Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 28

Capítulo 28

Tradução: Emma

Capítulo 28


Vanessa atingiu outro clímax, já tendo perdido a conta de quantos foram, e apertou as coxas ao redor do pulso dele. Era o ápice da vergonha.



— Pode entrar. Cuidado com a cabeça.

O depósito degradado era apertado, mas surpreendentemente confortável de uma forma que seu exterior não sugeria. Vanessa sentou-se hesitante na cama que River Ross indicou, com os olhos oscilando entre a cautela e a curiosidade enquanto escaneavam o interior do lugar.

A cama era antiga, mas bem cuidada e limpa. Em um canto, havia uma mesa de bilhar e uma cadeira de madeira. Uma prateleira perto da janela exibia alguns livros e uma caixa de charutos que parecia ser de luxo e abaixo dela, uma escrivaninha um tanto grande para o tamanho do cômodo. Uma cortina verde-esmeralda caía do teto, aparentemente dividindo o espaço entre uma área de estar e um quarto.

Era um lugar razoavelmente decente para um jovem trabalhador morar sozinho, embora a disposição próxima dos móveis fizesse o espaço parecer um pouco compacto.

— Vá dormir um pouco se estiver cansada.

Vanessa ergueu a cabeça num sobressalto. Absorta ao examinar o quarto, havia esquecido completamente que River Ross a observava. Ela baixou os olhos rapidamente, fingindo desinteresse, mas era uma tentativa tardia.

River Ross soltou uma risada baixa, como se estivesse observando um pequeno animal brincalhão, e saiu do depósito carregando um balde grande. Assim que a presença dele sumiu por completo, Vanessa soltou lentamente o ar que estava segurando.

Estou exausta.

Sem ninguém olhando, sua tensão diminuiu e seus ombros relaxaram. Ela desabou na cama macia, com o olhar vagando em direção ao teto ligeiramente arqueado. Era de fato baixo o suficiente para um homem da estatura de River Ross bater a cabeça. Mas não ela.

O aviso dele, portanto, tinha sido inútil desde o início, assim como aquele corpo de constituição forte havia falhado em fornecer o que ela tanto desejava.

Ainda estou tão molhada.

Vanessa suspirou, colocando as mãos ociosas sobre o baixo-ventre. River Ross a havia limpado com um lenço imediatamente depois, mas não adiantou muito, servindo apenas para deixá-la mais sensível de novo. Embora momentaneamente limpa, a excitação escorregadia logo retornou.

Os lugares que as mãos e os lábios dele haviam tocado ainda formigavam. Ela tinha sido levada por aquelas sensações desconhecidas, perdendo todo o controle. E quando perguntou, querendo mais, porque ele não tinha ido mais longe, ele lhe deu uma resposta terrível e vil: De que observar a vergonha dela era mais excitante.

Ele é um plebeu e um soldado, então, é claro, estaria acostumado com uma linguagem vulgar.

No entanto, era mais refinado quando estava perdido na paixão do que em seu comportamento habitual. Talvez fosse aquela postura imperturbável, quase distante, durante a intimidade que ampliava essa impressão.

Seu olhar errante pousou na escrivaninha cheia de objetos variados. Ela notou o reflexo da luz do sol, estranhamente brilhante, emanando de um pequeno frasco de vidro. Vanessa se levantou da cama.

Seria aquilo… Um perfume Burford?

Aquela parecia ser a fonte do sutil desconforto que ela vinha sentindo. O frasco de cristal intrinsecamente trabalhado, a tampa folheada a ouro, o líquido límpido e dourado em seu interior.

Era de fato um perfume Burford, do tipo que havia se tornado incrivelmente elegante nos últimos anos. Com certeza era um item caro demais para ser colocado de forma tão casual em um lugar como aquele.

Será que é uma falsificação?

Hesitante, Vanessa ergueu a tampa. O aroma inicial era profundo e potente. Luxuoso, mas não excessivamente pesado, com uma profundidade persistente de cítricos e sândalo. Parecia estranhamente familiar — o mesmo perfume que se apegava sutilmente a River Ross.

No momento em que percebeu isso, Vanessa fechou a tampa rapidamente e recolocou o perfume na escrivaninha com cuidado. As pontas de seus dedos tremeram de leve. E, a partir daquele instante, o interior aparentemente simples do depósito começou a parecer diferente.

O umidificador de charutos na prateleira era feito pela Millon, e o relógio exibia o logotipo da Largo. A caneta-tinteiro era importada da Langton, a tinta da Bodak, o lenço sob o bule de chá era da Hermes…. Cada item pertencia a uma marca de luxo que ela só tinha visto nos quartos de Rosalind e Blair, presentes ocasionalmente dados a elas por seus pais.

Por mais generoso que pudesse ser o salário da marinha, River Ross parecia ter gostos extravagantes.

Talvez sejam todos falsificados. Se ele fosse realmente rico, estaria fumando charutos, não os cigarros que os trabalhadores fumam.

Enquanto Vanessa olhava ao redor em busca de mais evidências daquela extravagância, seus olhos caíram sobre um caderno de couro gasto. Papéis de diferentes tamanhos e texturas estavam amarrados com um barbante simples; não parecia um item produzido comercialmente.

Ao lado dele havia um pedaço de carvão embrulhado em papel, mostrando sinais de uso. Ela se sentiu atraída pelo caderno, pegando-o como se estivesse em transe.

— Vanessa.

Assustada, ela se virou e viu River Ross parado na porta.