Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 50

Capítulo 50

Tradução: Emma

Capítulo 50


— Você sequer percebe o que recusou? E este… Este fim de mundo… Como compensação? Um absurdo.

— Se é uma honra tão grande, pode ficar com ela.

— Se fosse eu a receber o pedido de casamento, nossa querida madame Marlborough já teria embrulhado para presente e jogado na porta da princesa.

— E teria aceitado de bom grado.

— Claro. É uma honra tremenda. Ela é uma princesa, afinal de contas. E não é de se jogar fora. — O gesto dele, imitando a silhueta de uma mulher enquanto discutia o rosto dela, era revelador. Theodore, sem fazer nenhum esforço para esconder seu desdém, encarou Edgar.

— Se tivesse um filho bastardo escondido, como sugerem os boatos, eu pelo menos conseguiria entender. Realmente pretende continuar fugindo toda vez que vier a terra firme? Até que a família real retire a proposta por pura vergonha?

— Eu não tinha pensado por esse lado. Não é um plano ruim.

— O rei mandaria te matar.

— Tudo brilho superficial. O casamento não me oferece nada.

— Então, você está realmente fazendo isso sem sequer ter uma amante escondida?

— Preciso ouvir mais desse absurdo? — Theodore pressionou os dedos contra as têmporas, com a voz fria. Sem se deixar abater, Edgar cerrou os olhos, examinando Theodore. Finalmente, ele se encostou no assento, com um sorriso sarcástico brincando nos lábios.

— É que é tão estranho. — Ele inclinou a cabeça engomoda. — Você parece… Diferente, desde a última vez que o vi, vossa graça.

— Chega de conversa fiada. Entregue os documentos. Antes que eu escreva para o meu tio detalhando suas… Investidas amorosas.

— O que poderia ser?

— Edgar.

Como se finalmente entendesse, Edgar ergueu as mãos em sinal de rendição e puxou um talão de cheques grosso e alguns documentos de sua bolsa. Theodore revisou cuidadosamente os papéis, assinando cada um antes de devolvê-los a Edgar.

As semanas tediosas lidando com imóveis, ferrovias e navios estavam finalmente chegando ao fim. Pelo menos até o término de sua licença, as coisas deveriam correr bem.

Edgar, incomumente sério, examinou os documentos assinados antes de guardá-los com cuidado em sua bolsa. Era uma demonstração surpreendente de diligência, dada a sua leviandade habitual. Talvez aquela postura frívola fosse uma tática deliberada para baixar a guarda das pessoas….

— Deixarei tudo isso finalizado e entregue ao marquês de Winchester ainda esta semana. Mas você ainda não vai me dizer onde está hospedado?

— Não. Isso só trará problemas.

Ele bateu na divisória que os separava do cocheiro, e a carruagem começou a se mover novamente. Era uma relíquia, inferior a um automóvel em todos os aspectos, exceto por sua discrição.

— É impressionante como conseguiu permanecer invisível neste pequeno canto do sul. Os repórteres estão frenéticos para conseguir uma foto sua. Onde diabos você poderia estar se escondendo…?

— E se eu te contasse? Traria uma comitiva de imprensa com você na próxima vez?

— Eu realmente trairia você?

— Está escrito por toda a sua cara.

Edgar soltou uma risadinha, um som vilanesco. Seus olhos, no entanto, permaneciam sérios. Às vezes, parecia que suas provocações frívolas eram uma tentativa deliberada de encontrar uma fraqueza. Uma hiena farejando vulnerabilidades, sem saber que seus esforços eram inúteis.

A carruagem de movimento lento parou novamente, desta vez em frente à estação de trem. Ao lado do reluzente automóvel Marlborough estava uma mulher. A linha elegante de seu pescoço branco e gracioso, visível sob o cabelo preso, lembrou-o de Vanessa.

— Quer conhecê-la?

Seus pensamentos haviam permanecido em Vanessa por apenas um momento.

— …O quê?

— Senhorita Hayley Morton, do marquesado de Morton. Eu sei o quão profunda é a sua desconfiança da humanidade, mas pensei que a senhorita Hayley pudesse fazê-lo mudar de ideia. Ela é uma excelente mulher.