Tradução: Gheo
Capítulo 53
Onde a luz penetra, há um problema. Significa que a chuva está conseguindo passar.
– Então era isso que você estava procurando.
Não era uma pergunta, mas uma observação. O olhar de Vanessa seguiu o de River Ross pelo teto. Conforme ela apontava os poucos lugares invadidos por uma luz fraca, ele pregava tábuas e remendava os vãos meticulosamente. Após uma inspeção minuciosa, Vanessa fechou as cortinas, devolvendo o quarto à penumbra.
– Acho que são todos esses lugares.
– Só saberemos com certeza quando chover, mas, por agora...
– Não é perigoso? E se desabar?
– Não é tão ruim assim.
– Entrem na mansão. Vocês podem ficar nos aposentos dos criados.
– Não gosto muito de estar perto de pessoas.
Embora a escuridão obscurecesse sua expressão, sua determinação inabalável era evidente. Vanessa mordeu o lábio e logo se recompôs. O prédio estava bem deteriorado, é verdade, mas não ia desabar. Tinha aguentado firme por anos, mesmo abandonado.
– Posso abrir a janela agora?
– Vá em frente.
Ela abriu as cortinas e a janela, deixando o ar abafado do quarto escapar. Vanessa inspirou profundamente o frescor que vinha de fora. Mesmo com os dias cada vez mais quentes, aquilo era um alívio para o mormaço estagnado ali dentro. Ao se virar, sentiu a brisa secar o suor de seus cabelos.
E então ela o viu. O impacto de seu peito nu a pegou de surpresa. Não que tivesse surgido do nada, mas foi inesperado o suficiente para provocar aquele frio na barriga. River Ross tinha tirado a camisa incômoda, e seu torso estava banhado de suor.
Seu olhar ficou hipnotizado, incapaz de desviar. Não que houvesse outro lugar para onde olhar. O corredor estava abarrotado de pertences e o quarto, que mal comportava a cama, ficaria apertado com duas pessoas. O espaço não fora projetado para ser habitado, e eles já estavam tão perto...
Seus pensamentos se transformaram em desculpas. Seu torso musculoso lembrava a famosa escultura de Notos. Só de olhar para ele, ela sentia sede.
– Posso te tocar?
Inconscientemente, sua mão se estendeu, apenas para ser segurada pelo pulso. O aperto dele era grande e firme. Era o toque de um homem.
– Depois que eu me lavar.
Ela ergueu uma sobrancelha, como se estivesse surpresa, mas sua resposta foi casual, como se não fosse nada demais.
– Agora. Desse jeito.
Um leve calor coloriu a voz insistente de Vanessa. Ela nunca tinha visto o corpo de um homem assim antes. Da última vez que se abraçaram, ela estava muito perturbada, e ele não estava completamente despido.
Ao refletir sobre isso, ela se sentiu um pouco enganada. Atendendo ao seu pedido, River Ross acariciou sua bochecha com a mão quente. Os olhos azuis dele, captando um raio de sol, brilharam.
– Você está falando sério?
– Sim. Agora deite-se. Aqui.
Ela o empurrou com um pouco de força, e ele, obedientemente, caiu na cama, mais como uma queda ensaiada do que um empurrão genuíno. Apoiado nos cotovelos, ele parecia um deus antigo, uma divindade vestida com um himation aceitando casualmente o sopro oferecido por uma sacerdotisa.
Vanessa sentou-se a cavalo sobre o abdômen tenso dele, vendo seu pomo de Adão subir e descer. Ela o observou por um instante antes de se lembrar de seu propósito e voltar a admirar aquele torso esculpido.
Havia algo de diferente e maravilhoso em cada detalhe dele. Nos ombros largos, no pescoço imponente, nos músculos longos e detalhados com precisão. As veias desenhavam linhas perfeitas sobre a pele, acompanhando a estrutura de ossos fortes e firmes.
Ela colocou a mão no peito dele, subindo e descendo com a respiração dele. Tudo o que ela tocava era quente e macio. O corpo dele parecia forjado em bronze, recém-saído de uma fornalha, duro e flexível, pulsando com uma vida insuflada pelos deuses.
Sua cintura fina se estendia até um abdômen bem definido.
Assim, um pouco mais, só um pouco mais abaixo…
– Vanessa.
Sua voz, grave e profunda, interrompeu o movimento de sua mão enquanto ela explorava mais abaixo. Ele prendeu a respiração. Só então Vanessa percebeu o calor nos olhos de River Ross e o desejo que crescia dentro dela.
