Tradução: Emma
Capítulo 20
Theodore soltou uma risada baixa. — E se, depois do verão, não estiver cansada do meu corpo?
— Não seja absurdo. — Vanessa franziu o cenho, como se a mera sugestão fosse ultrajante. — Isso não vai acontecer. E se, por algum milagre, acontecesse, não teria que se preocupar com nada desagradável. Na verdade, até lá, mesmo que implore e suplique…
— Vamos fazer uma aposta, então? — Theodore interrompeu suavemente o falatório dela. — Sobre quem estará implorando e suplicando no final do verão?
— Estou confiante. — Os olhos de Vanessa brilharam, com as bochechas coradas. Observando-a, Theodore riu novamente. Se perguntou brevemente se havia se metido em algo ridículo, mas, por alguma razão, sentia-se confiante de que, com essa mulher, ficaria tudo bem. Talvez fosse o resultado de respeitar as visões admiráveis da senhorita Vanessa sobre o casamento.
— Juro por Deus, eu morro antes de ser a primeira a dizer que te amo.
— Estou ansioso por isso. Embora eu não acredite em Deus. — Diante da resposta dele, entregue com um sorriso irônico, os olhos de Vanessa se arregalaram de novo, como se ele tivesse proferido uma blasfêmia indizível.
Divertia-o o fato de que ela, que nem sequer conseguia reconhecer um insulto quando este era direcionado a si mesma, defenderia a honra de uma divindade inexistente. Para evitar o protesto entediante dela, Theodore puxou a cintura esguia dela contra si, silenciando seus lábios cheios de sermões.
Satisfeito com o silêncio restaurado, Theodore soltou uma risada relaxada. O corpo dela era macio e flexível, a pele perfumada e submissa ao toque dele, como um pêssego de verão. Ele baixou lentamente os lábios até as pálpebras dela.
— E-espere. — Vanessa se contorceu para fora do aperto dele, empurrando-o. Theodore ergueu uma sobrancelha.
— Olha, não estou tentando ser difícil, mas b-bem aqui, agora mesmo… É um pouco… — Seus olhos suplicantes se voltaram para o depósito. Estava claro que ela queria que fossem para um lugar mais privado. Ela parecia pensar que ele estava prestes a possuí-la ali mesmo.
Ela acha que sou algum tipo de animal no cio?
Sua leve irritação desapareceu quando viu o rosto pálido e assustado dela. A mão dela, agarrando o casaco dele, tremia. A senhorita Vanessa estava claramente dominada pela ansiedade.
— Claro, não estou recusando, e agora mesmo é… Claro, com certeza, bom, mas…
Mesmo em seu pânico, as desculpas dela saíam aos tropeços, desesperada para garantir a ele que não havia mudado de ideia. Ela dizia que estava disposta, mas parecia que estava prestes a ser agredida. Theodore sorriu de lado, traçando suavemente a curva da orelha dela.
Ela estremeceu com o toque dele, adorável como um pequeno animal. Ele arrastou lentamente o polegar dos lábios dela, passando pela bochecha macia, até o lóbulo da orelha, até que o rosto dela ficasse tingido de um carmesim profundo.
— R-River. Eu…
Ele cortou o gaguejar dela, aquele hábito irritante de proferir o nome de outro homem, cobrindo os lábios dela com os seus. Ele empurrou a língua no suspiro de surpresa dela, aproveitando-se de seus lábios entreabertos. Tudo nela era tão pequeno: a boca bem aberta, a língua minúscula, os dentes como pérolas.
Ele saqueou o fôlego dela, beijando-a de forma profunda e insistente. A língua presa dela tremulava contra a dele em um ritmo arquejante. A mão grande de Theodore se apertou ao redor do pescoço esguio dela, como se para puni-la por sequer pensar em escapar com um leve giro do corpo. Os seios dela, presos entre os corpos de ambos, foram suavemente esmagados.
Foi nesse ponto que a resposta de Vanessa ao beijo mudou. A mão dela, que antes amassava a lapela dele, apertou com mais força.
— Ah…
Um fio delicado de saliva se conectou e se partiu quando seus lábios se separaram. Ele lambeu os lábios docemente arquejantes de Vanessa e os mordiscou de leve. A irritação que sentia momentos antes havia desaparecido completamente no beijo, deixando apenas o deslumbrante jardim de verão e a mulher diante dele. Ele até que gostava desse estado de coisas claras e simples.
— Sugeriu que agíssemos como amantes, mas pular direto para o físico não é um pouco… Bárbaro?
— O quê?
Vanessa havia afirmado que o verão era curto, mas, na opinião dele, o verão do sul era agonizantemente longo — longo o suficiente para induzir as rosas de botões a um desabrochar completo e glorioso, e então florescerem novamente. Theodore mordeu de leve o pescoço pálido de Vanessa.
— Vanessa, por mais ansiosa que esteja, não deve abandonar sua compostura de dama.
— Quando foi que eu…? — O olhar de protesto dela ficou nublado. Parecia que havia percebido que suas palavras soaram como se ela tivesse sido quem estava implorando. Sua expressão tornou-se tão perplexa quanto a de um gato que acabou de derramar leite no chão.
Vanessa, recuperando os sentidos, afastou a mão dele como se fosse algo repulsivo. Enquanto ela se virava e fugia, Theodore caiu em uma risada divertida. Ele pegou um cigarro com um ar sem pressa.
Isso mesmo, Vanessa. Você não deveria ter feito aquela aposta.
Meu Deus.
De volta ao seu quarto, Vanessa trancou a porta e afundou lentamente no chão, com as mãos cobrindo as bochechas. Seu coração martelava alto, como se fosse movido por uma máquina a vapor. Como o River Ross havia se tornado um homem assim?
A alegria de convencê-lo fora estranhamente ofuscada pela perplexidade de que ele realmente a desejava, embora fosse exatamente o que ela tanto almejava.
Desde o início, River Ross tinha sido demais para ela. Sua figura imponente que parecia eclipsar até as sombras, suas mãos venosas, seus ombros largos e fortes, e até mesmo…
