Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 29

Capítulo 29

Tradução: Emma

Capítulo 29


Sem que Vanessa soubesse, ele havia retornado. Assustada, ela estremeceu, pousando o caderno.

— Desculpe por tocar nisso sem permissão. Não foi minha intenção ser intrometida.

Não era preciso dizer que, como uma dama sensata, ela jamais sonharia em bisbilhotar os pertences particulares de alguém. Mas carvão e um caderno de desenhos? Era simplesmente intrigante que ele gostasse de desenhar. Especialmente considerando que o River Ross que ela conhecia quando criança não tinha demonstrado absolutamente nenhuma aptidão para a arte.

— Pode olhar se quiser.

— Sério?

— Mais tarde. Temos algo para fazer agora.

Ele colocou uma bacia de madeira cheia de água quente e uma toalha na mesa de cabeceira, depois sentou-se na cama, dando tapinhas no espaço ao seu lado. Vanessa empoleirou-se hesitante na beirada da cama. Ele dobrou as mangas, torceu a toalha e segurou o queixo dela. Então, observando a expressão de olhos arregalados e totalmente perplexa dela, soltou uma risada baixa.

— Faça alguma coisa com esses olhos. Não olhe para mim desse jeito.

— Eu… Mesma faço isso.

— Sua maquiagem está borrada; está uma bagunça.

Uma onda de vergonha insuportável a atingiu. Logo hoje, ela havia passado um pouco de maquiagem de forma desajeitada, na esperança de parecer um pouco mais bonita. Vanessa tentou empurrá-lo com todas as suas forças, mas com o rosto mantido cativo, não adiantou nada. Com o rosto carmesim, ela o enfrentou.

— Me solte.

— Por quê?

— Isso é… Constrangedor.

— Nós já vimos tudo o que havia para ver entre nós, por que ficar constrangida agora?

O tom indiferente dele fez os olhos de Vanessa se estreitarem. A afirmação dele sobre terem visto tudo era enganosa. Ela, pelo menos, nunca o tinha visto sem roupa. Mas o que ela poderia dizer?

Por que você não se despe? Eu não vi nada do seu corpo?

Enquanto buscava as palavras, a toalha quente e úmida tocou sua bochecha. Surpresa com a sensação, seus olhos se arregalaram. Ele falou com uma voz lânguida: — Feche os olhos.

Ela fechou os olhos, sentindo-se como se estivesse sendo levada pela correnteza. A toalha morna limpou suavemente suas bochechas, testa e pescoço. Ele limpou cuidadosamente a sujeira da ponte do nariz dela com o polegar.

A sensação estranhamente de cócegas fez com que a parte superior de seu corpo se inclinasse para trás, tombando lentamente até que ela finalmente desabasse na cama. Ele tirou uma folha de seus cabelos dourados e emaranhados. River Ross subiu na cama, inclinando-se sobre ela. Sua mão grande roçou a bochecha úmida dela. Vanessa, olhando para ele de forma sonhadora, só voltou à realidade quando ele segurou seu tornozelo.

— E-espera. Eu… Sério, eu mesma faço isso.

— Não tem espelho aqui, e seu corpo está uma bagunça em lugares que você nem consegue alcançar.

Vanessa piscou seus olhos cinzentos com inocência. — Eu estou realmente tão suja assim?

— Suja o suficiente para todo mundo no jardim saber o que estávamos fazendo. Seu cabelo também está uma bagunça.

O aroma remanescente da colônia dele misturava-se ao seu perfume limpo e natural. Ao se dar conta disso, o calor subiu em seu corpo novamente. Ele apertou suavemente a cintura trêmula dela.

— Não gaste suas energias. Não tem forças nem para levantar um dedo.

Após algumas tentativas inúteis de empurrar o ombro dele, Vanessa cessou a resistência. Ele estava certo. Não conseguia empurrá-lo, nem conseguia impedi-lo. No momento, só queria ficar deitada ali. Ter ele cuidando de cada necessidade sua era perturbador, mas seu corpo estava totalmente relaxado.

O toque dele, enquanto limpava meticulosamente a sujeira do seu corpo, era surpreendentemente gentil para um soldado. Vanessa observou em silêncio o rosto sério dele. Se perguntou se ele havia decidido ser tão atencioso assim. Até ela, com sua total falta de experiência com homens, sabia que o que havia acontecido no jardim não era o “fim”.

— Vanessa.

— Sim?

— Apenas pergunte. Sobre o que está tão curiosa?

Ele nem sequer tinha olhado para o rosto dela, mas de alguma forma sentiu seus olhares furtivos. Ela estivera o observando, mas agora sentia que era ela a observada. Momentaneamente sem palavras, Vanessa finalmente falou com honestidade: — É só… O que disse antes.

— O que eu disse?

— Sobre nós… Sabe, no jardim.

— E?

— Rigorosamente falando, nós não… Terminamos.

— Então eu deveria ter simplesmente me aproveitado de você enquanto estava inconsciente?

— B-bem, rigorosamente falando, eu não estava… Inconsciente…

— Estava tremendo e depois amoleceu. O que mais eu deveria pensar?

— …