Tradução: Emma
Capítulo 41
As respirações deles se misturaram suavemente, menos um beijo do que o toque hesitante de duas pessoas se encontrando no escuro. Ou talvez, uma primeira saudação.
Os lábios se separaram com relutância. Vanessa, que havia fechado os olhos instintivamente, ergueu devagar os cílios trêmulos. River Ross estava perto o bastante para que os narizes quase se tocassem. Seus olhos azuis, da cor de um céu de maio friamente bonito, seguravam o olhar dela. Ele pegou o braço dela e o colocou ao redor do próprio pescoço. Sua língua macia, persuadindo os lábios dela a se abrirem, deslizou entre eles num único movimento, engolindo docemente a umidade que ali se acumulava.
Vanessa sentia-o na borda dos seus sentidos, a suave mistura das peles, o deslizar morno dos lábios dele contra os dela. Ele tinha um gosto, surpreendentemente, de masculinidade cara — o gosto do perfume que usava; frio, denso, nascido de um aroma que deixava seus joelhos fracos.
Agora, ela não sabia mais no que acreditar. O rosto gentil de River Ross contrastava com seus olhos frios, seu toque quente com seu jeito distante, seus lábios úmidos de saliva com sua respiração seca. Tudo nele parecia falso e, ao mesmo tempo, completamente verdadeiro. Como aquele próprio espaço, onde luxos extravagantes coexistiam com necessidades de poucos tostões. Ele era como um homem feito de uma ilusão de verão meticulosamente elaborada.
— River, River! E-espera, só um momento.
Bem quando seu corpo começou a se inclinar para trás, Vanessa arfou e empurrou os ombros dele. Diante de suas palavras ofegantes, River Ross riu baixinho.
A respiração dela falhou. Seus lábios tremiam delicadamente, como as asas de um passarinho recém-nascido. Os dedos de River Ross se apertaram levemente em torno do seu queixo. Ele capturou de novo os lábios entreabertos e úmidos dela. Um pouco mais fundo.
— Hm.
O calor floresceu, apenas com aquele pequeno contato, como naquela tarde. Sem forças, Vanessa amassou a saia entre as mãos. Na breve pausa entre os beijos, ela arfou e empurrou o ombro dele de novo.
— Espera, só um momento...
— Por quê?
Ele ergueu a cabeça, um toque de irritação na expressão, os lábios tendo trilhado a curva delicada do pescoço dela. Vanessa, atrapalhada, se remexeu nervosamente.
— Eu, eu estou suando demais agora.
— Tudo bem.
— Não, não! É, é... Não está fazendo calor demais? E se a gente, hum, fosse até o rio só por um instante?
— Sair? Agora?
O rosto dela ficou vermelho enquanto assentiu com sinceridade.
— Não esperava por isso... Estou suja. Quero me lavar. Uma toalha molhada, ou até mesmo só molhar os pés... Seria bom.
Ele a olhou em silêncio por um instante, depois a soltou. Vanessa, com o rosto misturando surpresa e alívio, segurou a manga dele.
— Aonde vai?
— Você quer se lavar. Vou pegar água.
Ele afastou a mão dela com delicadeza e se levantou, os movimentos ensaiados enquanto pegava o balde de madeira perto da porta. Antes de sair, olhou para trás, na direção dela.
— Só para saber, não está suja. De jeito nenhum.
Vanessa fitou sem expressão a porta entreaberta que ele deixou para trás. As pontas dos dedos tremiam enquanto tocava os lábios ainda quentes. O que aconteceria quando ele voltasse? Eles iriam até o fim?
A própria situação já dava a resposta. Mesmo sem conhecer os detalhes da intimidade entre um homem e uma mulher, ela sabia que aquele era o momento logo antes de ser “levada até a cama”.
Claro, o ato em si era algo que ela desejava havia tempos. Foi mais constrangedor do que ela imaginara, uma sensação formigante que a fazia se contorcer, um sentimento impotente de ser arrastada...
Estava quente.
O beijo, o jeito como ele a tocava e a olhava, os olhos dele, e até a resposta ardente do próprio corpo dela a tudo aquilo... Vanessa soltou um suspiro trêmulo. A mão que estava traçando os lábios desceu devagar para brincar com a fita no decote.
