Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 31

Capítulo 31

Tradução: Gheo

Capítulo 31


Até mesmo aqueles poucos traços pareciam evocar um ar quente e suave ao redor. Uma testa arredondada, um nariz delicado, lábios carnudos... Uma estranha sensação de familiaridade a invadiu.

Se eu cobrir aqueles olhos mal desenhados... talvez consiga reconhecer quem é.

Foi nesse momento, enquanto estendia a mão cautelosamente, que River Ross segurou seu pulso, impedindo-a de pegar o caderno de esboço.

– Já é tarde, Vanessa.

– Ah?

– Acredito que os criados mencionaram um jantar esta noite .

Ao ouvir suas palavras, Vanessa finalmente olhou para o relógio. River Ross tinha razão, faltavam apenas trinta minutos para a chegada do "convidado". Como ela pôde se esquecer?

– Verdade!

Vanessa levantou-se rapidamente, passando as mãos pelos cabelos e ajeitando as roupas desalinhadas. Quando se apressou para sair, ainda desarrumada, ele a deteve.

– Espere.

Com destreza, alisou as rugas do vestido e desembaraçou seus cabelos. Até então, ele preferia deixá-los em seu estado natural, encontrando beleza em sua selvageria.

Mas, se ela voltasse para a mansão daquele jeito, os rumores certamente se espalhariam. Qualquer um perceberia que os dois haviam tido um encontro secreto.

Ele reuniu seus cabelos despenteados e começou a trançá-los. Lidar com seus longos fios era semelhante a trançar cordas de navio. Exigia um toque muito mais leve e delicado, mas o resultado ficou apresentável o suficiente.

Theodore terminou amarrando novamente a fita que ela usava para prender o rabo de cavalo durante todo o dia, transformando-a em um laço perfeito.

– Como você...?

Os dedos de Vanessa moveram-se inquietos enquanto tocavam seus cabelos agora arrumados. Ele apenas deu de ombros e abriu a porta do galpão. O ar ainda fresco do início do verão roçou em seu pescoço úmido.

Junto à porta, ele envolveu a mão pequena dela com as suas, o que a fez corar involuntariamente. Por mais que agisse como o cavalheiro perfeito, o ar de libertino era inegável.

Talvez fosse o jeito como a olhava. Seus olhos azuis, profundos como o oceano, pareciam ameaçar puxá-la para dentro e engoli-la por completo. O canto de sua boca, que momentos antes mordiscara provocativamente a ponta do dedo dela, curvou-se em um sorriso sedutor.

– Eu te conto da próxima vez.



– Meu Deus, minha senhora! – exclamou Mary ao ver Vanessa entrar sorrateiramente pela porta dos fundos.

O rosto pálido da jovem criada iluminou-se de alívio por um instante, mas a expressão logo desapareceu. Cerrando os dentes, ela desceu as escadas apressadamente.

– Onde a senhora estava? Fiquei tão preocupada!

Ela segurou os ombros de Vanessa com firmeza.

– O convidado está quase chegando! Ninguém a vê desde o almoço, e o Sr. Ross já voltou para a mansão faz tempo!

– Desculpe.

– Isso não é motivo para rir, minha senhora! Está tentando me matar do coração?

Seu tom ríspido chamou a atenção de alguns criados que passavam.

Mary respirou fundo, percebendo o próprio excesso de raiva. O Sr. Wyatt, embora normalmente indiferente e lânguido, transformava-se em um verdadeiro inferno com a equipe se o menor detalhe desse errado na presença de um convidado.

E Vanessa, a pessoa mais importante da casa, havia desaparecido pouco antes do jantar. Para Mary, cuja responsabilidade era cuidar dela, nada poderia ser mais desesperador.

Com o rosto corado de vergonha, Vanessa pediu desculpas.

– Sinto muito mesmo. Adormeci enquanto lia no... jardim.

Espero que ela acredite.

Seu coração disparou enquanto improvisava a desculpa. Não era uma mentira completa, mas também não era toda a verdade.

Os olhos semicerrados de Mary a percorreram da cabeça aos pés, como se procurassem vestígios de um encontro amoroso nas roupas amarrotadas, nos cabelos ou no rubor de suas bochechas.

Apesar de tentar manter a compostura, Vanessa se sentia desconfortável sob aquele olhar investigativo. Mesmo com os cuidados de River Ross, ela ainda não havia conferido sua aparência no espelho.

Sem dizer mais nada, Mary agarrou seu pulso e a puxou consigo.