Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 2

Capítulo 2

Tradução: Emma

Capítulo 02


No entanto, seu cliente, o senhor Wyatt, havia insistido em absoluta clareza, até nos menores detalhes, para evitar quaisquer perguntas inconvenientes mais tarde.

— Chegaremos em breve. Irei pegar a sua bagagem.

Lançando um olhar pela janela, o advogado dobrou o jornal e se levantou do assento. Sua bagagem, uma pequena maleta, estava guardada no compartimento superior. Ele a entregou, e Vanessa a colocou cuidadosamente sobre o colo.

— Haverá alguém esperando para acompanhá-la até a mansão de Gloucester. Basta segui-lo.

— O senhor não vem comigo?

— Desembarco na próxima estação. Tenho uma montanha de trabalho para outros clientes.

O advogado verificou o relógio de bolso, seu tom suavizando um pouco. A viagem de trem de nove horas de Londres a Bath era exaustiva até mesmo para um adulto. No entanto, aquela jovem havia permanecido composta durante todo o trajeto. Sem lágrimas, sem inquietação, sem reclamações.

Considerando que havia perdido ambos os pais há menos de um mês, sua compostura era notável.

— Como é meu tio?

Sua pergunta o arrancou dos pensamentos. Seus olhos, estreitados em reflexão, se abriram novamente.

— Não tenho certeza do que quer dizer.

— Ouvi dizer que o senhor trabalhou com ele por muito tempo. No exterior.

— Bem… Ele não é um homem… gentil. Mas você é a única parente viva dele. Duvido que seja cruel com você.

— ….

— As coisas mudarão novamente em sete anos, quando você atingir a maioridade.

Os olhos de Vanessa se arregalaram em questionamento, seus cílios dourados, emoldurando os olhos cinzentos pálidos, tremulando como asas de borboleta.

— Como elas vão mudar?

— Você se casará. Então herdará a pensão que era paga à antiga condessa. São aproximadamente trinta mil libras por ano.

— Preciso me casar para herdar a pensão?

— Ou ter um filho. A lei imperial concede direitos de herança àqueles que possuem dependentes. Até lá, o senhor Wyatt — quero dizer, o novo conde de Somerset — administrará as suas finanças.

Vanessa assentiu graciosamente, mantendo a postura perfeitamente ereta. Nem um lampejo de emoção denunciava o fato de que não teria acesso a uma única moeda de sua herança até alcançar a idade adulta. Ele se perguntou se ela sequer havia entendido.

Naturalmente, em sua idade, assuntos tão complexos quanto pensões e heranças provavelmente estavam além de sua compreensão. O trem soltou um silvo ao parar na plataforma.

— Norte de Somerset, Estação de Bath! Por favor, recolham seus pertences! O trem partirá em dez minutos!

Os passageiros invadiram o corredor, disputando espaço. Vanessa se levantou, o rosto ligeiramente tenso enquanto segurava sua maleta. Deu alguns passos, mas tropeçou e cambaleou perigosamente.

— Minha nossa.

O advogado segurou seu braço, surpreso. Ela parecera tão composta enquanto estava sentada, mas seu corpo ardia em febre.

— Precisará consultar um médico quando chegar na mansão.

— Obrigada por sua preocupação, mas não é nada sério.

— Você está com febre alta.

— O senhor vai contar ao meu tio?

— Claro.

— Não é nada sério. Estou apenas… animada, eu acho.

— Animada?

— Tenho boas lembranças dos verões na mansão de Gloucester. Estou muito triste agora, mas tenho certeza de que voltarei a ser feliz quando me estabelecer lá.

Vanessa tocou a bochecha corada com o dorso da mão, oferecendo um sorriso genuinamente infantil.

— Por favor, não conte ao meu tio. Não quero que ele se preocupe.

O advogado ficou momentaneamente sem palavras. Ele se orgulhava de sua capacidade de lidar com qualquer situação, mas aquela garota inocente lhe despertava um estranho sentimento de vergonha. Tudo o que conseguiu dizer foi um fraco— Desejo-lhe toda a felicidade do mundo, Vanessa.

— Obrigada. O senhor é muito gentil.

— Você deve ir agora. O trem está prestes a partir.

Vanessa desceu do trem, acenando em despedida. O advogado a observou se afastar, sentindo uma pontada tardia de culpa apertar seu peito.

A vida seria difícil para ela dali em diante, mas seu futuro parecia promissor. Com seus traços delicados, maneiras elegantes e sorriso angelical, ela estava destinada a se tornar uma grande beleza, alguém que certamente iria cativar toda a sociedade.

A felicidade e o sucesso de uma mulher, afinal, eram muitas vezes determinados pelo valor de seu casamento. Até mesmo um canalha como Wyatt não subestimaria uma joia como Vanessa. Com a sua beleza e natureza gentil, conquistaria facilmente o coração do marido. Talvez eu esteja me preocupando à toa. Em alguns anos, ela provavelmente estará nas manchetes por conta de um casamento brilhante.

Ele afastou sua inquietação e voltou a abrir o jornal. Estava cansado e ansiava pelo conforto de uma cama de hotel antes do cair da noite.

Exatamente sete anos depois, como ele e todos os que conheciam a senhorita Vanessa haviam previsto, ela realmente apareceu nas manchetes. Não por causa de seu casamento, porém, mas por causa de um escândalo.