Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 21

Capítulo 21

Tradução: Gheo

Capítulo 21


– Até isso… – Vanessa cobriu a boca, assustada com os próprios pensamentos. Era uma fantasia indecente demais para o dia.

É claro que ela sabia que não deveria estar pensando assim, mas sua mente repetia aquele momento sem parar: o instante em que estavam pressionados um contra o outro, a respiração quente e úmida dele contra seus lábios, a mão dele repousando suavemente sobre sua garganta, o tecido fino do vestido amassado em seu peito e o desejo intenso dele pressionado contra seu ventre.

– Ele se contraiu, revelando um tamanho inacreditável.

Quanto mais ela tentava não pensar nisso, mais vívidas se tornavam as sensações. Seus dedos, que haviam brincado nervosamente com seus lábios, deslizaram lentamente para baixo, tremendo levemente enquanto acariciavam a pele ainda quente da parte inferior do abdômen.

– Você vai embora amanhã, não é? Podemos nos encontrar aqui nas próximas férias de verão?

– Não. Não podemos mais brincar juntos, minha senhora. Meus pais estão preocupados.

– Você sabia quem eu era.

As lembranças puras da infância voltaram à tona: os dois correndo pelos jardins, cobertos de terra, o dia em que o segredo foi revelado, o constrangimento e a surpresa ao descobrirem suas identidades ocultas.

– Nós nos encontramos durante todo o verão. Como eu poderia não saber?

O rosto do menino enquanto respondia estava estranhamente desfocado. Era apenas uma lembrança de quando tinham seis ou sete anos, então talvez fosse natural que estivesse imprecisa. Até mesmo aquela conversa poderia ser uma invenção, uma fantasia sobreposta ao passado.

Mas uma coisa era certa: eles já não eram mais aquelas crianças inocentes do passado.

– Senhora Vanessa.

River Ross, substituindo a imagem persistente do menino, era ao mesmo tempo familiar e estranho. Sua voz suave e seus olhos azuis brilhantes já não transmitiam o mesmo conforto e bondade. Ele era, em todos os sentidos, um homem estimulante. O jeito como falava, o brilho aparentemente espontâneo em seus olhos, sua voz macia, a forma como o ar vibrava quando ria, o modo como seu corpo musculoso se movia com graça sob a luz quente do sol…

Vanessa soltou um suspiro trêmulo, deslizando ainda mais contra a parede. Sua mão inquieta percorreu lentamente o caminho da fita sobre o peito até o abdômen. O farfalhar discreto de sua longa saia, conforme ela subia, trazia no atrito a lembrança provocante do toque dele.

Vanessa pressionou a bochecha quente contra o chão frio. Não sabia o que queria, nem como acalmar aquele calor intenso, mas sentia que havia algo mais.

– E se, depois do verão, não estiver cansada do meu corpo?

Uma estranha sensação de perigo a invadiu no instante em que aquelas palavras emergiram em sua mente. Um suspiro ofegante escapou por seus lábios antes que ela os pressionasse, com força, contra a mão.

River Ross havia se tornado um homem excepcional em todos os aspectos. Esse era o problema.



– Como você pode ver, este novo ramo cresceu além do ponto em que deveria ter parado. De agora em diante, a árvore usará os nutrientes armazenados durante o inverno e a primavera para produzir seus frutos.

Vanessa suspirou, deixando a explicação do jardineiro Ross entrar por um ouvido e sair pelo outro. Seu olhar voltou-se para o homem que era a fonte de sua angústia: River Ross, a raiz de todo o mal, a personificação de tudo o que era perigoso para uma dama.

– Galhos muito compridos como esses apenas consomem nutrientes e dificultam a frutificação adequada da árvore. Portanto, ao podar, você deve cortar esta parte assim...

O homem que ela imaginava ser provocante e sedutor havia se comportado de maneira impecável durante dias, quase como um padre. Como se ela fosse a única sofrendo. Não havia olhares furtivos, nem toques casuais, nem promessas sussurradas de encontros secretos, nada das trocas habituais entre amantes.

Eles haviam jurado fidelidade um ao outro, mas nunca chegaram a ser amantes de verdade, então talvez aquilo fosse uma consequência natural. Para ser sincera, ela até havia se preparado para um relacionamento baseado apenas no desejo físico, mas não esperava esse nível de distância.

– Teria sido bom se tivéssemos nos conhecido aos poucos e desenvolvido afeto um pelo outro, mas não tínhamos tempo para esse tipo de relacionamento.

Era apenas o fim da primavera e o início do verão. O calor ainda nem havia chegado de verdade, mas Vanessa sentia o fim da estação se aproximar a cada instante. E o tempo que escapava parecia tão, tão precioso...

– Minha senhora.