Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 32

Capítulo 32

Tradução: Gheo

Capítulo 32


– Não fique aí parada como uma boba! Ainda bem que escolhemos sua roupa antes, senão você com certeza ia se atrasar para o jantar.

– Meu tio? Ele ainda está na sala de estar com o Conde de Lowden?

– Sim. Felizmente, um excelente aperitivo acabou de chegar, então ele não tem ideia do seu estado atual.

Mary praticamente arrastou Vanessa até o banheiro. A água da banheira estava fria, mas seu vestido, leque, joias e sapatos estavam todos arrumados como planejado. Ela sentou-se obedientemente em frente ao espelho enquanto Mary desatava a fita de seu cabelo. Suas tranças douradas caíram em cascata como uma cachoeira brilhante.

– Não vai dar tempo de tomar banho. Mas você não está parecendo tão suja assim.

Com essa afirmação direta, Mary esfregou o rosto, o pescoço e os braços com um pano frio e úmido. Vanessa estremeceu com o toque gelado em sua pele já um pouco febril.

– A água estaria quente se você tivesse chegado na hora.

O tom de Mary era inflexível enquanto ela continuava com movimentos rápidos, quase bruscos.

Quando a pele de Vanessa ficou rosada como a de um recém-nascido, ela aplicou uma leve camada de creme e pó. Um toque de cor nos lábios e nas bochechas deu um brilho saudável ao seu rosto.

Vanessa observou seu reflexo com calma. O resultado era tão diferente de suas próprias tentativas desastradas de maquiagem que ela achou fascinante. Nem mesmo River Ross a provocaria sobre sua aparência desta vez.

– Vou jogar isso fora. Está manchado de um jeito que não tem conserto.

Mary segurava "aquilo" entre o polegar e o indicador, balançando-o no ar. Era a fita branca que River Ross havia refeito para ela. Manchas verdes e marrons agora marcavam sua superfície.

Normalmente, teriam descartado sem pensar duas vezes. Embora suas finanças não fossem extravagantes, certamente poderiam comprar uma fita nova. No entanto…

– Não, Mary.

Vanessa balançou a cabeça, os lábios se curvando em um sorriso que nem percebeu ter esboçado.

– Deixa para lá.



A promessa de se verem novamente naquela noite, feita com a mesma naturalidade de uma despedida, não chegou a se cumprir. A culpa era inteiramente de Vanessa. Seu corpo a havia traído mais uma vez.

Na noite do jantar, ela sentiu um calafrio e, ao amanhecer, a febre a dominou. Ela culpou sua saúde frágil, que a deixava de cama por uma semana sempre que a doença a atingia.

O único consolo era que ela poderia evitar o Conde Lowden por um tempo. Seu tio havia garantido que nenhuma visita fosse permitida, mantendo sua saúde em segredo.

– Acabei de escrever uma carta recusando o convite para o passeio de barco no rio Dunster.

Rosalind entrou no quarto sem bater, atirando-se no sofá ao lado da cama. Seus braços estavam carregados de jornais e convites. O carteiro da semana devia ter acabado de sair.

Os gêmeos Winchester eram bem-vindos em toda a sociedade sulista. Nobres influentes da capital, eles aumentavam o status de qualquer anfitrião. Eram charmosos, tinham uma postura tranquila e uma índole impecável.

As circunstâncias deles eram muito diferentes das de Vanessa, que, sem dote, havia se tornado o pequeno e belo fardo de Somerset. Ela fechou o livro, recostando-se nos travesseiros.

– Não se preocupe comigo. Vá e divirta-se. Você estava ansiosa pela festa no barco.

– Te deixar doente? De jeito nenhum.

Rosalind zombou, rasgando casualmente alguns convites.

Embora não tivesse sido de grande ajuda nos cuidados médicos, ela se manteve fiel ao peculiar princípio de não abandonar um doente, uma regra que vinha seguindo diligentemente há dias.