Tradução: Gheo
Capítulo 24
– Uma aranha?
Vanessa esboçou um pequeno aceno de cabeça, com os olhos marejados. Uma gota de sangue escorria de seu lábio, mordido para abafar um grito.
Theodore conteve o riso, esfregando o rosto com a mão calejada. Desde o início, aquela atitude o irritava. Havia algum motivo para tanto autocontrole? Vanessa agia como se precisasse se blindar, ou como se tivesse passado a vida inteira reprimindo gritos e lágrimas que agora era incapaz de expressar.
Então, soltou o ar lentamente, a emoção repentina apertando sua garganta. Agora ele entendia. Sabia exatamente de quem era o rosto que havia sobreposto ao de Vanessa. Compreendia por que aquele olhar contido, ansiando por atenção, lhe parecia tão familiar.
– River, por favor…
– Fique parada.
Ele agarrou o braço trêmulo de Vanessa e a puxou para si. Sua momentânea suspeita de que aquilo pudesse ser mais um dos planos dela desapareceu. Ali, sob a gola frouxa da blusa, espreitava uma aranha grande, peluda e de cor vermelha-escura.
Era bem grande, e até ele a achou um tanto assustadora. Sem hesitar, Theodore arrancou a aranha com suas mãos e a jogou no chão. Então, com a maior naturalidade possível, pegou uma mecha do cabelo dourado de Vanessa que estava presa em sua gola. No instante em que a soltou, os olhos cerrados dela se abriram.
– Será que ela foi embora?
– Não havia aranha nenhuma. Era apenas o seu cabelo.
– …O que?
– Aqui está.
Theodore abriu a mão de Vanessa e repousou a mecha de cabelo dourado em sua palma. De cabeça inclinada e lábios franzidos, ela o observou com desconfiança.
– Tem certeza? Não havia mesmo nenhuma?
– Eu te avisei.
– Não pode ser. Olhe de novo.
Vanessa abriu a gola da blusa e inclinou a cabeça, juntando os cabelos soltos e ondulados para um lado para que ele pudesse ver claramente.
Theodore caiu na gargalhada diante da cena absurda.
O que essa mulher pensa que eu sou?
– Quer que eu coloque a mão aí dentro e verifique?
– Você faria isso?
A resposta imediata à sua pergunta meio sarcástica o deixou momentaneamente sem palavras. Os olhos de Theodore se arregalaram, e então um sorriso irônico surgiu em seus lábios. Essa era uma tática bastante original. Ou talvez ela fosse simplesmente ingênua demais.
Nesse breve momento de pausa, Vanessa desabotoou alguns botões da blusa e olhou para ele com olhos suplicantes.
– Depressa, River.
Ele conteve uma risada amarga. Ela era uma mulher extraordinária. Sempre flertando com a resposta certa, mas nunca chegando lá por completo. E então... perguntou-se por quanto tempo ela conseguiria manter essa farsa inocente.
Theodore passou um braço em volta da cintura de Vanessa, puxando-a para perto. Com a outra mão, desabotoou a fivela da saia dela e puxou a blusa, que estava cuidadosamente dobrada para dentro. Foi então que uma rachadura apareceu em sua fachada inocente.
– Ah…
O rubor tardio que subiu às suas bochechas era irritante, como se ela não tivesse previsto o que aconteceria, apesar de ela mesma ter pedido.
A mão de Theodore deslizou lentamente pelas costas dela, por baixo da roupa. Aquecida pelo sol de verão, sua pele era agradavelmente quente, macia e flexível. Era tão lisa e delicada que seu toque deixava marcas tênues que apareciam e desapareciam.
Mantendo o olhar fixo em seu rosto, ele deslizou a mão lentamente pela curva de suas costas. Deu leves toques com a ponta dos dedos e, em seguida, esfregou suavemente com a palma da mão. A cada toque firme de sua mão calejada contra sua pele delicada, a respiração de Vanessa se tornava mais superficial.
– Hum…
Seus cílios trêmulos, o lábio mordido, o rubor carmesim em seu pescoço, os cabelos caindo em cascata sobre ele, a mão dela apertando seu braço... Seria mentira dizer que ele não estava cativado por cada uma de suas reações sutis.
– Vanessa.
Ele sussurrou o nome dela, e a orelha dela, que aparecia entre os cabelos dourados, se mexeu como a de um gato. Ele deu uma risadinha e mordiscou delicadamente o lóbulo da orelha dela.
– Não posso ter certeza dessa forma.
Ele a levantou, embora seu corpo parecesse relutar, e a sentou sobre a mesa do jardim. As pontas dos dedos dela, agarradas ao antebraço dele, tremiam levemente. Sua blusa estava amarrotada, a saia havia subido até os quadris e uma pequena peça íntima com laços mal escondia seus seios fartos.
A visão dela desgrenhada, totalmente à sua mercê, acendeu nele um desejo crescente. Ele mal podia acreditar. Como era possível se sentir tão atraído por uma mulher coberta de poeira, resquícios de baba de cachorro e cabelos completamente desalinhados?
