Tradução: Gheo
Capítulo 57
– Já faz algum tempo, Lady Vanessa.
Vanessa prendeu a respiração ao ver o rosto do homem assim que a porta da sala de estar se abriu. Conde Lowden. Seu noivo, escolhido por seu tio. Um homem notório por seus casos escandalosos, com rumores de filhos ilegítimos espalhados pela capital quase se confirmando. E o último encontro deles, na cerimônia de noivado... tinha sido absolutamente terrível.
– Conde Lowden.
Recuperando a compostura, Vanessa fez uma reverência. Um sorriso enrugado se espalhou pelo rosto pálido do homem mais velho.
– A senhorita não parece satisfeita em me ver.
– Fiquei apenas surpresa, pois não havia sido avisada da sua chegada. Tampouco fui informada do motivo desta visita urgente.
– Sente-se, por favor.
– Onde está meu tio?
– Ele saiu brevemente após receber uma ligação. Sente-se, Vanessa, a menos que pretenda permanecer de pé.
Seu tom se tornou mais incisivo diante da mínima hesitação dela. Mordendo o lábio, Vanessa sentou-se onde ele indicou. O mordomo, Harold, que estava de pé em silêncio, colocou uma xícara e um bule de chá diante deles.
– Este chá é importado diretamente de Santra. Eu aprecio seu aroma diariamente e pedi a Harold que o preparasse, prevendo justamente uma ocasião como esta.
– Costuma tomar chá?
– Gosto bastante. Hoje em dia, está na moda bebê-lo gelado com gelo e limão, mas eu prefiro com creme de leite.
Ele adicionou generosamente creme de leite e várias colheres de açúcar ao chá fumegante antes de colocar a xícara e o pires na frente de Vanessa.
– Aqui, beba.
Ela ergueu a xícara com cautela e tomou um gole.
– Bem?
– É... aceitável.
O chá cremoso e muito doce não era do seu agrado, embora a qualidade das folhas em si fosse boa. Por outro lado, qualquer coisa seria melhor do que o chá da cabana de River Ross. O chá daquele homem era de qualidade militar, forte o suficiente para mantê-lo acordado, praticamente medicinal e intragável para uma pessoa normal. Da primeira vez que o experimentou, foi terrivelmente ruim.
Que irônico.
Mesmo assim, ela preferia beber aquele chá horrível cem vezes seguidas a passar mais um segundo com o Conde Lowden. Vanessa colocou a xícara de chá de volta no pires, com cuidado.
– Quando poderemos dispensar as formalidades?
– Perdão?
– Vamos nos casar neste outono. Não podemos continuar nos tratando como estranhos.
A pergunta dele, ironicamente, lembrou Vanessa de seu dilema. Se o noivado deles fosse normal, tal pergunta não seria necessária. Naturalmente, eles passariam a usar os nomes um do outro, diminuindo gradualmente a distância entre eles. Se ao menos ela não estivesse sendo vendida dessa forma.
– Talvez... depois da cerimônia.
– De fato. Tratar-nos informalmente antes do casamento seria um tanto... frívolo.
O Conde Lowden esboçou um sorriso amarelado, aparentemente satisfeito com a resposta dela. Vanessa engoliu a náusea crescente, mordendo o lábio.
Existiam inúmeros casamentos infelizes no mundo. Ela não era a primeira mulher a ser vendida para um homem mais velho. Talvez, como Rosalind havia sugerido, suportar aquilo fosse a atitude mais sensata. Mas ela simplesmente não conseguia.
– Quando você tiver idade suficiente para casar, eu lhe darei este colar.
A lembrança permanecia vívida, mesmo agora. Uma menina, transbordando de curiosidade sobre o primeiro encontro dos pais, abraçada com carinho, como se fosse o tesouro mais precioso do mundo.
– Você está feliz por ter se casado com o papai?
– Não há muito o que dizer sobre isso. Mas sim, estou incrivelmente feliz.
– Não quero me casar. Os rapazes são uns idiotas. Eles só me provocam o tempo todo.
– Você só precisa encontrar uma pessoa gentil. E para isso, você precisa desenvolver um bom faro para o caráter.
– E se eu não conseguir encontrar nenhum? E se não houver nenhum bom?
O toque suave dos narizes se roçando, o riso compartilhado.
– Então você poderá ficar aqui comigo para sempre.
Naquela época, era uma filha amada. A Vanessa que se via obrigada a proteger, mesmo ao custo da honra de sua família, era a menina daquele dia. Não a mulher em que se transformara agora.
O som da xícara de chá batendo no pires a trouxe de volta ao presente. O Conde Lowden retirou o relógio de bolso e franziu a testa.
– Seu tio está demorando bastante.
Vanessa corou. Apesar do desconforto, era falta de educação se perder em pensamentos na companhia de alguém.
