o corpo.
E se alguém realmente nos ouviu, e meu tio o machucar por causa disso…
Vanessa engoliu as palavras que lhe vieram à mente.
Talvez ele estivesse apenas fingindo se importar, representando o papel de amante devotado em seu relacionamento falso, sem realmente desejá-la. Seus pensamentos, distorcidos como eram, revelavam insegurança. Vanessa suspirou e assentiu.
– Da próxima vez, sim.
Seus olhos se estreitaram, como se questionassem a sinceridade dela, e então um sorriso provocador surgiu em seus lábios.
– Você pretende dormir comigo de novo? O verão está longe de terminar.
– Ah, o verão. Certo. Não quis dizer nada com isso. É apenas… o nosso acordo. Independentemente de eu gostar ou não.
– Você está divagando, Vanessa.
O aperto dele em seu pulso fino se intensificou um pouco.
– Isso significa que você não gostou?
Seu olhar, subitamente sério, fixou-se no dela. O libertino brincalhão havia desaparecido, substituído por uma expressão serena e séria. Normalmente, ela teria fingido não ouvir, mas sua postura séria tornava impossível ignorá-lo, um hábito que adquirira desde a infância. Será que ele se lembrará dessa fraqueza dela?
Vanessa desviou o olhar, a voz quase um sussurro.
– ...Eu gostei, claro.
A simples confissão a deixou mortificada, mas o sorriso juvenil que se espalhou pelo rosto dele no instante seguinte dissipou qualquer necessidade de fingimento. Não parecia mais importar o quão tola ela parecia, o quão apaixonada estava por ele.
Uma mudança na direção do vento chamou a atenção de River Ross. Seus cabelos negros caíram suavemente sobre sua testa.
A lua crescente pairava no céu, e os primeiros vaga-lumes da estação começavam a surgir acima das roseiras no jardim. Era um momento mágico, como a espuma das ondas quebrando contra as rochas. Mesmo aquele instante fugaz trazia a ilusão de que o tempo estava desacelerando.
Vanessa observava, hipnotizada, sem sequer piscar.
Será que ele sempre tinha essa expressão quando estava no mar, sentindo o vento no rosto?
Às vezes, ela se permitia a fantasia de que ele pudesse sentir o mesmo. Ultimamente, River Ross vinha se comportando de forma tão afetuosa, como se fossem realmente amantes.
Ele a procurava várias vezes ao dia, agarrando-se a ela com o desespero de alguém sedento. Muitas vezes agia como se aquele verão nunca fosse acabar, como se o acordo entre eles fosse durar para sempre. Como se não fosse apenas um contrato.
E era isso que eu queria, não é?
A desilusão se seguiu a cada tentativa de avaliar sua sinceridade. Em algum momento, tentar distinguir o fingimento da verdade começou a parecer tolo.
Será que River Ross sequer percebe o jeito como me olha às vezes?
