Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 40

Capítulo 40

Tradução: Emma

Capítulo 40


Uma mulher deseja um homem, e o homem aceita de bom grado...

Coisas assim só eram aceitáveis em relacionamentos normais. Claro, Vanessa não fazia ideia do que era geralmente permitido entre “amantes”. Crescendo, o único homem próximo a ela tinha sido Blair, e, diferente de Blair, até mesmo um olhar de River Ross às vezes a deixava nervosa.

— Açúcar ou licor?

— Só leite, por favor.

— Não tenho leite.

— Então só o chá está bom.

Ele pegou os itens necessários no armário. Dentro do armário quase vazio, não havia nada além de duas garrafas de bebida forte e uma lata de folhas de chá. Como se ele guardasse apenas o mínimo indispensável, pronto para partir a qualquer momento.

A mochila militar no canto da casinha parecia intocada desde o dia em que ele chegará. Pronta para que partisse imediatamente, caso fosse preciso.

Observando as costas dele, ainda com o queixo apoiado na mão, Vanessa falou por impulso.

— Tenho pensado no que fazer a seguir.

— Que tipo de pensamento?

— Sobre meu plano de arruinar minha reputação. Já que disse que é... Incapaz de ter filhos.

— O Sul é bastante conservador, não é? Até mesmo um boato de você estar sozinha no jardim com um homem à noite já seria devastador.

— Isso não chegaria aos jornais.

— Quer que chegue aos jornais?

— Boatos podem ser abafados. A memória das pessoas se apaga. Mas, se algo é registrado, se torna uma verdade eterna. E eu não negaria.

Ele se virou de onde estava adicionando as folhas de chá à chaleira e olhou para o rosto pensativo de Vanessa. Perdida em pensamentos, ela não notou o olhar dele enquanto continuava, devagar.

— E se eu... Tivesse um enjoo matinal durante a cerimônia do casamento? Haveria repórteres lá.

— Eles chamariam um médico.

— Eu não poderia subornar ele de alguma forma?

— Conseguiria sequer contatar um médico com antecedência? Você disse que ficaria em reclusão.

— E se eu tivesse uma convulsão? Algo que me fizesse parecer instável, mental ou fisicamente.

— Uma encenação que não consegue sustentar é melhor nem começar.

— E fingir estar apaixonada por qualquer homem que aparecer?

— Já não está fazendo isso?

Clique. Rindo baixinho, River Ross colocou a xícara de chá sobre a mesa, sem nem mesmo um pires. — Planos incertos só irão arruinar a sua vida, Vanessa.

Vanessa estreitou os olhos para a xícara diante dela. Uma coisa era certa: ele tinha estragado o chá. Se é que aquilo podia ser chamado de chá. O líquido escuro, entre marrom e preto, parecia amargo.

Nenhuma quantidade de açúcar seria capaz de consertar isso...

Ela empurrou discretamente a xícara para longe e o olhou.

— De qualquer forma, hoje só vim te ver. Para te dizer que já me recuperei.

— Você parece um comerciante tentando provar sua confiabilidade a um cliente.

— Isso não está totalmente errado. Nossa relação não é exatamente superior a isso.

— Já vai embora?

— Depois de comer os sanduíches.

Conferindo o relógio de pulso, Vanessa tirou da bolsa o manuscrito, a caneta-tinteiro e o pote de tinta. Ainda tinha algum trabalho a fazer no manuscrito que devia entregar no dia seguinte.

Ela fez um gesto displicente com a mão para River Ross, que a observava com uma expressão confusa.

— Não se importe comigo. Faça o que precisar. Só preciso terminar isso.

Ele a observou organizar meticulosamente as páginas do manuscrito, os cantos dos lábios se curvando para cima.

— Um romance?

— Ah... sim. Mencionei da última vez que tinha uma renda extra. — Ela respondeu com naturalidade, mas soou um pouco forçado.

Vanessa o olhou com os olhos ligeiramente constrangidos. — Também acha que esse tipo de trabalho é desnecessário para alguém como eu?

— Bem... — Ele pegou a caneta-tinteiro dela sobre a mesa. — Acho preferível, a não fazer nada. Os dias em que a terra herdada geravam renda por si só já se foram.

— Acredita no valor do trabalho?

— Eu acredito no valor do dinheiro. Ele resolve muitos problemas.

— Foi por isso que entrou para a Academia Naval. A posição mais alta que um plebeu pode alcançar.

— Algo assim.

Ele devolveu a caneta-tinteiro a ela com um aceno de cabeça, como se dissesse para ela ignorá-lo e continuar. Vanessa pegou a caneta com hesitação.

Era realmente um prazo apertado, e ela precisava terminar agora para poder enviar por mensageiro pela manhã. No início, estava ansiosa para arruinar sua castidade o mais rápido possível, mas, passando um tempo assim com um homem tão chamativo quanto River Ross, parecia que os escândalos surgiriam por conta própria.

Se eu ficar aqui um pouco mais e voltar ao castelo por volta da hora em que os criados retornarem, posso garantir algumas testemunhas.

— Vanessa.

Ela tinha se esquecido momentaneamente de River Ross, completamente absorta na escrita. Acabara de terminar o último ponto final. Ao ouvir seu nome, ergueu os olhos bem no instante em que River Ross segurou seu queixo. Ele se inclinou e a beijou suavemente, os lábios dele envolvendo os dela com delicadeza.