Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 58

Capítulo 58

Tradução: Gheo

Capítulo 58


– Vou procurá-lo.

– Fique onde está. O propósito da minha visita hoje diz respeito a você.

– O que quer dizer?

– Eu pretendia proceder gradualmente, mas parece que o tempo urge. Devo retornar a Lyndon está noite.

Após verificar novamente seu relógio de bolso, o Conde Lowden sussurrou algo para Harold, que saiu brevemente da sala e retornou com uma mulher cigana. Ela era idosa, apoiando-se em uma bengala com ponta de ferro, uma perna arrastando-se sem vida atrás dela.

– Isso é...?

– Madame Luter. Ela é uma especialista renomada nesses assuntos.

As roupas volumosas da mulher exalavam um odor rançoso. Ela se aproximou do sofá e fez uma reverência respeitosa. Ao contrário da maioria dos ciganos, seu comportamento não era subserviente na presença da nobreza, um detalhe que Vanessa achou estranhamente impressionante. Vanessa desviou o olhar da velha senhora de volta para o Conde.

– Que assuntos?

– O Lorde Somerset não a informou? Eu tinha a impressão de que isso já havia sido discutido.

– Não fui... informada de nada.

O Conde Lowden suspirou, como que exasperado, e ficou em silêncio por um instante. Sua expressão, por um breve momento, lembrou a de Wyatt quando forçado a tomar uísque barato.

– Este é um procedimento necessário para casamentos do nosso nível. Para a fidelidade entre marido e mulher e para os futuros herdeiros da nossa família.

Vanessa controlou lentamente sua respiração acelerada.

– Está exigindo a prova da minha virgindade.

– Fico feliz que entendeu. – O Conde Lowden recostou-se na cadeira com um sorriso estranho. – É melhor ter certeza dessas coisas. Paguei uma quantia considerável ao seu tio.

Fidelidade e virgindade. As palavras, vindas da boca do Conde Lowden, reviraram seu estômago. Os tabloides estavam repletos de histórias sobre sua paixão por uma jovem atriz do Teatro Lyndon Grand.

Ela sabia que isso poderia ser exigido dela eventualmente, mas ingenuamente presumiu que não seria até que River Ross estivesse em segurança, longe do alcance de seu tio e do Conde Lowden, talvez do outro lado do oceano. Um pedido tão bárbaro geralmente era reservado para a noite de núpcias.

– Considero esse comentário bastante ofensivo.

– Acredito que você frequentou um internato.

– Há algo de errado nisso?

– Você espera que eu acredite que jovens, homens e mulheres, no auge de suas paixões juvenis, foram colocados em contato próximo sem que nada acontecesse? Não sou tão ingênuo.

O rosto de Vanessa empalideceu quando ela se levantou abruptamente.

– Se tem essas dúvidas, então termine o noivado. Meu tio respeitará sua decisão.

– Sente-se, Vanessa. – A máscara amigável desapareceu do rosto do homem. – Sente-se e abra essas pernas malditas na frente desta mulher.

A vulgaridade, diferente de tudo que ela já ouvira, a atingiu como um golpe físico. Suas pálpebras ardiam, como se estivessem queimando. Ela não conseguia acreditar que aquele homem monstruoso fosse o seu destino. Lutou para respirar fundo, mas lágrimas, quentes e indesejadas, escorreram pelo seu rosto antes mesmo que percebesse que estava chorando.

– Meu Deus. – O Conde Lowden, com sua máscara repulsiva de volta ao lugar, tirou um lenço do bolso. – Ora, ora. Não havia necessidade de lágrimas. Eu me esqueci de como você ainda é infantil.

Vanessa estremeceu quando ele estendeu a mão. Não sabia por que histórias de maridos que batiam nas esposas lhe vieram à mente de repente. Sua reação de medo, no entanto, pareceu agradá-lo, e a expressão do homem suavizou-se, retornando à gentileza anterior.

– Calma, calma. Não chore. Eu simplesmente me esqueci que você ainda é tão jovem.

– Perdoe-me, meu senhor, mas meus métodos são diferentes. – A velha, que estava imóvel, finalmente falou. – Não examino uma mulher forçando-a a abrir as pernas. Essa é uma tarefa que cabe aos médicos. Simplesmente peço à jovem que estenda o braço.

– É só isso que precisa?

– Ah, entendi. – O Conde Lowden sorriu com conhecimento de causa. – Agora compreendo porque damas respeitáveis falam tão bem da senhora. De fato, pedir a uma jovem bem-educada que abra as pernas é bastante grosseiro...

Ele observou a troca de palavras com uma expressão divertida. Naquele momento, Vanessa entendeu. O Conde Lowden estava brincando com ela como um gato brinca com um rato. Ele não se importava com a confirmação da velha, queria ver a reação dela.

– Tais prazeres são reservados, por direito, ao marido na noite de núpcias.

– O que você vai fazer com o meu braço?

Vanessa se virou para Madame Luter, como se quisesse ignorar as palavras repugnantes do Conde Lowden. Ela estendeu o braço, e os dedos em forma de garras da velha agarraram seu pulso.

– Colocarei uma gota de água misturada ao sangue de um cordeiro e à água benta em seu pulso. O cordeiro não pode ter mais de três meses, estar imaculado e ter se alimentado apenas de grama orvalhada pela manhã.

– ...

– Se você não foi tocada, o sangue formará gotas. Caso contrário, escorrerá.

Assim que a velha terminou de falar, suas unhas afiadas cravaram-se na pele de Vanessa.