Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 49

Capítulo 49

Tradução: Emma

Capítulo 49


Minha visão embaçou, depois clareou. Devo ter perdido a consciência por um momento. Meu corpo, ainda formigando com o reflexo do prazer, parecia sensível ao menor toque. Vanessa forçou suas pálpebras pesadas a se abrirem.

— Eu quero ir embora.

— Só um momento.

— Mentiroso… Trapaceiro… Você é… Vigarista.

Mesmo em seu estado lânguido, suas acusações cheias de energia fizeram River Ross rir. Vanessa descansou sua cabeça cansada contra a banheira. O rosto dele, ela se deu conta, era a raiz de tudo isso. Não importava o que ele fizesse com ela, não importava quão longe fosse, bastava um olhar para ele e sua raiva se dissipava.

— Fique quieta, Vanessa. Não se mexa.

— Por que está… Sendo tão… Carinhoso?

— Qualquer um seria, vendo você parecer que está à beira da morte.

Ele respondeu com facilidade, lavando gentilmente os ombros e braços inertes dela com uma esponja. A sensação era boa, mas constrangedora. E, no entanto, ela queria ficar assim com ele, só mais um pouco….

Bem quando um vislumbre de um sentimento mais profundo se acendeu dentro dela, uma vaga sensação de perigo, instintiva e aguda, a cutucou. Por impulso, estendeu a mão e segurou o pulso de River Ross.

— Eu faço isso.

— Por quê? Não está gostando?

— Não. É só que… Estou bem agora. Me dê isso.

— Então, está bem.

River Ross levantou-se sem fazer alarde. Ele organizou ordenadamente a esponja e as toalhas ao alcance dela, depois enxugou as próprias mãos.

— Termine de se lavar e saia.

Antes de se virar completamente, ele deixou a cortina cair de volta no lugar. Por baixo do tecido balançante, ela observou os sapatos dele se afastando. A cada passo, a realidade retornava.

Ela estava em um galpão de jardim negligenciado, com suas tábuas de assoalho desgastadas, seu teto abaulado, uma banheira de madeira, botas e cabos de pá cobertos de lama, tesouras de poda e um regador.

A sensação passageira de triunfo desapareceu, substituída por uma culpa estranha e generalizada pelo que havia feito. E….

Vanessa suspirou, apoiando a cabeça contra a banheira. Seu estômago vazio doía.

Então, farei uma aposta com você?

O eco de conversas passadas, como sussurros fantasmas, alcançou seus ouvidos cansados. A voz dele, a risada, o próprio ar daquele dia, tudo voltou a inundá-la. O que ela, tão confiante na época, respondeu à provocação dele? Não fazia tanto tempo assim. Mas agora…

Vanessa tocou os lábios úmidos com as pontas dos dedos trêmulas. Seu coração acelerou, batendo forte com a presença persistente de River Ross.



— Então, primo.

Theodore, olhando pela janela da carruagem, desviou o olhar. Edgar, sentado à frente, cruzou e descruzou suas pernas elegantes, depois suspirou dramaticamente.

— Está realmente confortável vivendo em um lugar como este?

— É… Tolerável.

— Realmente não entendo.

Edgar suspirou novamente, balançando a cabeça. O brilho incomum em seu rosto corado confirmava os boatos de seu caso satisfatório com a cantora de ópera — e os boatos da reação furiosa de sua tia, que incluiu o arremesso de um peso de papel.

Seu primo torceu o nariz, levemente machucado por uma alteração recente, como se o próprio ar de Bath o ofendesse.

— É decadente, pequeno e sujo por toda parte onde se olha. Especialmente em comparação com Lyndon.

Theodore deu de ombros, deixando a crítica contundente de seu primo passar por ele. Que cidade não pareceria uma província comparada à capital cintilante? Mas o desdém exagerado de seu primo por Bath tinha um motivo óbvio. Ele era um emissário, trazendo alguma diretiva implícita — ou explícita — da velha senhora de Battenberg.

Theodore considerava o primo como se consideraria uma ferramenta particularmente eficaz de sua avó. Mesmo sem essa consideração, o rosto de Edgar era sempre irritante. Ser parente desse homem chato era uma das poucas desventuras em sua vida.

— Simplesmente não faz sentido. Entendo o porquê da sua avó está lívida.

— Edgar.