Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 3

Capítulo 3

Tradução: Emma

Capítulo 03




— O barão Howard chegará amanhã à noite.

Era para um jantar em comemoração ao vigésimo aniversário de Vanessa. Vanessa interrompeu o corte do pato no meio do movimento e encarou, perplexa, o tio sentado à cabeceira da mesa. O cheiro de uísque e vômito ainda impregnava seu corpo desde sua chegada antes do amanhecer, trazido pelos guardas da casa de jogos. Ele esvaziou a taça de vinho como se fosse água e então arrotou alto.

Já fazia três anos desde o último encontro deles, após sua formatura no Internato Saint Louis na tarde do dia anterior, mas seu tio parecia não ter mudado. Vanessa abaixou o olhar para o prato com discrição. — Ele ficará por muito tempo?

— Creio que sim. A Baronesa Howard faleceu há alguns meses.

Ah, aquela pobre senhora.

Vanessa havia lido sobre a infeliz morte da mulher no jornal alguns dias antes. Atropelada por uma carruagem ao atravessar a rua. Embora os jornais retratassem o ocorrido como um acidente trágico, os relatos das testemunhas contavam uma história diferente. Diziam que a Baronesa fugia aterrorizada, levada ao desespero pela bengala do marido aleijado.

Aqueles que a viram se lançar na frente da carruagem afirmavam que ela parecia estar se atirando para a morte em busca de salvação. Vanessa não sabia qual versão era verdadeira, mas qualquer uma delas era suficiente para manchar a reputação do barão Howard.

— Precisaremos de roupas novas e joias para receber o velho adequadamente. — Seu tio, após esvaziar a taça de vinho, puxou o prato para mais perto. — Traga o talão de cheques. Use-o com moderação. Nada de extravagâncias.

Vanessa o encarou, estupefata. A morte da baronesa era uma tragédia terrível, mas roupas novas e joias para receber o barão? O que ela tinha a ver com ele? Sua linha de raciocínio perfeitamente lógica foi interrompida abruptamente quando uma terrível compreensão surgiu. Sua mão pálida, segurando os talheres, tremeu levemente. — O que está dizendo?

— Sim. Ele está procurando urgentemente por uma nova esposa. Administrar uma propriedade sem uma dona é um fardo considerável, sabe. — Wyatt disse, servindo-se de uma grande porção de pato gorduroso e mastigando com gosto. A carne vermelha era despedaçada sem cerimônia por seu garfo e faca afiados. — Claro, não pretendo casá-la imediatamente. Se alguém oferecer condições melhores que as daquele velho, terá prioridade. Precisará conhecer o maior número possível de homens, então ficará bastante ocupada por um tempo.

O significado das palavras do tio era claro. Uma transação. Uma transação matrimonial, com ela sendo a única mercadoria exposta. O estômago quase vazio ficou cheio de náusea. Percebendo os olhares apreensivos das criadas, Vanessa mordeu os lábios. Opor-se ao tirano da mansão de Gloucester seria imprudente, tanto para ela quanto para os servos. Respirando fundo para se acalmar, forçou um tom casual. — Se ele chegar amanhã, a visita dele coincidirá com a dos meus próprios convidados.

— Seus convidados? — Os olhos de Wyatt se arregalaram em falsa surpresa. Sua expressão, uma mistura de suspeita e cautela, exigia uma explicação.

— Os gêmeos Winchester, como mencionei em minha última carta. — Vanessa falou rapidamente, reprimindo a ansiedade. — Eles planejam iniciar sua Grande turnê após a formatura, mas desejavam passar um mês aqui visitando amigos antes disso. O senhor deu sua permissão da última vez… lembra?

O rosto de Wyatt, inicialmente preparado para uma recusa, transformou-se em uma expressão pensativa. O nome "Winchester" havia feito efeito. — ...Tudo bem. Faça como quiser. — resmungou o conde, agitando um dedo engordurado em advertência. — Mas nem pense em negligenciar nosso convidado por causa dos seus amigos.

— Claro que não.

Satisfeito com sua resposta dócil, Wyatt passou para o próximo prato. O tilintar dos talheres preencheu o silêncio que se seguiu. Quando um jovem criado apresentou a sobremesa, Vanessa se levantou da cadeira. Já havia suportado a refeição por tempo suficiente para evitar ofender o tio. — Se me der licença.

Como esperado, Wyatt apenas assentiu sem sequer olhar em sua direção. A última coisa que Vanessa viu antes de deixar a sala de jantar foi o tio despejando uísque sobre o creme de baunilha. Mantendo um passo tranquilo até alcançar as escadas, ela acelerou o ritmo e começou a correr ao passar pelo saguão de entrada. Precisava chegar ao jardim. Era o único lugar na mansão de Gloucester onde poderia recuperar a compostura sem ser observada.

— Senhorita.

Harold, o mordomo, bloqueou seu caminho. Os olhos do velho enrugado examinaram atentamente seu rosto pálido. — Correr assim é perigoso. Aconteceu alguma coisa?

Harold, que possuía uma longa cicatriz da sobrancelha esquerda até o queixo, era um mordomo contratado por Wyatt sete anos antes. Parecia mais um capanga do que um criado experiente. Vanessa balançou a cabeça levemente. — Não, não aconteceu nada. Obrigada pela preocupação.

Forçou um sorriso enquanto Harold continuava observando-a, as mãos cruzadas atrás das costas. Aparentemente sem encontrar nada de errado, o mordomo franziu os lábios em desaprovação. — Independentemente disso, esse comportamento é inadequado, especialmente com convidados chegando.

— Vou me lembrar disso… Todos os preparativos para meus amigos estão concluídos?

— Seus convidados ficarão na ala oeste para evitar encontros com os outros hóspedes. Dois quartos foram preparados.

— Outros hóspedes? Mais pessoas chegarão?

— Mais alguns convidados do conde são esperados. Eles ficarão na ala leste. O conde insiste que todos os hóspedes compareçam ao jantar durante sua estadia.

— …Se o tio diz isso, devo obedecer. Muito bem.