Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 4

Capítulo 4

Tradução: Emma

Capítulo 04


— Ah, e mais uma coisa. — Harold a deteve novamente quando ela tentou passar. Vanessa olhou para ele com curiosidade, e ele balançou a cabeça com firmeza. — Não vá ao jardim por enquanto. Há trabalhos elétricos em andamento, e o terreno está irregular. Novos trabalhadores também foram contratados de fora.

— Novos trabalhadores?

— Sim. Irão reformar o anexo abandonado, os campos de caça e os jardins, um por um.

— Reformar? De repente? — Vanessa piscou, surpresa. Seu tio gastava generosamente com os próprios prazeres, mas economizava cada centavo em qualquer outra coisa. Ele até mesmo vendera as fazendas arrendadas da família para quitar suas dívidas, então de onde havia conseguido dinheiro…?

— Os aposentos dos hóspedes terão prioridade. O salão de recepção da ala leste, os campos de caça, o jardim da frente e o lago de pesca serão os primeiros. Depois, o jardim-labirinto, o quintal dos fundos, a ala oeste e, por último, o jardim de rosas. É o mais afastado, então as pessoas raramente vão até lá. — explicou Harold, enumerando cada local nos dedos. De repente, ele abriu uma janela e franziu a testa. Os gritos abafados se tornaram mais altos. Parecia que uma briga havia começado entre os trabalhadores recém-contratados.

Homens cobertos de poeira se agarravam pelas golas e rolavam pelo chão. Acabaram se chocando contra uma carroça carregada de materiais, fazendo com que os itens empilhados de maneira precária balançassem perigosamente.

— Ei! Isso vai desabar! — Os trabalhadores que observavam a briga com diversão finalmente se aproximaram arrastando os pés. Harold suspirou e balançou a cabeça diante da cena. — Parece que este verão será tudo, menos tranquilo.

Vanessa concordou em silêncio. Este verão prometia ser longo e barulhento.



Os rostos dos soldados que lotavam a antiga estação ferroviária brilhavam com a expectativa de uma longa licença. Trens chegavam de todas as direções, faziam uma breve parada para engolir uma onda de homens e então partiam às pressas para seus respectivos destinos.

Theodore permanecia afastado da multidão agitada, recebendo uma carta de um mensageiro. A testa lisa do jovem oficial se franziu enquanto a lia. O sargento River Ross, extremamente atento ao desagrado de seu superior, perguntou cautelosamente:

— Más notícias, senhor?

— Não. — A resposta foi casual, mas a carta foi amassada impiedosamente em sua grande mão. River Ross, com uma expressão de poucos amigos, ergueu os olhos para o superior com preocupação.

Se a carta fosse uma das inúmeras cartas de amor que inundavam diariamente a caixa de correio da marinha , causando problemas até para descartá-las, ela não teria provocado uma reação tão visível. A maioria dessas cartas acabava no lixo sem sequer ser aberta. Esta, porém, não trazia o selo com o brasão real dos Ingram.

— Correspondência de soldado é sempre a mesma coisa. Perguntas sobre como estamos, se houve algum ferimento. Esse tipo de coisa.

— Mas o senhor parece bastante…

— Hã?

— …Descontente.

Theodore soltou uma risada baixa, deixando a carta amassada nas mãos estendidas do mensageiro junto com uma reluzente moeda de ouro. Poderia facilmente ter dado outra explicação, mas seu sargento sempre optava pela honestidade direta. No mundo de Theodore, aquilo era uma qualidade valiosa. Um homem constante, quase estupidamente íntegro. Muito mais confiável do que os tipos calculistas e frívolos.

— Minha avó é bastante persistente. Parece que ainda não desistiu.

— Era sobre uma proposta de casamento, senhor…?

— Um ritual anual que sou obrigado a suportar em toda licença. Sermões sobre casamento, noivado ou ao menos cortejar alguém. — As palavras tinham gosto de cinzas em sua boca. Ele não se importava com a companhia feminina, mas a perspectiva de um relacionamento sério lhe causava profunda repulsa. Havia abandonado qualquer esperança de um romance normal ou de um casamento respeitável aos oito anos de idade. No mesmo dia em que sua mãe morreu tentando fugir com o motorista da família.

Nada era tão horrível e vazio quanto a palavra “amor”. Theodore aprendera essa lição mais cedo do que a maioria. Seus pais haviam se casado após seis anos de namoro, sendo o primeiro amor um do outro, e ainda assim sua história havia terminado em um ódio amargo e morte.

— Parece que a Duquesa Viúva de Battenberg está determinada a empurrar seu neto, um herói de guerra, para a corte real. — Theodore sentiu o frio persistente do cinismo enquanto colocava um fino cigarro entre os lábios. Gostava bastante daqueles cigarros baratos distribuídos pelo exército. Resistiu ao impulso de acendê-lo imediatamente e apenas prendeu a ponta entre os dentes.

O céu estava excepcionalmente claro. A luz do sol inundava a enorme janela em arco, e os gritos distantes das gaivotas eram carregados pelo vento. Theodore observou a cena deslumbrante por um momento e então ajustou o boné branco da marinha.

— Oficial River Ross, quais são seus planos para as férias de verão?