Tradução: Gheo
Capítulo 55
Os dedos dele massageavam sua pele úmida de suor, cada toque enviando espasmos por todo o seu corpo, dispersando seus pensamentos. A carne sensível de seu centro se agarrava a ele, puxando-o para mais fundo, numa fricção requintada. O prazer a dominou, faiscando e brilhando diante de seus olhos.
Logicamente, ela sabia que o tempo havia passado e que deveriam retornar à mansão. Mary, enviada para acordá-la, talvez já tivesse encontrado sua cama vazia. Mas toda aquela lógica permanecia abstrata e desconectada da realidade. Cada investida dele despedaçava seus pensamentos, deixando-a à deriva.
Ele mudou a posição da mão no corpo trêmulo de Vanessa, penetrando-a completamente. Uma onda de calor a inundou e, naquele instante, ela atingiu um clímax silencioso.
– Vanessa. Acorde.
Alguém a chamava pelo nome. Forçando as pálpebras pesadas, ela conseguiu abrir os olhos e viu River Ross. Ele acariciou seu rosto, virando-o delicadamente em sua direção.
– Não volte a dormir. Respire devagar.
A mão dele, fria contra a pele quente dela, proporcionava uma sensação estranhamente reconfortante.
– O quê...?
– Você adormeceu do nada. Vou pegar algo para você beber. Fique aí, ou vai acabar desmaiando.
Satisfeito por ela estar consciente, ele a soltou e se levantou, com uma expressão irritantemente calma e serena, como se não tivesse feito nenhum esforço.
Vanessa o observava se vestir, uma mistura de ressentimento e incredulidade fervia dentro dela. Ele parecia completamente indiferente, enquanto ela estava totalmente exausta, sem energia sequer para lançar-lhe um olhar fulminante.
Ela começara a encará-lo com um toque de desafio, o orgulho ferido pela disparidade entre seus estados. Mas, enquanto o contemplava, aconchegada sob os lençóis, uma chama de admiração se acendeu dentro dela. Na luz da manhã, os gestos dele eram cativantes. Ao estender os braços, curvar-se ou alcançar algo, os músculos intrincados de suas costas ondulavam como a maré. Ao contrário de sua própria força esgotada, seu corpo pulsava com vitalidade, poderoso e ágil como um felino selvagem.
Seu olhar se deteve nos arranhões que ela havia feito em suas costas antes de descer para a elegante curva de sua cintura e, então...
Ele se virou, como se pressentisse o olhar dela. Seus olhos se encontraram e um sorriso surgiu em seus lábios. Vanessa, instintivamente, puxou o lençol para cima, e os olhos dele se estreitaram, com um brilho de entendimento ao fundo, como se ele pudesse ver através do tecido fino, espelhando a maneira como ela o havia examinado momentos antes.
– Lindo.
Vanessa, momentaneamente sem palavras, deixou escapar uma risada trêmula.
– Você já disse antes que isso era um absurdo.
– Então, aproveite. Você está apenas ouvindo o eco das suas próprias palavras.
Ele vestiu uma camisa e desapareceu atrás da cortina, voltando com um copo d'água e uma tigela pequena. Sentou-se na beira da cama e ofereceu-lhe a água.
– Aqui.
Ele a tratava como se fosse uma inválida. Vanessa, obedientemente, inclinou a cabeça para trás e bebeu. Assim que engoliu a última gota, ele a acomodou entre travesseiros e almofadas, antes de colocar a tigela cheia de morangos frescos em seu colo.
– Morangos? De onde vieram?
– Sr. Ross.
Respondeu River, com a voz abafada enquanto esfregava a ponta do cigarro no lábio inferior, um gesto familiar que denunciava seu desejo reprimido de acendê-lo e tragar. Um pequeno hábito, talvez despercebido por ele, mas que ela agora reconhecia.
– Ele trouxe uma cesta inteira.
– Ah. Isso.
