Tradução: Emma
Capítulo 05
A pergunta de Theodore fez River Ross voltar imediatamente à atenção. Seu oficial superior não apreciava distrações. — Estou planejando… viajar para o sul, senhor. Para a mansão de Gloucester.
— Mansão de Gloucester? É sua casa?
— Ah, não, senhor. Meu tio é jardineiro da propriedade Somerset há muitos anos. Ele disse que irão precisar de mais mãos de obras nesse verão, então eu iria o ajudar.
Theodore encarou o subordinado excessivamente sincero, momentaneamente sem palavras. Sentindo a necessidade de se explicar sob aquele olhar, River Ross continuou, gaguejando: — Achei que seria melhor fazer algo útil durante minha licença do que apenas ficar sem fazer nada. Gloucester tem ar puro, um rio próximo para nadar e posso usar um galpão vazio como alojamento. O conde de Somerset concordou prontamente.
É claro que ele receberia mão de obra gratuita de braços abertos. Theodore curvou os lábios em um pensamento cínico que não podia expressar ao suboficial. Aquele simplório não saberia aproveitar uma oportunidade nem se ela o mordesse.
E quem sou eu para julgá-lo? Daqui a algumas horas, estarei cercado pelos lobos da sociedade, participando de uma infinidade de eventos tediosos. Só de pensar nisso, uma onda de fadiga e uma dor de cabeça nascente o acometeram.
— O trem para Bath deve chegar em breve. Se me der licença, capitão…
— Ah, sim. — Theodore assentiu distraidamente, prestes a se virar, quando algo o deteve. O trem vindo do sul, aquecido pelo sol, parou lentamente diante deles, irradiando ondas de calor cintilantes.
— Você parece não ter nenhum entusiasmo pela vida.
O inesperado eco de uma conversa do passado fez Theodore expirar lentamente. O sussurro de um homem morto, como o canto de uma sereia, aqueceu sua mente. Em sua imaginação, uma mão esquelética tocava seu peito.
— Cumpre seus deveres com perfeição, mas não sente alegria neles. E provavelmente nunca sentirá. Gostaria que, ao menos uma vez, seguisse seu coração em vez da razão.
— Meu coração?
— Seus impulsos, seus desejos.
Aquilo o atingiu com uma força quase desconcertante. A luz do sol estava excepcionalmente brilhante naquele dia, a brisa era fresca e o céu, absurdamente límpido. E então…
— Mudei de ideia.
— Senhor?
Theodore ofereceu a River Ross um sorriso perfeito, fazendo o homem mais jovem se sobressaltar. Aqueles afortunados o bastante para receber um sorriso assim de seu capitão geralmente reagiam com admiração reverente. River, porém, era um dos poucos que percebiam o perigo oculto por trás dele.
— Você disse que seus parentes estão no sul?
— Sim, senhor, mas…
— Vou acompanhá-lo em suas incríveis férias de verão.
— Senhor?
Enquanto River Ross o encarava, completamente atônito, as portas do trem recém-chegado se abriram com um silvo, liberando uma nuvem de vapor nebuloso, tão opaca quanto o futuro do suboficial.
Os gêmeos Winchester chegaram no final da tarde. Diferentemente do carro do barão Howard, que havia quebrado e atrasado sua chegada em vários dias, o veículo dos gêmeos chegou aos portões da mansão de Gloucester no horário previsto.
Vanessa saiu apressadamente para receber os velhos amigos. Embora tivessem se separado apenas algumas semanas antes, a alegria de se reencontrarem fora da escola fazia com que a reunião parecesse nova e emocionante. Enquanto os criados da família Winchester descarregavam os enormes baús, os três amigos se acomodaram em uma ampla sala de estar com vista para os jardins.
— Arruíne sua maquiagem.
Rosaline ofereceu o conselho com uma expressão séria. Blair, mastigando um torrão de açúcar, acrescentou:
— Ou finja ser mentalmente instável.
— Que tal começar a chorar no instante em que o encontrar?
— Ou simplesmente se comportar de forma terrivelmente vulgar. Posso lhe emprestar um dos vestidos da vovó, se quiser.
— …Por que raios trouxe aquilo? — perguntou Blair, incrédulo. Rosaline deu de ombros despreocupadamente. — Para tirar fotos em frente ao Templo de Santra. Quero recriar a fotografia da Grande turnê da vovó, na mesma pose e tudo mais.
— Não prefere ficar com o próprio Howard? Afinal, ele está com quase setenta anos.
— Ecá. — A exclamação de Rosaline mais parecia um engasgo. Era uma diferença de idade nauseante. Uma mulher de apenas vinte anos e um homem que se aproximava dos setenta anos.
— Tenho tanta inveja de vocês dois. — Vanessa confessou, esticando as longas pernas diante de si antes de se deixar cair sobre o sofá macio. Era uma quebra de etiqueta, mas a única pessoa que entrava naquela sala era a criada que trazia gelo quando a campainha era tocada.
