Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 22

Capítulo 22

Tradução: Gheo

Capítulo 22


A voz do jardineiro Ross trouxe Vanessa de volta à realidade. Uma pilha de galhos podados de pessegueiro acumulava-se aos seus pés. Sua tesoura estava no meio de mais uma vítima quando o jardineiro suspirou, tirando delicadamente a tesoura de sua mão enquanto olhava para a árvore mutilada.

– Já está tão tarde. Por que você não almoça e descansa?

Foi uma dispensa educada. Dado o estrago que causou, Vanessa assentiu desanimada.

– Deixe-me só limpar isso.

O jardineiro Ross suspirou novamente, observando Vanessa enquanto ela se agachava e começava a juntar os galhos. Era a primeira vez que a jovem, geralmente quieta e observadora, causava tal contratempo.

– Peço desculpas, Sr. Ross, mas eu vi o livro-razão.

O rosto de Lady Vanessa estava pálido de vergonha e culpa enquanto ela confessava.

– Eu sei. Você precisava de dinheiro para a sua cirurgia nas costas, não é mesmo? Sinto muito por não ter conseguido te ajudar antes.

– Não, minha senhora. Meu desespero não justifica o que fiz. Eu jamais deveria ter feito isso…

– Como sua empregadora, também tenho culpa por não notar sua situação. Não precisa se desculpar.

Ela era uma jovem tão gentil e amável. Deve ter sido aquele homem o responsável por seu comportamento estranho. O nobre, de posição social tão elevada que nem sequer podia ser cumprimentado casualmente, que estava hospedado no galpão abandonado no jardim de rosas durante o verão.

Mesmo agora, Vanessa continuava a olhar para River, confirmando que a suspeita do jardineiro Ross não era infundada.

Com um suspiro profundo, o jardineiro acenou para os homens do outro lado do jardim.

– Ei!

Os dois homens carregando sacos de fertilizante se viraram ao mesmo tempo. Vanessa lançou um olhar horrorizado para o jardineiro Ross, mas ele ignorou sua repreensão silenciosa e gesticulou sem jeito para o sobrinho.

– Bem, a moça quer cuidar das roseiras primeiro. River… você se importaria de ajudá-la…?

Vanessa puxou o chapéu para baixo, escondendo o rosto corado.

Será que a minha intenção era tão óbvia assim, até mesmo para o jardineiro?

Os olhos de River se estreitaram ligeiramente enquanto um zumbido baixo, como se estivesse em contemplação, vibrava no ar. Mesmo à distância, Vanessa achou ouvir aquele som suave, semelhante ao bater de asas de um beija-flor no verão.

– Muito bem, então.

Ele concordou imediatamente e se virou para o jardim de rosas. Surpresa com a mudança repentina, ela mal conseguiu reagir. Vanessa se levantou abruptamente e rapidamente pegou o chapéu, que havia caído no chão.

De repente, ela se deu conta de seus cabelos soltos, da sujeira em sua saia e do leve brilho de suor em sua testa.

– Minha senhora.

O jardineiro Ross acenou com a cabeça, incentivando-a a segui-lo. Vanessa apertou o chapéu e atravessou o caminho com passos firmes. Hesitou por um instante diante do portão de ferro enferrujado, mas acelerou o passo ao atravessá-lo.

O jardim de rosas estava tomado por ervas daninhas. O crescimento desordenado das árvores e roseiras denunciava anos de negligência. Os "convidados" só viam o jardim central, então as áreas mais isoladas foram aparentemente ignoradas.

River Ross já a esperava em frente ao galpão. Vanessa respirou fundo e se recompôs. Ao se aproximar dele com passos firmes e deliberados, ele imediatamente colocou algo em suas mãos: um regador e uma tesoura de jardinagem.

– …O que é isto?

– O que você precisa fazer é cuidar das roseiras. O jardineiro já preparou a solução para os galhos doentes. Está ali. Concentre-se em podar as roseiras com manchas pretas nas folhas.

Completamente atordoada, Vanessa olhou fixamente para as ferramentas em suas mãos, para o jardim negligenciado e, em seguida, para o rosto de River. Ele estava falando muito sério. Não estava brincando. Ele realmente pretendia começar a cuidar das roseiras.

– Aqui, vamos começar por aqui.

Ele era extraordinariamente bom em dar ordens às pessoas. Como se ela fosse a contratada. Uma rajada de vento, tão inquieta quanto seus próprios sentimentos, agitou as folhas.

Seu chapéu de jardinagem de aba larga inclinou-se para trás, revelando seu belo rosto, aquecido pelo sol de verão. Um sorriso lento e brincalhão se espalhou por seus lábios.

– Por quê, Vanessa? Você esperava algo diferente?