Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 42 - +18

Capítulo 42 - +18

Tradução: Emma

Capítulo 42


Quando estava com ele, todos os seus sentidos se aguçaram. Um mero roçar de lábios, um lampejo da língua dele, e ela já ficava molhada, os mamilos endurecendo. Essas mudanças em seu corpo já tinham se tornado comuns. No instante em que percebeu isso, um medo estranho a dominou.

Ela sentia que, num futuro bem próximo, estaria se agarrando a ele, implorando. Entregando tudo sem pensar, sem saber onde estava a linha do arrependimento.

— No que está pensando com essa cara tão séria?

River Ross tinha voltado, colocando o balde de madeira cheio de água aos pés dela. Flutuando na superfície cintilante havia uma profusão de peônias. Os olhos de Vanessa se arregalaram.

— De onde vieram as flores?

— Usei as peônias que você trouxe. Parecia um desperdício deixá-las secar.

— Eram apenas algumas que peguei do chão.

— Se podem ser usadas, devem ser.

Elas certamente tinham utilidade. A visão de algo tão vibrante flutuando na água as faziam parecer duplamente belas e frescas. Vanessa, encantada, mergulhou as mãos na água e ergueu uma peônia.

— Linda.

Estranhamente, uma sensação formigante se espalhou pelo peito dela. Não importava se era um esforço deliberado para deixá-la à vontade ou não. Pelo menos, era assim que parecia.

Ergueu a cabeça, de onde estava admirando a flor. River Ross estava de braços cruzados, o rosto levemente úmido. Devia ter lavado o rosto enquanto buscava a água. Uma gota presa na franja escorreu pela bochecha bem talhada dele. Ele ergueu uma sobrancelha.

— Por quê?

Vanessa, com o rosto corado até o nascimento do cabelo, desviou rapidamente o olhar. Não queria pensar em como devia parecer tola. Não queria que ele soubesse o quanto ela estava intensamente consciente de cada detalhe dele.

Vanessa colocou a flor de volta na água, tirou os sapatos e mergulhou os pés. Só percebeu que não tinha tirado as meias depois que suas panturrilhas já estavam molhadas.

— Esse é um jeito estranho de molhar os pés.

Ele riu baixinho, testando a água com a ponta dos dedos como quem verifica a temperatura. Vanessa, tentando ignorar as bochechas quentes, manteve a compostura.

— É assim que todas as mulheres fazem. Não dá para simplesmente levantar a saia lá fora.

— Isso aqui não é lá fora.

— É verdade, mas...

— Elas vão molhar. Segure isso.

Ele juntou a saia dela, já úmida, e a colocou nas mãos dela. O toque dele era hábil, como o de um profissional, enquanto desafivelava a liga e retirava as meias dela. Se é que existia algo como um profissional nessa área. Vanessa o observava de olhos arregalados.

Ele parecia acostumado com aquela situação. Claro, com um rosto e um corpo como o dele, era improvável que aquele fosse seu primeiro encontro com uma mulher. Ele deve ter despido centenas de mulheres várias vezes...

Estranhamente, uma sensação de calma se instalou nela. Não tinha seduzido por impulso um homem virtuoso; havia proposto um ato indecoroso a alguém já acostumado com esse tipo de coisa. Aquilo era uma troca justa.

Ele receberia o dote mais precioso dela e desfrutaria, como benefício secundário, do pequeno prazer do corpo dela. Ela mancharia levemente a reputação dele, e nenhum dos dois futuros seria significativamente afetado.

— Ah.

Perdida em pensamentos, ela arfou quando seu tornozelo foi subitamente segurado. Os olhos de Vanessa se arregalaram de surpresa. River Ross examinava seu tornozelo com uma expressão séria.

— Ainda há um pouco de inchaço.

— Ah, sim. Tirei as ataduras porque estavam apertando, mas me disseram para ter cuidado por um tempo.

— Ainda dói?

— Está bem melhor. Não dói mais.

— Se mexeu de repente. Achei que tinha tocado num ponto sensível.

Os dedos longos dele pressionaram delicadamente o osso do tornozelo, o calcanhar, o peito do pé e a fíbula dela, como quem verifica se há ferimentos. A sensação do toque dele num lugar raramente tocado era estranha. Ela enrolou os dedos dos pés.

— É apenas... Cócegas...

Cócegas significava que é uma zona erógena, o sussurro provocador de Rosalind ecoou em sua mente. Naquele instante, uma respiração quente ficou presa em sua garganta.