Tradução: Emma
Capítulo 18
O rosto pálido da mulher se contorceu novamente de ansiedade. Seus lábios tremeram, como se ela estivesse prestes a desabar em lágrimas, mas logo se firmaram em uma linha enganosamente calma. Talvez ela simplesmente não tivesse mais espaço para outros pensamentos.
— River… Não se lembra de mim?
Theodore olhou para o céu de maio, incrivelmente azul, e depois desceu o olhar para Vanessa, cujas mãos estavam fortemente entrelaçadas e tremiam levemente.
Parecia haver uma razão, por mais equivocada que fosse, por trás daquela proposta insana. Algum tipo de promessa, talvez. Ele deveria dizer a ela ali mesmo que não era quem ela pensava?
Não há necessidade.
Ela apenas correria até o verdadeiro River Ross e repetiria a mesma proposta. E o ingênuo River Ross que não seria capaz de recusar adequadamente e acabaria sendo levado pela situação. As consequências de um escândalo com uma nobre decaída para um promissor oficial da marinha — um plebeu sem família para lhe dar retaguarda — eram óbvias.
Theodore, como sempre, chegou a uma conclusão rápida e pragmática e encarou Vanessa. Pelo bem de seu subordinado, o melhor era encerrar aquilo em um ponto razoável. Seus lábios se curvaram em um sorriso amargo.
— Está se desvalorizando. Eu sou caro demais para a sua mesada insignificante. E não estou desesperado a ponto de ir para a cama com uma mulher por quem não nutro sentimentos.
Vanessa agora permanecia com a cabeça baixa, submissa. Ele não conseguia decifrar quais cálculos passavam por aquela cabecinha. E não fazia mais questão de saber. Com certeza seria algo totalmente insano. Ele estava prestes a passar por ela quando uma mão pequena segurou sua manga.
— Então irei te amar.
Amor. Ele estava farto dessa palavra batida e cansativa. Ele soltou um suspiro agudo. Sob seu olhar focado para baixo, o rosto pálido de Vanessa entrou em sua visão. Naquele momento, Theodore não pôde deixar de soltar uma risada sem humor.
Vanessa Siren Somerset era provavelmente a única mulher no mundo capaz de dizer a palavra “amor” com uma expressão daquelas. Um rosto que parecia aceitar a morte, olhos como os de um guerreiro entrando em um duelo.
Ela disse: — Eu só… Se absolutamente tenho que me casar, quero que meu marido seja alguém que não… Dê nenhuma importância a… Isso. E para conseguir isso, quero me livrar disso.
Disso.
Como se a virgindade dela fosse algum objeto inconveniente a ser descartado. Os lábios de Theodore se torceram.
— Então está disposta a entregar sua virgindade a um homem que nem sequer ama.
— Os homens gostam de… Intimidade, mesmo sem amor. Você provavelmente também gostaria. Então pensei: por que eu não deveria?
Com uma expressão perfeitamente dócil, ela proferiu palavras chocantemente rebeldes. A perspectiva dela, que via os homens como pouco mais do que cães no cio, era espantosa, mas também bastante prática.
Porque eles existiam. Esse tipo de louco. Do tipo que desperdiçava suas vidas preciosas com mulheres, bebidas e jogos de azar.
Memórias desagradáveis flutuavam como poeira sobre a paisagem saudável do campo. Theodore, inconscientemente, puxou o colarinho de sua camisa, que de repente pareceu apertada demais. Sua respiração ficou um pouco mais pesada porquê o olhar de Vanessa, fixo nele, parecia inocente demais.
Quão inocente poderia ser uma mulher que estava se oferecendo para comprar um homem? Theodore riu, um som nervoso e irritado.
— Achou que eu fosse esse tipo de homem? E estava disposta a se desperdiçar comigo?
— Você é bonito… E é um oficial da marinha.
— E?
— Coagir fisicamente um militar por causa de sentimentos pessoais é um crime grave. E oficiais da marinha costumam ser enviados para o exterior por anos a fio.
Era uma conclusão estranhamente astuta. Ela tinha até calculado que a posição dele a protegeria de seu tio, mesmo se as coisas dessem errado.
— Todos os criados do castelo têm ligações com o Sul. Mas você é um completo estranho, então pensei que, mesmo se um escândalo estourasse, você não sofreria muito. Não é um nobre, então não tem uma reputação a perder.
— E se eu fosse um cavalheiro que valorizasse a honra? Você não teria feito essa proposta então?
— Se o homem que me… Desonrasse fosse um nobre, alguém com riqueza a ser extorquida, meu tio daria um jeito de me forçar a ficar com ele.
— …
— Então, vamos ser… Amantes temporários, apenas durante o período da sua licença. Como quando costumávamos brincar de casinha quando éramos crianças, só que… Nós conhecendo um pouco melhor.
— Amantes.
— É verão. Tudo terá acabado em uma estação.
As bochechas de Vanessa agora estavam coradas com a cor de pêssegos de verão. Frescas e vibrantes, como se um suco doce fosse escorrer caso ele as mordesse.
