Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 33

Capítulo 33

Tradução: Gheo

Capítulo 33


O convite e os pedaços da carta rasgada caíram no colo de Rosalind. Ela havia saboreado cada linha daquela última correspondência como se fosse um banquete requintado; então, ergueu a cabeça com calma. Com movimentos graciosos, juntou as folhas, dobrou-as e as guardou de volta no envelope.

– Parece que minha partida será adiada.

Ao aceitar a xícara e o pires que Mary lhe oferecia, Rosalind suspirou, balançando a cabeça de leve, enquanto o aroma perfumado do chá se espalhava pelo cômodo. Ela tomou um gole delicado antes de comentar, em tom brincalhão:

– Claro, estou muito feliz em passar mais tempo com você, Vanessa. Não me entenda mal.

– Eu sei. E eu também gosto da sua companhia.

– Meu pai tem negócios no sul. Ele planeja aproveitar a oportunidade para entregar uma empresa licenciada a Blair.

– A empresa licenciada perto de Somerset? A fábrica têxtil?

– Exatamente. Para coordenar tudo, parece que terei que adiar minha partida por algumas semanas. Seu tio provavelmente ficará contrariado com a presença de um hóspede incômodo por mais tempo.

Vanessa riu e balançou a cabeça.

– Imagino que ele receberia o Marquês de Winchester de braços abertos, especialmente se envolver negócios.

O Marquês de Winchester, um nobre proeminente da capital, tinha apenas um motivo para viajar para o sul a "negócios": o Duque de Battenberg, o homem que, segundo rumores, estava praticamente desaparecido na região sul.

Era do conhecimento geral que o Duque conduzia todos os seus negócios por meio de cartas e telefone, mantendo-se discreto. Sabia-se também que a correspondência semanal do Duque, entregue na propriedade ducal, trazia o carimbo postal de Bath.

Os fofoqueiros especulavam que o comportamento incomum do Duque decorria da pressão de sua avó, a Duquesa Viúva de Battenberg, para que ele aceitasse uma união real à qual se opunha firmemente.

Sempre que se reuniam, inventavam novas histórias: ora o Duque guardava uma amante secreta, ora a guerra o deixara emocionalmente instável ou um ferimento que o desfigurara. Segundo os boatos, o Duque alternava entre o papel de um misógino frio e o de um homem com cinco filhos ilegítimos.

Aos oito anos de idade, ele foi aclamado como um anjo da época.

Em todo caso, era seguro dizer que todos os olhares estavam voltados para Somerset naquele momento. Até mesmo a primeira página do jornal local de Rosalind tratava daquele duque.

– …

Uma estranha sensação de inquietação tomou conta de Vanessa enquanto ela olhava atentamente para a primeira página do jornal de Rosalind.

– O que foi, Vanessa?

– …Hm?

– Aconteceu alguma coisa?

– Não… na verdade, não.

Rosalind arqueou uma sobrancelha diante da resposta vaga. Ao acompanhar a direção do olhar de Vanessa para a primeira página, seus olhos se arregalaram de surpresa.

– Por acaso, você tem interesse no Duque?

– Vanessa está interessada em quem?

Blair entrou, jogando o casaco sobre o sofá e inclinando a cabeça curioso. O sorriso de Rosalind se alargou.

– No Duque de Battenberg. Parece que Vanessa finalmente se interessou por um homem.

– Não é bem assim. É só… a imagem. Acho que já o vi em algum lugar antes.

– O rosto do Duque? Todas as fotografias disponíveis publicamente estão desfocadas assim.

– Deixe-me ver isso por um instante.

Vanessa pegou o jornal de Rosalind e examinou cuidadosamente a imagem na primeira página. Parecia ser uma fotografia tirada às escondidas, mostrando vários soldados reunidos à distância.

O jornal era barato, com uma impressão nitidamente ruim. Era o melhor que a região oferecia, mas nenhum exemplar de Somerset chegava aos pés dos jornais da capital.

Contudo, mesmo na capital, seria impossível encontrar uma imagem melhor. O rosto do Duque de Battenberg só fora visto em público quando ele tinha oito anos. Todas as fotografias publicadas desde então estavam desfocadas demais para que suas feições fossem reconhecidas. Embora esse mistério por si só bastasse para que as pessoas elogiassem sua suposta beleza, a falta de nitidez apenas alimentava os mitos ao seu redor.

A rigidez dos soldados era a única coisa nítida no retrato. Logo, a leve sensação de desconforto de Vanessa sumiu. Perdendo o interesse na notícia, ela simplesmente deixou o jornal de lado.